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Mundo

Trump eleva tom contra papa antes de reunião

Críticas de Trump ao papa Leão XIV elevam tensão antes de encontro diplomático com o Vaticano
Por O Correio de Hoje
05/05/2026 | 15:20

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a intensificar críticas ao papa Leão XIV poucos dias antes de um encontro diplomático entre o Vaticano e o governo americano. Em entrevista ao programa The Hugh Hewitt Show, Trump afirmou que o pontífice “está colocando muitos católicos e muitas pessoas em perigo”, ampliando o tom do embate entre as duas lideranças.

A escalada ocorre às vésperas de uma reunião entre o papa e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, prevista para quinta-feira 7. O encontro deve tratar das divergências recentes, especialmente sobre o conflito envolvendo o Irã, e é descrito como uma tentativa de “conversa franca” entre as partes.

papa e trump
Declarações do presidente dos EUA ocorrem às vésperas de reunião com o Vaticano em meio a divergências sobre o Irã Foto: Reprodução

Trump acusou o papa de minimizar riscos relacionados ao programa nuclear iraniano. “Prefere falar sobre o fato de que não há problema em o Irã ter uma arma nuclear, e eu não acho isso muito bom”, disse o presidente.

A fala se soma a uma série de críticas públicas feitas pelo republicano nos últimos dias, em meio ao agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio. Trump tem reiterado que considera o Irã uma ameaça central à segurança internacional e defende medidas mais duras contra o país.

O Vaticano, por sua vez, tem adotado um discurso centrado na defesa da paz e na crítica à escalada militar. Em declarações recentes, o papa afirmou não ter interesse em prolongar o embate com o presidente americano.

“Não me interessa de forma alguma debater com o presidente”, disse Leão XIV, ao comentar a repercussão de discursos feitos durante viagem à África. Segundo o pontífice, muitas interpretações recentes decorrem de leituras equivocadas de falas que haviam sido preparadas antes do início da controvérsia.

Dentro da Igreja Católica, a avaliação é de que o diálogo institucional deve prevalecer. Em entrevista ao Corriere della Sera, o cardeal Gerhard Ludwig Müller afirmou que Rubio é o interlocutor mais adequado para conduzir as negociações.

“Os Estados Unidos não podem se opor ao Papa e ao Vaticano; um acordo é necessário”, disse. Segundo ele, a dimensão política do conflito exige maior cautela, considerando o peso da comunidade católica nos EUA, estimada em mais de 50 milhões de fiéis.

A tensão entre Trump e o papa ganhou força após críticas do Vaticano à atuação dos Estados Unidos e de Israel no conflito com o Irã. Em discurso recente, Leão XIV afirmou que bilhões de dólares vêm sendo destinados a guerras, enquanto faltam recursos para áreas como saúde e educação.

O pontífice também criticou o uso da religião como justificativa para conflitos e afirmou que a violência global é impulsionada por decisões de um grupo restrito de líderes.

Trump, por outro lado, afirmou que tem direito de discordar do papa e reiterou que sua posição está alinhada à defesa da segurança internacional. “Sou a favor do Evangelho, mas não posso permitir que o Irã desenvolva uma arma nuclear”, declarou.

A reunião entre o Vaticano e o governo americano ocorre em um momento de sensibilidade diplomática e pode sinalizar os próximos passos na relação entre as duas partes. Embora divergências permaneçam, a interlocução institucional é vista como essencial para evitar o aprofundamento da crise em um cenário global já marcado por instabilidade geopolítica.