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Política

José Dias aponta desgaste da esquerda

Deputado do PL afirmou que há enfraquecimento da esquerda no Brasil e fez críticas ao governo federal e estadual
Por O Correio de Hoje
29/04/2026 | 16:33

O deputado estadual José Dias (PL) afirmou, durante sessão ordinária da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, que há um processo de enfraquecimento da esquerda no Brasil, no mundo e também no Nordeste, ao mesmo tempo em que fez críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), à atuação do Estado e à situação da saúde pública no RN.

No discurso, o parlamentar disse que o País vive “tempos conturbados” e recorreu a ditados populares para ilustrar o momento. “Não há nada que esteja tão ruim que não possa piorar”, afirmou, acrescentando em seguida que se apega à ideia de que “não há mal que sempre dure”. Segundo ele, esse cenário estaria mudando. “Parece que a coisa está caminhando nesse sentido no mundo inteiro. E não é possível que não chegasse aqui no Brasil. E está chegando”, declarou.

José Dias foto João Gilberto ALRN Copia
Deputado estadual José Dias (PL) - Foto: João Gilberto / ALRN

José Dias direcionou críticas amplas à esquerda, associando-a ao que classificou como um projeto de transformação cultural. “Essa tentativa de destruição completa da nossa tradição, da nossa civilização, dos nossos costumes, da nossa família, enfim, da nossa pátria”, disse.

O deputado também fez ataques ao presidente Lula, afirmando que suas declarações públicas demonstrariam desconexão com a realidade. “As palavras totalmente demonstrativas de uma mente perturbada, que veio para a presidência com aquele instinto que ele disse, de vingança”, afirmou. Para o parlamentar, o cenário atual indicaria perda de força desse campo político. “A coisa parece até que está de ladeira abaixo”, disse.

Durante a fala, José Dias citou um episódio ocorrido em Presidente Prudente, envolvendo a retirada de uma placa com a palavra “ladrão” da fachada de um apartamento. Segundo ele, agentes da Polícia Federal teriam sido mobilizados para retirar o material sob a justificativa de que a mensagem seria ofensiva ao presidente da República. O deputado questionou a interpretação. “Se a placa tem apenas o nome ‘ladrão’, sem referência a ninguém, e se mobiliza o aparato policial do país para tirar essa placa, sob alegação de que isso é uma ofensa ao presidente da República, onde é que nós estamos?”, afirmou.

Para ele, o episódio revela uma associação feita pelo próprio Estado. “Isso foi uma demonstração para todo o País de que eles estão associando o nome à pessoa do presidente da República”, disse, comparando a situação a práticas de períodos autoritários.

O parlamentar também abordou a realidade socioeconômica do Nordeste, defendendo que a região tem sido mantida em condição de dependência. Ele citou municípios onde o número de beneficiários de programas sociais supera o de trabalhadores com carteira assinada.

“Uma região em que, em alguns municípios, as pessoas que recebem benefício do governo são mais numerosas do que as pessoas que têm carteira assinada, é muito triste”, afirmou. Para José Dias, esse modelo não é casual. “É sufocar, achatar, dominar as pessoas para poder dar uma migalha e comprar a alma”, declarou.

No plano estadual, o deputado criticou a situação da saúde pública e destacou a paralisação de médicos que prestam serviços terceirizados ao governo. “Os médicos que recebem do governo para serviços terceirizados estão em greve”, afirmou, acrescentando que “existem atrasos do ano passado, meados do ano passado”. Ele ironizou a situação ao mencionar a “matemática de Dilma”. “São dois anos atrasados, 2025 e 2026”, disse. Para o parlamentar, o cenário revela a gravidade da crise. “Olha o quadro que nós estamos vivendo, olha a situação que nós estamos passando”, afirmou.

Na parte final do discurso, José Dias fez um apelo direto ao eleitorado, associando o cenário político às eleições. “Vamos votar correto dessa vez?”, questionou. O deputado concluiu defendendo uma mudança no comando político do país e do estado. “Vamos salvar a nossa pátria? Vamos salvar o nosso Estado?”, declarou.