A crise da educação pública no Rio Grande do Norte foi apontada pelo vereador e pré-candidato a deputado estadual Leo Souza (PSDB) como um dos principais entraves ao desenvolvimento do Estado. Em entrevista à rádio Mix FM, ele afirmou que o ensino local não acompanha as transformações globais e enfrenta problemas estruturais graves, como a falta de professores e a baixa qualidade da aprendizagem.
“Se você parar para olhar o desafio que é, vou falar aqui do que não aprende em matemática. Feliz é quem tem um professor de matemática na rede pública. É muito difícil”, declarou. Para Leo, a deficiência na formação básica compromete a competitividade dos jovens potiguares em um cenário cada vez mais exigente.

O diagnóstico encontra respaldo nos indicadores educacionais do próprio Estado. Dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) mostram que apenas 25,9% das crianças do Rio Grande do Norte estão alfabetizadas na idade adequada, o segundo pior índice do País e bem abaixo da média nacional de 49,3%. Mesmo em levantamentos mais recentes, o percentual permanece baixo, variando entre cerca de 37% e 39%.
O vereador estabeleceu um contraste direto entre essa realidade e o avanço tecnológico global. “Enquanto o mundo está falando de cultura maker, de robótica, de inteligência artificial… você chega numa rede pública, o professor tem o desafio de permanecer na sala de aula, de ter professor na sala de aula”, afirmou. Segundo ele, a dificuldade não está apenas na qualidade do ensino, mas na própria presença de profissionais em sala.
Os dados de desempenho educacional reforçam esse cenário. No ensino médio, o Rio Grande do Norte registra nota de 3,2 no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), um dos piores resultados do País. Já nas etapas anteriores, o Estado também aparece entre as últimas posições nacionais, evidenciando um problema persistente ao longo de todo o ciclo educacional.
Ao ampliar a análise, Leo destacou o impacto dessa defasagem no futuro dos estudantes. “É difícil você estar conectado com tudo isso que está acontecendo, sabendo que o cara que nasce aqui compete com gente do mundo todo, e com o desafio que é de ser de onde a gente é”, disse. A fala reforça a percepção de desigualdade estrutural enfrentada por alunos da rede pública.
Além dos indicadores de desempenho, o Estado ainda convive com níveis elevados de analfabetismo. Segundo dados recentes do IBGE, cerca de 10,4% da população potiguar com 15 anos ou mais não sabe ler nem escrever, percentual acima da média nacional. O dado evidencia que o problema não se limita à educação básica atual, mas também carrega um passivo histórico.
mbém trouxe um recorte pessoal para ilustrar o impacto da educação. “Isso faz parte da minha vida. Eu sou fruto da educação que deu certo”, afirmou. Filho de professora e neto de uma empregada doméstica, ele destacou que a educação foi determinante para a mobilidade social da família. “Foi graças à minha mãe ser professora que a gente pôde ter mobilidade social na família da gente. A educação mudou o curso natural da família.”
O vereador ampliou a análise ao apontar um problema geracional no Estado, especialmente entre jovens de classe média. “A gente é uma geração que tem desistido desse Estado, que tem ido embora”, disse. Segundo ele, muitos não enxergam perspectivas de crescimento no Rio Grande do Norte.

“Eu tenho amigos que me questionam: você é maluco? Como é que você deixa de estar trabalhando no Rio de Janeiro para voltar para o Rio Grande do Norte? Aqui, quem quer crescer é boicotado.” Para Leo, esse cenário está diretamente ligado à fragilidade estrutural da educação e às limitações do ambiente local.
Ao criticar o debate político, ele afirmou que a educação é frequentemente tratada de forma superficial. “Quem é o candidato que não disse que vai melhorar a educação?”, questionou. Em seguida, classificou o problema como histórico e estrutural. “É a ferida nossa.”
Na avaliação do parlamentar, embora a saúde seja hoje a área mais sensível, a educação está na raiz de diversos problemas enfrentados pelo Estado. “Eu não tenho dúvida que a saúde hoje é o maior problema do Estado, é a coisa mais sensível. Mas a educação é a razão de tantas outras coisas que a gente vive aqui.” Ele defendeu a necessidade de soluções concretas. “Falar do problema é muito confortável. Todo mundo fala. Agora a gente tem que propor solução.”
O diagnóstico se estende ao cenário econômico. Para o vereador, o Estado enfrenta desequilíbrio fiscal e baixa capacidade de investimento. “É uma dívida muito maior do que o que arrecada”, afirmou. Segundo ele, o próximo governo terá de enfrentar reformas difíceis e um período inicial de impopularidade. “Não tem condição de ser um governo popular. Vai ter que enfrentar o óbvio.”
Ele também criticou o ambiente de negócios no Rio Grande do Norte, comparando-o a estados vizinhos. “Na Paraíba, em 72 horas você resolve um licenciamento. Aqui, tem gente há 72 meses esperando”, disse. Para Leo, a burocracia, a estrutura engessada e a falta de mão de obra em órgãos públicos afastam investimentos e limitam o crescimento econômico.
Apesar das críticas, o vereador reconheceu o potencial do Estado. “É um Estado que tem um potencial incrível, mas que infelizmente ainda está adormecido, atrasado”, afirmou. Ao comparar com a Paraíba, destacou a perda de competitividade. “A Paraíba não só deu o grande salto, como deu duas voltas na gente.”
Por fim, Leo chamou atenção para o momento global de transformação tecnológica. “A gente está vivendo um momento muito incrível da humanidade, de avanços nunca vistos antes”, disse, citando a inteligência artificial como exemplo. Para ele, o Rio Grande do Norte precisa se inserir nesse contexto. “A gente não pode ficar na idade da pedra aqui no Estado.”