Um júri do Tribunal Superior da Califórnia, em Los Angeles, decidiu nesta quarta-feira 25 que as plataformas Meta e YouTube contribuíram para prejuízos à saúde mental de uma jovem usuária, ao oferecerem produtos considerados altamente viciantes. A sentença, considerada um marco, pode influenciar uma série de processos semelhantes contra empresas de tecnologia.
O julgamento teve início no mês passado e o júri levou mais de uma semana para chegar ao veredicto. Pela decisão, as duas empresas deverão pagar cerca de US$ 3 milhões por danos morais e prejuízos financeiros. A Meta ficará responsável por 70% do valor, enquanto o YouTube responderá pelo restante.

Em resposta, um porta-voz da Meta informou que a empresa “discorda respeitosamente do veredicto” e avalia medidas jurídicas. Já o YouTube não se manifestou até o momento.
A ação foi movida por uma jovem de 20 anos, identificada como KGM, que alegou ter desenvolvido problemas como ansiedade e depressão em decorrência do uso intensivo das plataformas. Segundo a acusação, mecanismos como rolagem infinita e sistemas de recomendação baseados em algoritmos teriam contribuído para tornar a experiência altamente viciante, comparável a produtos como cigarros ou jogos de azar.
O júri, formado por sete mulheres e cinco homens, ainda deverá analisar a aplicação de eventuais danos punitivos, que podem elevar o valor da indenização caso seja comprovada conduta dolosa ou fraudulenta por parte das empresas.
O caso integra um conjunto mais amplo de ações movidas por adolescentes, escolas e autoridades estaduais contra grandes plataformas digitais, incluindo também empresas como TikTok e Snap, dona do Snapchat. Essas duas companhias firmaram acordos com a autora antes do início do julgamento, em termos que não foram divulgados.