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Eleições

Sem apoio do União Brasil, Carlos Eduardo desiste do Senado

Carlos Eduardo afirma que decisão foi tomada em acordo com Allyson Bezerra e segue orientação nacional do União Brasil sobre uso do fundo eleitoral
Por O Correio de Hoje
05/05/2026 | 16:35

O ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves (União) anunciou nesta terça-feira 5 que não será candidato ao Senado Federal nas eleições de 2026. A decisão, segundo ele, foi tomada em entendimento com o ex-prefeito de Mossoró e pré-candidato ao Governo do Estado Allyson Bezerra (União), e decorre de uma orientação da direção nacional do União Brasil sobre a aplicação dos recursos do fundo eleitoral.

“A direção nacional do partido União Brasil informou que, nessa eleição, a prioridade é a eleição de deputados federais e governador e que não haverá disponibilidade do fundo eleitoral partidário para candidatura ao Senado no Rio Grande do Norte”, disse o ex-prefeito, em nota.

Carlos Eduardo PSD (123)
Ex-prefeito Carlos Eduardo se filiou ao União Brasil, mas foi rifado na disputa eleitoral Foto: José Aldenir

A decisão encerra, ao menos por ora, a possibilidade de retorno imediato de Carlos Eduardo a uma disputa majoritária. Nos últimos meses, o nome do ex-prefeito vinha sendo ventilado como uma das opções para a corrida ao Senado, em um cenário ainda em consolidação no Estado, com duas vagas em disputa.

Apesar da desistência, ele fez questão de agradecer o apoio recebido de aliados e dirigentes partidários. “Agradeço o empenho dos dirigentes do União Brasil no Rio Grande do Norte para viabilizar a nossa candidatura ao Senado”, afirmou.

Na mesma nota, sinalizou que pretende continuar participando do debate político. “Como fiz ao longo de toda a minha vida pública, com ou sem mandato, seguirei sempre à disposição de Natal e do Rio Grande do Norte, disposto a contribuir para o debate qualificado e para o avanço do nosso estado”, completou.

Com a saída de Carlos Eduardo do páreo, a chapa encabeçada por Allyson Bezerra caminha para ter apenas um nome na corrida ao Senado, o da senadora Zenaide Maia (PSD). Em entrevista ao Agora RN em abril, o ex-prefeito de Mossoró destacou a possibilidade, apesar de em 2026 haver duas vagas em disputa.

“Pode ser que a gente só saia com um nome. Sempre pontuei isso, porque eu não acho dificuldade de defender isso. Mas pode ser também que a gente saia com dois nomes”, disse Allyson, ao programa “Especial Eleições 2026”.

Figura tradicional da política potiguar, Carlos Eduardo construiu sua carreira com forte base em Natal. Ele foi prefeito da capital por quatro mandatos (2002-2008 e 2013-2018), tendo assumido inicialmente após a renúncia da então prefeita Wilma de Faria, e depois consolidado sua liderança com sucessivas eleições.

Nas eleições mais recentes, Carlos Eduardo disputou o Governo do Estado em 2018, quando chegou ao segundo turno, mas acabou derrotado pela atual governadora Fátima Bezerra (PT). Já em 2022, voltou a concorrer a um cargo majoritário, desta vez ao Senado com apoio do PT, mas não obteve êxito. Em 2024, ele foi candidato à Prefeitura do Natal e ficou em 3º lugar, fora do segundo turno.

Veto do PSD

Em entrevista na última segunda-feira 4 ao programa Contraponto, da 96 FM, Allyson negou que houvesse veto do PSD a Carlos Eduardo. Nos bastidores, existe uma avaliação de que a candidatura poderia atrapalhar a reeleição de Zenaide Maia — nome preferencial da chapa.

“Não há veto. Alguém pode ter uma posição divergente. Mas veto em si não. Porque eu não gosto de trabalhar com essa ideia de veto, sabe? Eu não concordo com essa ideia de veto em ninguém. A gente tem que escutar cada um dar sua opinião. E no final nós vamos ter uma opinião o mais consensual possível. É isso que vai acontecer. O clima é muito democrático”, afirmou, sobre o seu grupo político.

Em outro trecho, Allyson elogiou Carlos Eduardo, referindo-se a ele como “um grande nome”. “Ele é, do ponto de vista eleitoral, um quadro importante. Principalmente aqui na capital. Ele já foi prefeito quatro vezes. Tem uma história com essa cidade. Então, é um quadro importante, relevante”, destacou.

E afirmou que o ex-prefeito de Natal será útil ao projeto político do grupo mesmo que não seja candidato. “Um time não vive só de um ou de dois jogadores. Ele vive do conjunto. E é bom a gente ter bons jogadores dentro de um time, fazendo associação com o futebol, para a gente poder contar. Carlos Eduardo é um nome que a gente conta, é um nome que está posto, está afiliado ao nosso União Brasil”, declarou.

Em entrevista à TV Band RN, a senadora Zenaide Maia afirmou que não tem posição definida sobre a presença de um segundo nome na chapa ao Senado nas eleições de 2026 e indicou que a decisão dependerá da avaliação conjunta dos partidos aliados. Ao tratar da composição política vinculada à pré-candidatura de Allyson Bezerra ao Governo do Estado, a parlamentar declarou que ainda não há consenso sobre a necessidade de ampliar a disputa ao Senado dentro do mesmo grupo.

“Hoje eu acho que não sei se valeria a pena ter um segundo candidato. Dependendo se vier a agregar”, afirmou a senadora, ao reconhecer que a presença de outro nome pode ou não contribuir para o desempenho político da aliança. Em seguida, reforçou que a análise não pode ser conduzida de forma individual e que a decisão envolve diretamente as direções partidárias que compõem o grupo.

“Isso é uma análise que não pode ser só de uma pessoa”, disse. Ao detalhar o processo, acrescentou: “Eu sou muito democrática nisso, eu ouço, eu vejo. Não quero, apesar de ser presidente do meu partido, mas os outros também têm presidente. Então, eles estão sentados, analisando, e a gente vendo como o que vai ser melhor”.

A coligação mencionada por Zenaide reúne as federações União Brasil/PP e Solidariedade/PRD, além de PSD, Republicanos, MDB e Avante.