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Saúde Mental

Meninas relatam mais tristeza e vulnerabilidade emocional que meninos

Dados do IBGE mostram diferença persistente entre os gêneros e indicam maior vulnerabilidade emocional entre adolescentes
Por O Correio de Hoje
26/03/2026 | 14:40

Um levantamento recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela um cenário preocupante sobre a saúde mental de adolescentes no Brasil. De acordo com os dados, o número de meninas que afirmam se sentir tristes com frequência é aproximadamente o dobro do registrado entre meninos, evidenciando uma desigualdade significativa no bem-estar emocional entre os gêneros ainda na juventude.

A pesquisa, baseada na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), mostra que os sentimentos de tristeza persistente têm se tornado cada vez mais comuns entre estudantes, especialmente entre adolescentes do sexo feminino. Os dados indicam que essa diferença não é pontual, mas sim um padrão consistente que se repete ao longo dos anos, reforçando a necessidade de atenção específica a esse grupo.

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Meninas sentem menos vontade de viver, segundo nova pesquisa - Foto: Freepik

Entre os fatores associados a esse quadro, especialistas apontam pressões sociais, padrões estéticos, exposição intensa nas redes sociais e desigualdades estruturais como elementos que afetam de maneira mais intensa as meninas. Questões relacionadas à autoimagem, ao corpo e à aceitação social aparecem como pontos sensíveis, contribuindo para o aumento de sentimentos negativos e de insegurança.

O levantamento também mostra que meninas apresentam maior preocupação com aspectos do cotidiano e maior insatisfação com o próprio corpo em comparação aos meninos. Além disso, elas relatam com mais frequência sentimentos de solidão e a percepção de que ninguém se importa com elas. Esse conjunto de fatores contribui para um cenário de maior vulnerabilidade emocional.

Outro dado relevante diz respeito à percepção sobre o valor da própria vida. A proporção de adolescentes que afirmam sentir que a vida não vale a pena ser vivida é mais elevada entre meninas, indicando um nível mais profundo de sofrimento psíquico. Esse dado acende um alerta para a necessidade de políticas públicas voltadas à saúde mental de jovens, especialmente no ambiente escolar.

Apesar desse cenário, a pesquisa também aponta mudanças no comportamento dos adolescentes em outros aspectos. Houve redução no consumo de álcool, cigarro e drogas em relação a anos anteriores. No entanto, cresce o uso de cigarros eletrônicos, o que demonstra uma mudança no padrão de consumo, e não necessariamente uma diminuição dos riscos.

Especialistas destacam que o ambiente escolar pode desempenhar um papel central na identificação precoce desses sinais e no apoio aos estudantes. A presença de profissionais capacitados, como psicólogos e orientadores, além de ações educativas, pode contribuir para reduzir os impactos negativos e promover um ambiente mais acolhedor.

Os dados reforçam a importância de ampliar o debate sobre saúde mental entre adolescentes, considerando recortes de gênero e as transformações sociais que influenciam o cotidiano dos jovens. A compreensão dessas diferenças é fundamental para o desenvolvimento de estratégias eficazes de prevenção e cuidado.