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Fórmula 1

Regras da Fórmula 1 podem ter mudanças após GP da China

Reunião após o GP da China avaliará impacto do novo regulamento, especialmente na gestão de energia dos carros, após críticas de pilotos e primeiras evidências nas corridas iniciais
Por O Correio de Hoje
13/03/2026 | 15:59

A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) agendou uma reunião com as equipes da Fórmula 1 logo após o Grande Prêmio da China para discutir possíveis alterações nas regras técnicas introduzidas para a temporada de 2026. O encontro terá como objetivo avaliar os dados coletados nas primeiras etapas do campeonato e decidir se serão necessárias correções no regulamento.

Antes do início da temporada, a entidade havia informado que as primeiras corridas funcionariam como um período de observação para analisar o funcionamento das novas normas. A estreia em Melbourne, no circuito de Albert Park, serviu como o primeiro grande teste prático dos novos carros. A corrida foi vencida por George Russell, da Mercedes-AMG Petronas Formula One Team, e revelou tanto aspectos positivos quanto limitações da nova geração de monopostos.

F1 2026
Nova dinâmica ns regras técnicas gerou críticas entre alguns dos principais pilotos do grid - Foto: Reprodução

Um dos pontos mais debatidos tem sido o gerenciamento de energia. O regulamento de 2026 ampliou significativamente o papel da parte elétrica da unidade de potência. Agora, cerca de metade da potência total do carro é gerada pelo sistema elétrico, dividindo protagonismo com o motor a combustão.

A potência elétrica disponível praticamente triplicou em comparação com o ciclo técnico anterior. Com isso, as equipes passaram a enfrentar dificuldades para recuperar energia ao longo das voltas. A recarga normalmente ocorre durante as frenagens ou quando o piloto tira o pé do acelerador nas retas — técnica conhecida como lift and coast. Mesmo com essas estratégias, muitas equipes ainda não conseguem repor energia suficiente para manter o desempenho ideal durante toda a volta.

Outro fator que contribuiu para o cenário atual foi a retirada do sistema MGU-H do regulamento, uma medida adotada para simplificar as unidades de potência. A bateria, por sua vez, permaneceu praticamente inalterada em relação ao ciclo anterior. A combinação dessas mudanças criou desafios que ficaram evidentes em Albert Park, circuito considerado particularmente exigente no quesito recuperação de energia.

Um dos efeitos mais visíveis aparece nas retas. Em determinados momentos, a bateria se esgota antes do fim do trecho, fazendo o carro perder potência — fenômeno conhecido como superclipping. Durante a classificação, o problema se torna ainda mais evidente, já que o regulamento limita a quantidade de energia que pode ser recuperada, impedindo as equipes de utilizar todo o potencial do sistema MGU-K.

Nas corridas, há um pequeno alívio, pois os carros podem recuperar cerca de 1 megajoule adicional de energia. Ainda assim, o comportamento dos monopostos segue bastante condicionado pela gestão de bateria. No Grande Prêmio da Austrália foram registradas 120 ultrapassagens, muitas delas diretamente ligadas à diferença de energia disponível entre os carros.

Quando um piloto ativa o modo de ultrapassagem, consegue um ganho temporário de velocidade para superar um rival. Como a recuperação de energia ainda é limitada, o carro que está atrás e possui mais carga na bateria frequentemente consegue reagir de imediato e retomar a posição.

Essa dinâmica gerou críticas entre alguns dos principais pilotos do grid. O atual campeão mundial Lando Norris e o tetracampeão Max Verstappen classificaram a corrida como artificial. Verstappen e Charles Leclerc, da Scuderia Ferrari, chegaram a comparar algumas disputas ao jogo Mario Kart, no qual os personagens utilizam poderes para obter vantagem durante a prova.

Apesar das críticas, a FIA prefere evitar decisões precipitadas neste início de ciclo técnico. A entidade pretende reunir mais dados antes de promover qualquer alteração no regulamento.

A etapa em Xangai deve oferecer um cenário diferente para avaliação. O circuito chinês conta com uma reta longa e curvas de raio mais aberto, características que tendem a favorecer a recuperação de energia ao longo da volta. Por isso, a corrida é considerada um teste mais representativo para compreender o comportamento dos carros de 2026.

Na reunião marcada após o GP da China, FIA e equipes também deverão analisar os dados dos testes de pré-temporada realizados em Barcelona, na Espanha, e em Sakhir, no Bahrein, além das duas primeiras corridas do campeonato.

Entre as alternativas em discussão está a possibilidade de modificar o funcionamento do MGU-K, sistema responsável por recuperar energia nas frenagens. Uma das propostas prevê reduzir a potência de saída do sistema em determinados momentos da volta. Outra ideia é aumentar a eficiência do período de superclipping, permitindo recuperar mais energia mesmo quando o carro estiver em aceleração máxima.

Uma das propostas avaliadas prevê elevar o limite de recuperação para 350 quilowatts. A mudança poderia reduzir a necessidade constante do lift and coast e alterar a forma como os pilotos distribuem a energia ao longo das retas.

As mudanças técnicas também trouxeram dificuldades nas largadas. Durante os testes de pré-temporada, vários carros demoraram a acelerar quando as luzes se apagaram. Para contornar o problema, a FIA introduziu um novo procedimento já utilizado no GP da Austrália, concedendo aos pilotos cinco segundos extras no grid para aumentar a rotação do motor antes da largada.

Mesmo assim, alguns competidores relataram ter iniciado a corrida com pouca carga na bateria. Russell, vencedor em Melbourne, chegou a perder posição para Leclerc na largada antes de recuperar a liderança.

A situação também despertou preocupações relacionadas à segurança. Diferenças significativas de velocidade entre os carros podem aumentar o risco de acidentes. Norris alertou que variações de até 50 km/h entre monopostos podem gerar impactos perigosos, especialmente durante disputas nas retas.

A decisão sobre eventuais mudanças deve ser tomada após o GP da China, que também marcará a primeira corrida sprint da temporada. Caso a FIA conclua que ajustes são necessários, as alterações poderão ser implementadas já para o Grande Prêmio do Japão, no circuito de Suzuka, marcado para 29 de março.