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Crítica

Erika Hilton critica ‘discursos odiosos’ em debate sobre comissão

Deputada afirma que debate foi desviado de políticas públicas e anuncia foco em pautas da comissão
Por O Correio de Hoje
31/03/2026 | 16:00

A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) afirmou que as críticas à sua escolha para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher foram influenciadas por “discursos odiosos” e desviaram o foco do debate sobre políticas públicas. A declaração foi feita nesta segunda-feira 30, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura.

Segundo a parlamentar, a repercussão negativa após sua eleição, em 11 de março, prejudicou a discussão de temas relevantes. “Tentaram transformar em uma distração o que de fato era importante para a Comissão da Mulher”, disse. Ela acrescentou que o debate foi desviado do conteúdo para questionamentos pessoais. “Um debate que poderia ser muito produtivo, do ponto de vista ‘do que esta deputada tem de políticas públicas para as mulheres? Qual a contribuição da deputada para a defesa dos direitos das mulheres?’, foi completamente contaminado por um discurso odioso, que, talvez por eu ser uma mulher trans, eu fosse menos mulher e menos capaz”, afirmou.

Erika Hilton Foto Lula Marques
Segundo deputada do Psol, repercussão negativa após sua eleição prejudicou discussão de temas relevantes - Foto: Lula Marques

A nomeação gerou reação de parlamentares da oposição e também de figuras públicas. O apresentador Ratinho criticou a escolha durante seu programa no SBT, afirmando que “não tem nada contra” a deputada, mas classificando a decisão como “injusta”. Ele também declarou: “Será que ela entende dos problemas e desafios de uma pessoa que nasceu mulher? Não é fácil ser mulher. E se fosse ao contrário?”. Em outro momento, acrescentou: “Temos que ter inclusão, mas não vamos exagerar”.

A empresária Silvia Abravanel (PSD), filha de Silvio Santos e pré-candidata a deputada federal, afirmou que considerou “normal” a posição do apresentador. “Eu acho que não foi um crime o que ele fez, que ele não ofendeu a dignidade nem a moral dela. Como ela é uma pessoa que está aberta, está na política, aberta para a televisão, ela tem que aceitar também as críticas que vêm de qualquer pessoa”, disse em entrevista ao portal Metrópoles.

Erika afirmou que pretende manter o foco nas pautas da comissão. “Nosso desafio vai ser não permitir que essa onda horrorosa que se levantou, de mentiras, desinformação, ódio e ataques pessoais possam continuar a protagonizar”, disse. Ela acrescentou que a prioridade deve ser a resposta a problemas concretos. “As mulheres brasileiras esperam respostas contundentes diante do aumento do feminicídio, dos casos de estupro e dos debates misóginos”, afirmou.

A deputada protocolou representação no Ministério Público de São Paulo (MP-SP) contra Ratinho, pedindo investigação por possíveis crimes de transfobia, violência política de gênero e injúria transfóbica.

Mesmo após a repercussão, o apresentador manteve o posicionamento. “Eu não vou mudar o meu jeito de ser para agradar quem quer que seja”, declarou.

A eleição de Erika Hilton para a presidência da comissão foi marcada por votos em branco de deputadas da oposição. Após a primeira sessão sob seu comando, o grupo anunciou que pretende apresentar recurso para tentar anular o resultado, além de uma representação no Conselho de Ética da Câmara.