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Articulação

Alcolumbre articula Pacheco no TCU e complica planos de Lula em Minas

Movimentação articulada por Davi Alcolumbre preocupa o Palácio do Planalto e pode retirar Rodrigo Pacheco da disputa pelo governo mineiro em 2026
Por O Correio de Hoje
12/05/2026 | 15:19

A possibilidade de o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) disputar o governo de Minas Gerais, vista pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como peça central para fortalecer seu palanque no segundo maior colégio eleitoral do país, ganhou um novo fator de incerteza. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), passou a articular nos bastidores a indicação de Pacheco para uma vaga no Tribunal de Contas da União.

A cadeira em discussão é a que poderá ser aberta com a eventual saída do ministro Bruno Dantas, cuja indicação ao tribunal foi patrocinada pelo MDB. Nos últimos dias, integrantes da bancada emedebista passaram a admitir apoio ao nome de Pacheco para o posto.

Pacheco e Alcolumbre
Senadores Davi Alcolumbre e Rodrigo Pacheco em conversa com assessora Foto: Edilson Rodrigues / Senado

Segundo relatos de senadores, a eventual nomeação do mineiro para o TCU é vista como uma forma de “pacificar” o ambiente político no Senado em um momento de crescente preocupação entre parlamentares.

A apreensão se intensificou após a operação da Polícia Federal contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Nos bastidores, o episódio foi interpretado como um sinal de alerta para lideranças da Casa, que passaram a defender maior coesão entre os grupos políticos.

Desde então, a hipótese de Pacheco migrar para o TCU deixou de ser apenas especulação e passou a ser tratada de forma mais concreta entre senadores do União Brasil, MDB e PSD.

Na avaliação de interlocutores, a indicação permitiria reorganizar forças internas, reduzir tensões e, ao mesmo tempo, redefinir o cenário político em Minas Gerais.

Há ainda outra possibilidade em análise. Aliados de Pacheco acompanham a eventual abertura de uma segunda vaga no TCU com a possível aposentadoria antecipada do ministro Augusto Nardes. Embora complete 75 anos apenas em setembro de 2027, Nardes avalia deixar o cargo antes do prazo.

Setores da base governista passaram a admitir publicamente que a ida de Pacheco para uma cadeira vinculada ao Senado é politicamente viável. Nos bastidores, governistas reconhecem que o senador dificilmente seria contemplado em uma vaga de livre escolha do presidente da República, mas enxergam espaço para sua indicação por articulação interna da Casa.

No entorno de Rodrigo Pacheco, interlocutores afirmam que o tema é tratado com disposição para diálogo.

O avanço das conversas, porém, abriu uma nova frente de atrito entre Alcolumbre e o Palácio do Planalto. Integrantes do governo afirmam que Lula resiste a perder Pacheco, por considerá-lo uma das poucas alternativas capazes de construir uma candidatura competitiva ao governo mineiro.

Pacheco já havia sido cogitado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal, mas acabou preterido. Lula apoiou o nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, cuja indicação foi rejeitada pelo Senado em articulação que teve Alcolumbre entre os principais articuladores.

Apesar das investidas do PT, Pacheco tem demonstrado pouca disposição para entrar na disputa pelo governo de Minas. Segundo interlocutores, o senador evita assumir compromissos eleitorais e mantém postura cautelosa, o que alimenta a percepção de que uma vaga no TCU pode ser um caminho mais atraente.

Para o PT, a saída de Pacheco da arena eleitoral significaria abrir espaço para candidaturas ligadas ao bolsonarismo e ao grupo do governador Romeu Zema (Novo).

A indefinição também trava negociações entre partidos no estado. Dirigentes de legendas reclamam reservadamente que Pacheco não confirma candidatura, mas tampouco libera aliados para apoiar outros projetos políticos.

Caso aceite uma vaga no TCU, o senador encerraria de imediato essa indefinição e abriria espaço para uma reorganização das forças políticas em Minas, envolvendo partidos como MDB, União Brasil, PDT e PSDB.

O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) afirmou que Rodrigo Pacheco não tratou com os aliados sobre a possibilidade de migração para o Tribunal de Contas da União.