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Política

Cadu nega que Fátima ‘só pagou folha’: ‘RN avançou em tudo’

Cadu Xavier, fez uma consistente defesa da gestão da governadora Fátima Bezerra (PT) durante entrevista ao programa Radar 95, da rádio 95 FM
Por O Correio de Hoje
20/04/2026 | 16:48

O pré-candidato do PT ao Governo do Rio Grande do Norte, Cadu Xavier, fez uma consistente defesa da gestão da governadora Fátima Bezerra (PT) durante entrevista ao programa Radar 95, da rádio 95 FM. Ex-secretário estadual da Fazenda, Cadu rebateu a narrativa de que o governo “só pagou a folha” e listou realizações em áreas como segurança pública, saúde, educação, infraestrutura rodoviária e desenvolvimento econômico.

“A gente tem uma verdadeira revolução do ponto de vista da segurança pública”, afirmou. O pré-candidato destacou que o Rio Grande do Norte, antes o estado mais violento do Brasil, hoje figura entre os quatro mais seguros do País. Natal, que era a capital mais violenta do Nordeste, tornou-se a mais segura da região, apontou Cadu. “Não sou eu que estou dizendo, não. São os órgãos e institutos que acompanham indicadores públicos que colocam isso.”

Cadú Xavier (3)
Pré-candidato ao governo Cadu Xavier faz defesa do legado de Fátima Bezerra Foto: José Aldenir / O Correio de Hoje

Para sustentar o argumento, Cadu citou números: mais de cinco mil novos agentes de segurança foram contratados e estão nas ruas, com viaturas novas, armamentos e equipamentos modernizados. “Eu desafio tirar uma foto e mandar de uma viatura velha da Polícia Militar.”

Na área da saúde, o pré-candidato admitiu que ainda há muitos desafios, mas enumerou avanços. Ele enfatizou que a regionalização da saúde duplicou a quantidade de leitos de UTI disponíveis em relação ao governo anterior. Cirurgias eletivas passaram a ser realizadas nos hospitais regionais, não apenas em Natal.

Cadu citou especificamente o Hospital da Mulher em Mossoró, inaugurado e em pleno funcionamento, e fez uma crítica ao ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (PL), adversário na disputa. “O ex-prefeito de Natal fala muito do hospital municipal que ele inaugurou e não está funcionando. Eu estive lá um dia desses, está fechado. Nós fizemos, inauguramos e está em pleno funcionamento o Hospital da Mulher em Mossoró.” Ele anunciou ainda a construção do Hospital Metropolitano de Natal, em Parnamirim, em parceria com o Governo Federal

Na infraestrutura rodoviária, Cadu afirmou que a gestão de Fátima Bezerra está executando o maior programa de recuperação de rodovias da história do Estado, com mais de 2 mil quilômetros sendo recuperados. Citou também a duplicação da BR-304 e fez um convite direto aos críticos. “Aquele que fala que a gente só paga salário, que o Estado está quebrado, precisa fazer a viagem para Mossoró e ver com os próprios olhos o ritmo que está a obra da duplicação da BR-304.

Na educação, o pré-candidato reconheceu os desafios, mas destacou que o Estado tem hoje o triplo de alunos na rede integral em comparação ao governo anterior. Mais de 100 escolas estão sendo reformadas e 10 Instituto Estadual de Educação Profissional (Ierns) foram entregues à população. Todas as escolas estaduais estão conectadas à internet, com Wi-Fi e Chromebooks – 29 mil equipamentos foram entregues aos estudantes da rede pública.

Na agricultura familiar, Cadu citou um programa que faz compras da produção local. “A gente que está em Natal não consegue vislumbrar o impacto disso na vida do homem e da mulher do campo.” Na área de desenvolvimento econômico, Cadu foi enfático: nos últimos sete anos, nenhuma empresa deixou o Rio Grande do Norte para se instalar na Paraíba, no Ceará ou em Pernambuco. “Hoje as condições de incentivos fiscais aqui do Estado são as melhores do Nordeste.”

Ao final da defesa, o pré-candidato resumiu: “Qualquer área que a gente comparar o Rio Grande do Norte de hoje com o Rio Grande do Norte de antes, a gente tem avanço.”

Disputa eleitoral

Sobre a definição do nome para vice-governador, Cadu afirmou que está sendo tratada com “tranquilidade” e “cautela”. Segundo ele, o período de filiações foi finalizado com sucesso, com uma nominata forte da federação (PT, PV, PCdoB) e dos partidos aliados PSB e PDT. “O que não falta são nomes. A gente tem excelentes nomes, excelentes quadros.”

Ele listou três predicados para a escolha: potencial eleitoral, contribuição programática e, o principal, “credibilidade, confiança e lealdade”. “A gente quer um nome que esteja junto conosco no período eleitoral, mas que esteja junto com a gente também durante a gestão, porque a gente vai vencer essas eleições.” Cadu revelou ainda que há “uma carta na manga” e que existe possibilidade de novas alianças antes da convenção. “Até a data da convenção, muita coisa pode acontecer.”

Cadu também celebrou o crescimento nas pesquisas e disse que isso se deve ao planejamento e ao fato de seu nome ser de um “quadro técnico” que nunca disputou um pleito eleitoral. “Era natural um desconhecimento do meu nome. A gente já vem trabalhando nessa pré-candidatura há um ano, colocando meu nome à disposição. É natural que as pessoas passem a me conhecer e me vinculem também ao presidente Lula e à governadora Fátima.”

Sobre o tom mais crítico aos adversários que adotou recentemente, o pré-candidato disse que o “enfrentamento faz parte da política”. “Nós defendemos um lado, nós defendemos o legado do governo da professora Fátima. A oposição aponta o dedo para a nossa administração, e a gente também vai apontar e tem apontado para os telhados de vidro que não são poucos dos meus adversários.”

Cadu avaliou que a disputa de 2026 será uma eleição de comparação de modos de governo, de administrações, de entregas e de jeitos de governar. Também será, inevitavelmente, uma comparação de campos políticos. “Nós somos o time de Lula, nós somos o campo democrático, o campo que defende o fim da escala 6 por 1, a gente defende a valorização do trabalho.”
Sobre os adversários, ele afirmou: “Tem dois candidatos. Um que já definiu que apoia o candidato da extrema direita à Presidência, Flávio Bolsonaro, e o outro que também é desse campo político, mas tem vergonha de assumir, não se posiciona porque tem medo de perder peso eleitoral.”

Cadu adiantou que seu plano de governo está sendo coordenado pela controladora-geral do Estado, Luciana Daltro. O documento, de acordo com ele, será construído com diálogo com a academia, o setor empresarial e os movimentos sociais. O objetivo é ter um programa “factível”, não uma “peça de marketing”. Os três eixos principais são: desenvolvimento com geração de emprego e renda (incluindo melhoria da infraestrutura portuária, hoje um gargalo); avanço nas políticas públicas de segurança, saúde e educação; e sustentabilidade fiscal.

Na segurança, ele defende combate ao crime organizado “com força, com veemência, mas sem operações com carnificina”. Na educação, a meta é chegar ao “analfabetismo zero” no Estado, em coordenação com os municípios. Sobre as finanças estaduais, Cadu defendeu a política salarial criada no governo Fátima, que limita o crescimento da folha a 80% do crescimento da Receita Corrente Líquida.

Ele falou, ainda, que o objetivo é “reduzir o comprometimento da despesa com pessoal para ampliar a capacidade de investimento, para que a gente possa investir cada vez mais em infraestrutura, em políticas públicas para desenvolver o nosso estado.”

Em relação à disputa para o Senado, Cadu comentou o rompimento da senadora Zenaide Maia (PSD), que decidiu apoiar a candidatura de Allyson Bezerra (União). “Zenaide escolheu outro caminho, e a gente tem que respeitar a decisão dela. Ela seguiu para um palanque de oposição, e a gente está com o nosso time de Lula forte aqui no Estado.”

O pré-candidato do PT afirmou que, com isso, o partido terá a vereadora de Natal Samanda Alves como candidata a uma das vagas. O segundo nome deverá vir do PDT, que faz um debate interno para escolher entre o ex-deputado federal Rafael Motta e o ex-senador Jean Paul Prates. “Dois excelentes quadros, cada um com seus predicados. Jean Paul teve uma relevante participação na cadeia da energia renovável aqui no nosso estado. Rafael, ex-deputado federal, contribuiu muito para a pauta progressista no Brasil. Qualquer um dos dois, a gente vai estar muito bem representado.”