BUSCAR
BUSCAR
Lavagem de dinheiro

Ex-assessora de Flávio Bolsonaro é denunciada por lavar dinheiro ligado à milícia do filho

Mãe de Adriano da Nóbrega, apontado como líder do Escritório do Crime, teria movimentado milhões em esquema com jogo do bicho, segundo o MP
Redação
20/03/2026 | 13:52

O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou, nesta quinta-feira 20, Raimunda Veras Magalhães, ex-assessora do senador Flávio Bolsonaro, por suspeita de participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado à milícia comandada por seu filho, Adriano da Nóbrega, morto em 2020. As informações são do jornal O Globo.

De acordo com a investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Raimunda teria atuado na movimentação e ocultação de recursos provenientes da exploração do jogo do bicho em áreas controladas pelo grupo criminoso.

flavio
Ex-assessora de Flávio Bolsonaro é denunciada por suspeita de lavar dinheiro ligado à milícia comandada por seu filho, Adriano da Nóbrega Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

As apurações indicam que a atividade ilegal ocorria principalmente na Zona Sul do Rio de Janeiro, com destaque para Copacabana, em parceria com o bicheiro Bernardo Bello. Em pouco mais de um ano, as transações suspeitas teriam ultrapassado R$ 8,5 milhões.

A denúncia também envolve a viúva de Adriano, Julia Lotufo, apontada como responsável por negociar bens ligados ao miliciano, incluindo imóveis e propriedades rurais.

Raimunda trabalhou na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro a partir de 2015 e, no ano seguinte, passou a integrar o gabinete de Flávio Bolsonaro, então deputado estadual. Ela permaneceu no cargo até novembro de 2018.

O nome da ex-assessora já havia surgido em investigações anteriores sobre suposto esquema de “rachadinhas” no gabinete. Segundo o MP, ela e outras assessoras teriam repassado parte dos salários ao ex-assessor Fabrício Queiroz. O caso foi arquivado em 2021 após decisões do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal que anularam provas por questões processuais.

Na nova ofensiva, o MPRJ denunciou ao todo 19 pessoas e obteve dois mandados de prisão, além de seis de busca e apreensão. As investigações também apontam que bens avaliados em cerca de R$ 3,5 milhões, atribuídos ao grupo, teriam sido negociados com o deputado estadual Juninho do Pneu.

As acusações foram divididas em três frentes: lavagem de dinheiro oriunda do jogo do bicho, atuação de organização criminosa e ocultação de patrimônio.