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Mundo

Rússia avança em testes com novo míssil nuclear

Rússia conclui teste final do míssil nuclear Sarmat e amplia tensões com o Ocidente
Por O Correio de Hoje
12/05/2026 | 13:42

A Rússia anunciou nesta terça-feira 12, a conclusão do teste final do míssil balístico intercontinental RS-28 Sarmat, armamento nuclear considerado estratégico pelo governo de Vladimir Putin e apontado por Moscou como peça central da modernização das forças nucleares russas.

O anúncio foi feito pelo comandante das Forças de Mísseis Estratégicos da Rússia, Sergei Karakayev, que classificou o teste como a etapa final antes da entrada oficial do sistema em operação. Após a confirmação, Putin declarou que pretende incorporar o Sarmat ao arsenal operacional do país até o fim deste ano.

Míssil russo
Teste final do armamento intercontinental é concluído com sucesso, e Putin afirma que sistema está pronto Foto: Govrno da Rússia

Apresentado originalmente em 2018 durante um discurso do presidente russo sobre novos sistemas estratégicos, o Sarmat integra uma geração de armamentos descrita por Moscou como capaz de superar os sistemas de defesa antimísseis ocidentais. Na ocasião, Putin afirmou que o míssil seria capaz de “derrotar todos os sistemas antiaéreos modernos”.

Conhecido pela Organização do Tratado do Atlântico Norte pelo codinome “Satanás”, o Sarmat é tratado como um dos mais avançados mísseis nucleares já desenvolvidos pela Rússia. Segundo o governo russo, o armamento possui alcance estimado em até 35 mil quilômetros e capacidade de atingir alvos por rotas que passam tanto pelo Polo Norte quanto pelo Polo Sul, estratégia voltada a dificultar sistemas de interceptação.

Autoridades russas afirmam que o míssil pode alcançar a Europa em menos de dez minutos. O sistema também teria capacidade para transportar dez ou mais ogivas nucleares independentes, conforme relatório do Serviço de Pesquisa do Congresso dos Estados Unidos.

O Ministério da Defesa russo classificou o Sarmat como “o míssil mais poderoso com o maior alcance de destruição de alvos do mundo”, afirmando que o equipamento elevará significativamente o potencial de combate das forças nucleares estratégicas do país.

O avanço do programa ocorre em meio ao aprofundamento das tensões geopolíticas entre Rússia e países ocidentais desde o início da guerra na Ucrânia. O fortalecimento do arsenal nuclear russo vem sendo acompanhado de perto por governos europeus e pelos Estados Unidos, especialmente diante da escalada militar envolvendo a Otan e o aumento dos investimentos globais em defesa.

O desenvolvimento do Sarmat substitui gradualmente os antigos mísseis soviéticos R-36M, em operação desde a Guerra Fria. A nova plataforma faz parte da estratégia do Kremlin para reforçar sua capacidade de dissuasão nuclear em um cenário internacional marcado por disputas militares e tecnológicas cada vez mais intensas.

Especialistas em segurança internacional avaliam que a entrada do Sarmat em operação tende a ampliar as preocupações globais sobre uma nova corrida armamentista nuclear, sobretudo diante da deterioração dos acordos multilaterais de controle de armas firmados entre Moscou e Washington nas últimas décadas.