O Rio Grande do Norte tem atualmente 47.076 pessoas que aguardam por uma cirurgia no Sistema Único de Saúde (SUS), segundo dados do Regula Cirurgia da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap). O número foi verificado em consulta realizada na última segunda-feira 20. O crescimento da fila ocorre, de acordo com a Sesap, porque a secretaria passou a concentrar em um único sistema de regulação listas antes dispersas em hospitais prestadores de serviços e secretarias municipais de saúde.
A pasta implantou, na atual gestão, um sistema unificado de regulação e controle de cirurgias eletivas, ferramenta que permite maior transparência e planejamento. A fila de cirurgias no Estado cresceu mais de 70% em três anos: saiu de 27.492 pessoas, em maio de 2023, para 47.076 em 2026. De acordo com a secretaria, o aumento reflete uma demanda reprimida que já existia, mas não era contabilizada de forma consolidada.

Entre os procedimentos com maior demanda, o tratamento cirúrgico de varizes lidera a fila, com 3.300 pessoas aguardando. Em seguida aparece a colecistectomia (cirurgia para retirada da vesícula biliar), com 2.815 pacientes à espera. A histeroscopia, exame utilizado para avaliar o interior do útero, ocupa a terceira posição, com 2.147 solicitações registradas.
Os municípios com maior número de pacientes na fila são Natal, com 8.832 pessoas, seguido por Parnamirim, com 2.180, e Macaíba, com 1.876. Na sequência aparecem Mossoró (1.541) e Ceará-Mirim (1.383).
Desde 2023, a Sesap realizou o cadastramento de listas cirúrgicas de áreas como neurocirurgia, cardíaca, bariátrica, CPRE (Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica), radiologia intervencionista, oftalmologia e ortopedia. Apenas na oftalmologia, por exemplo, foram inseridos 3,7 mil pacientes.
A secretaria afirma que a unificação das listas e a extinção de cadastros paralelos explicam o crescimento acentuado da fila. Segundo a pasta, trata-se de uma demanda já existente, cuja dimensão real passou a ser conhecida a partir da consolidação dos dados em uma única plataforma. Ainda estão previstas inserções de listas de ortopedia, cardiologia e especialidades pediátricas.
A Sesap destaca que, em 2025, ultrapassou a marca de 500 mil cirurgias eletivas realizadas nos últimos sete anos. Entre 2019 e o ano passado, foram registrados 506.798 procedimentos, com base em dados do Ministério da Saúde.
Entre os principais procedimentos realizados estão os ortopédicos, que passaram a ser feitos também no interior do estado. Em 2025, a linha de cuidado da ortopedia ultrapassou 100 mil cirurgias. Foram 107.157 procedimentos realizados em cinco anos, segundo a secretaria.
De acordo com a gestão estadual, os investimentos em hospitais regionais desde 2019 ampliaram a capacidade de realização de cirurgias fora da capital, reduzindo a pressão sobre unidades de Natal e da Região Metropolitana.
A secretária-adjunta de Saúde do Estado, Leidiane Queiroz, afirma que a centralização das informações em uma única plataforma permite maior controle e transparência. “Isso evita, por exemplo, que um paciente esteja em uma fila aguardando por um procedimento sem levarmos em conta sua eventual prioridade diante da existência de mais de uma lista. Quando a gente insere esse paciente, o próximo passo é verificar a condição atual dele, e se for o caso reposicioná-lo na fila em função do quadro, ou o tempo que aguardava pelo atendimento. Nos deparamos com situações de cadastros municipais, por exemplo, que só tem o primeiro nome da pessoa, e uma referência à qual família ela pertence. Ou seja, por falha de dados simples essa pessoa corria o risco de permanecer por muito tempo em espera”, explicou.
A implantação do sistema unificado de regulação é apontada pela Sesap como uma das medidas para reduzir o tempo de espera. Em paralelo, o Governo do Estado afirma ter ampliado equipes, contratado serviços, investido em estruturas e adquirido equipamentos, além de interiorizar atendimentos em hospitais regionais que, até 2019, não possuíam condições para realizar cirurgias em diversas especialidades.