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Saúde

Diagnóstico de autismo em adultos cresce com avanço na identificação do transtorno

Aumento está ligado a mudanças nos critérios, mais informação e maior acesso a serviços de saúde
Potr O Correio de Hoje
02/04/2026 | 14:40

O número de diagnósticos de transtorno do espectro autista (TEA) em adultos tem aumentado de forma significativa nos últimos anos. Especialistas apontam que esse crescimento não está necessariamente ligado a um aumento real da incidência, mas sim a avanços na capacidade de identificação, mudanças nos critérios diagnósticos e maior acesso à informação.

Pesquisas recentes indicam que o fenômeno é global. Um levantamento realizado nos Estados Unidos mostrou que, entre 2011 e 2022, houve aumento expressivo no número de diagnósticos entre adultos jovens, especialmente na faixa dos 26 aos 34 anos. Já estimativas publicadas na revista científica The Lancet Psychiatry indicam que cerca de uma em cada 127 pessoas está dentro do espectro autista, número superior ao registrado em anos anteriores.

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Aumento de diagnósticos de autismo em adultos é ligado ao maior acesso à informação - Foto: Freepik

Especialistas ressaltam que o crescimento nos números não deve ser interpretado como uma “explosão” de casos, mas sim como reflexo de um sistema de saúde mais preparado para reconhecer o transtorno.

A ampliação do conhecimento sobre o autismo, aliada à revisão de critérios diagnósticos e à redução do estigma, tem permitido que pessoas que passaram a vida sem diagnóstico finalmente encontrem explicações para suas experiências.

Historicamente, o autismo foi associado a quadros mais evidentes, geralmente identificados na infância. No entanto, hoje se sabe que o espectro é amplo e inclui indivíduos com níveis variados de suporte, muitos dos quais conseguem desenvolver estratégias para lidar com as dificuldades ao longo da vida — o que pode atrasar o reconhecimento do transtorno.

Receber o diagnóstico de autismo na vida adulta pode representar um momento de transformação. Para muitos, é a oportunidade de reinterpretar vivências passadas, compreender dificuldades sociais e emocionais e acessar suporte adequado.

Relatos apontam que o diagnóstico pode trazer sentimentos ambíguos: ao mesmo tempo em que há alívio por entender a própria trajetória, também pode haver um período de luto por experiências que poderiam ter sido diferentes com um acompanhamento mais precoce.

Ainda assim, especialistas destacam que o diagnóstico tardio permite que o indivíduo desenvolva novas estratégias, busque tratamentos e melhore sua qualidade de vida, mesmo após anos sem identificação.

A evolução dos manuais diagnósticos também teve papel importante nesse cenário. Com a unificação de diferentes condições sob o termo transtorno do espectro autista, houve uma ampliação da compreensão sobre as diversas formas de manifestação do transtorno.

Essa mudança permitiu reconhecer perfis que antes não eram enquadrados como autismo, especialmente aqueles com sintomas mais sutis ou que desenvolveram mecanismos de adaptação ao longo da vida.

Além disso, o avanço das pesquisas em neurodesenvolvimento tem contribuído para uma visão mais precisa e menos estigmatizada do TEA, reforçando a importância de um diagnóstico individualizado.

O aumento da circulação de informações, especialmente na internet, também tem papel relevante. Muitas pessoas passam a reconhecer sinais em si mesmas ou em familiares após contato com conteúdos educativos, o que leva à busca por avaliação profissional.

Ao mesmo tempo, a ampliação do acesso a serviços de saúde mental e a formação de profissionais mais preparados têm contribuído para reduzir o tempo entre a suspeita e o diagnóstico.

Apesar dos avanços, ainda existem desafios importantes. O acesso ao diagnóstico continua desigual, especialmente em regiões com menor oferta de serviços especializados. Além disso, o preconceito e a falta de informação ainda são barreiras para muitas pessoas.

Especialistas defendem a ampliação de políticas públicas voltadas à saúde mental e ao diagnóstico precoce, além de campanhas de conscientização que ajudem a reduzir estigmas e ampliar o entendimento sobre o autismo. O crescimento dos diagnósticos tardios reflete, acima de tudo, uma mudança de perspectiva.