O Ministério Público de São Paulo reiterou o pedido de intervenção judicial no Sport Club Corinthians Paulista, ao apresentar, nesta segunda-feira, uma nova representação. No documento, o promotor Cássio Conserino sustenta que houve “maquiagem contábil” na aprovação das contas referentes a 2025 e levanta indícios de gestão temerária por parte da atual administração do clube.
No material, divulgado pelo jornal O Estado de S. Paulo, o promotor destaca que o balanço foi aprovado com ressalvas indicadas pela auditoria independente da Parker Russell, sem que, segundo ele, essas observações tenham sido devidamente aprofundadas ou debatidas.

“A aprovação com ‘ressalva’ vira vício quando encobre grave irregularidade e existe indícios de fraude, maquiagem contábil e gestão temerária no relatório da auditoria independente. Essa aprovação com ‘ressalva’ equivale a uma típica ‘simulação de controle’”, afirma Conserino.
Um dos pontos centrais da contestação envolve uma ressalva relacionada a um fundo imobiliário vinculado a uma operação estruturada da Neo Química Arena. De acordo com o documento, há o registro de R$ 96 milhões como investimento nesse fundo, mas a auditoria apontaria insuficiência de informações sobre o tema.
“Esse valor que o clube registrou como investimento no fundo imobiliário não foi representado corretamente na contabilidade, o verdadeiro valor do ativo ligado a operação do estádio NEOQUÍMICA ARENA não restou consignado ou traduzido no documento fiscal. Houve ERRO CONTÁBIL RELEVANTE e DISTORÇÃO DA REALIDADE FINANCEIRA com consequente maquiagem contábil. O valor lançado na contabilidade, conforme auditoria, não reflete a realidade econômica daquela operação e, isso, cá entre nós, dá azo a responsabilidade por gestão temerária, pois revela desvio de finalidade na direção da organização”, diz o promotor no texto.
Conserino descreve ainda o momento administrativo do clube como um “cenário administrativo caótico”, que, segundo ele, se agrava de forma acelerada. Entre os fatores citados está a dívida estimada em R$ 3 bilhões, apontada como elemento crítico que não teria sido devidamente considerado nas decisões internas.
O promotor também questiona o processo de aprovação das contas, ocorrido em meados de abril. Ele aponta possíveis irregularidades, como a participação de Haroldo José Dantas da Silva, que, apesar de estar afastado pela Comissão de Ética por conflito de interesses — já que atua como advogado pessoal do presidente Osmar Stábile —, conduziu a reunião.
Além disso, o documento menciona “vício de quórum” e “desprezo por pareceres técnicos”, destacando que a Comissão de Finanças havia recomendado a rejeição das contas. Outro ponto levantado é a ocorrência de “pedalada contábil”, sob a alegação de que o clube teria antecipado, de forma indevida, efeitos de uma transação tributária firmada apenas em fevereiro de 2026 para o exercício de 2025, no valor aproximado de R$ 200 milhões, com o objetivo de melhorar artificialmente o resultado financeiro, em desacordo com o regime de competência.