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Jovens

Gripes e resfriados afastam jovens do esporte

Especialistas alertam para cuidados com atividades físicas durante infecções respiratórias em adolescentes
Por O Correio de Hoje
12/05/2026 | 12:48

Praticar atividade física regularmente traz benefícios importantes para a saúde de adolescentes, mas especialistas alertam que a rotina esportiva exige cuidados redobrados durante períodos de maior circulação de vírus respiratórios. Gripes, resfriados e outras infecções podem comprometer o desempenho físico, aumentar o risco de complicações e afastar jovens de treinos e competições por vários dias.

O alerta ganha força principalmente durante o outono, estação marcada pelo aumento de casos de doenças respiratórias. Dados de monitoramento epidemiológico da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) apontam crescimento nas hospitalizações associadas a vírus respiratórios, especialmente influenza A e vírus sincicial respiratório (VSR), que costumam circular com maior intensidade nesse período do ano.

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Vacinação reduz transmissão de doenças Foto: FreePik

Especialistas explicam que adolescentes não estão imunes aos impactos dessas infecções, especialmente aqueles que mantêm rotina intensa de atividades físicas. Segundo médicos, o organismo tende a perder desempenho durante quadros infecciosos, o que reduz capacidade respiratória, aumenta o cansaço e pode favorecer complicações clínicas.

“Em qualquer quadro de febre, tosse, sintoma gastrointestinal, dor no corpo, entre outros, o adolescente não deveria participar de nenhuma prática esportiva”, afirma o médico do esporte e do adolescente Getúlio Bernardo Morato Filho, membro do Grupo de Trabalho de Atividade Física da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

De acordo com o especialista, além da possibilidade de transmissão para colegas de equipe, insistir na prática esportiva durante a doença pode piorar o estado clínico do adolescente e ampliar o tempo de recuperação. Mesmo nos casos considerados leves, médicos afirmam que o organismo continua comprometido enquanto combate a infecção. Isso pode provocar queda de rendimento físico e maior sensação de fadiga.

“Se é uma infecção respiratória, o adolescente pode ter uma diminuição da sua capacidade respiratória, vai ficar cansado mais rapidamente e, se insiste na prática esportiva, isso aumenta a chance de complicações”, diz o infectologista Francisco Ivanildo de Oliveira, gerente médico do Sabará Hospital Infantil.

Segundo os especialistas, os resfriados normalmente provocam sintomas leves, como coriza, dor de garganta, espirros, tosse e febre baixa, com duração média de dois a três dias. Já quadros de gripe e Covid-19 costumam apresentar sintomas mais intensos e persistentes, incluindo febre alta, prostração, dores musculares, cefaleia e sintomas gastrointestinais, podendo durar de cinco dias a uma semana ou mais.

O tratamento recomendado envolve hidratação constante, repouso e alimentação equilibrada. Em situações com febre e dores no corpo, especialistas afirmam que antitérmicos podem ser utilizados conforme orientação médica.

Nos casos de gripe confirmada e pacientes com maior risco de complicações, médicos também podem indicar antivirais específicos. Segundo os especialistas, esse tipo de medicação costuma apresentar melhores resultados quando iniciado até 48 horas após o surgimento dos sintomas.

A recomendação para retorno às atividades físicas varia conforme a gravidade da infecção. Em quadros gripais, especialistas orientam que exercícios sejam retomados somente após o desaparecimento completo dos sintomas e, no mínimo, 48 horas sem febre. Já em casos mais leves, como resfriados e algumas infecções gastrointestinais, o repouso deve ser mantido por pelo menos um dia após o fim dos sintomas.

Mesmo após a recuperação, médicos recomendam que o retorno aos treinos aconteça de forma gradual, respeitando os limites do organismo e evitando sobrecarga física imediata. Além do repouso, especialistas reforçam que medidas preventivas continuam sendo fundamentais para reduzir o risco de infecção entre adolescentes que praticam esportes coletivos ou frequentam ambientes com grande circulação de pessoas.

“A vacinação é super importante, assim como a manutenção dos hábitos como a higienização das mãos e etiqueta da tosse. Essas são medidas que precisam ser seguidas quando falamos de proteção contra a transmissão de doenças”, afirma Oliveira.

Embora adolescentes não façam parte dos grupos prioritários permanentes da vacinação contra influenza, especialistas lembram que eles podem receber o imunizante tanto na rede privada quanto nas campanhas públicas quando há ampliação para toda a população.

Médicos também reforçam a importância de manter o calendário vacinal atualizado durante a adolescência. Entre os imunizantes recomendados pela Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) estão vacinas contra HPV, meningite meningocócica ACWY, influenza, Covid-19, tríplice bacteriana acelular do tipo adulto e outras vacinas definidas conforme o histórico individual de cada adolescente.

Para jovens não vacinados ou com esquemas incompletos, especialistas também indicam atualização de doses contra sarampo, caxumba, rubéola, hepatites A e B, varicela, febre amarela e dengue. Segundo médicos, a imunização ajuda não apenas a reduzir casos graves, mas também a evitar interrupções prolongadas nas atividades escolares e esportivas.