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Entrevista
Voltar a investir em imóvel é questão de tempo, diz diretor do Sinduscon-RN
Para Marcus Aguiar, assim que a vacina predominar na sociedade e a indústria voltar ao estado de normalidade, a economia voltará a produzir
Marcelo Hollanda
25/01/2021 | 07:45

A pandemia pregou uma peça inesperada na economia. Ao mesmo tempo em que paralisou os canteiros de obra da construção civil, fez o número de pequenas obras de reforma e ampliação residenciais dispararem. Com a indústria parada, o resultado foi inevitável: alta generalizada nos preços do material de construção.

O aço que se usa nos perfis das edificações subiu 100% e o custo do cimento aumentou 40%, só para ficar nesses dois exemplos. O Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi), que mede o custo da construção por metro quadrado, acusou isso.

Em dezembro último, segundo o IBGE, só esse índice subiu mais de 10% , ou seja, R$ 1.276,40, sendo R$ 710,33 no custo com materiais de construção e R$ 566,07 no valor da mão de obra.

Para Marcus Aguiar, vice-presidente de Mercado Imobiliário do Sindicato da Construção no RN (Sinduscon), essa é a prova de que o mercado de compra e venda de imóveis já está na ante sala de uma recuperação histórica como a chegada da vacina contra o novo coronavírus.

Agora RN – Qual é o futuro do mercado imobiliário na pós-pandemia?
Marcus Aguiar
– Realmente, vivemos um ano atípico de aumento nos custos da construção civil, refletidos tanto no INCC (Índice Nacional da Construção Civil) quanto no Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil), em 2020. Logo no início da pandemia, em março, a previsão era de uma paralisação curta de 30 a 40 dias no máximo. Depois disso, o mercado voltaria ao normal. Indústrias, entre elas a automobilística, interromperam a produção, deram férias coletivas a seus empregados, esperando que a retomada viesse rapidamente. Só que não foi assim que aconteceu.

Agora RN – Como foi isso para a construção civil?
MA –
Igual para outros setores importantes da economia: a quarentena não foi suficiente para evitar a propagação do vírus, deteriorando a economia, até que o governo federal entrou com o auxílio emergencial de R$ 600 reais por CFF, atingindo 60 milhões de brasileiros, uma injeção gigantesca na economia. Além disso, o governo federal ajudou a estados e municípios, principalmente estados, numa transferência de recursos nunca vista no Brasil.

Agora RN – O que determinou exatamente a inflação dos materiais de construção, na sua opinião?
MA –
Sem dúvida, um dos fatores foi o advento do teletrabalho. Com as pessoas ficando mais tempo em casa, muitas resolveram fazer pequenas reformas e ampliações. Com os recursos transferidos pelo governo federal, houve uma corrida insana às lojas de material de construção, acionando a famosa lei da oferta e da procura. Isso ocasionou um choque entre a queda na produção e a alta da procura, aquecendo a demanda num momento de oferta reduzida. Isso se refletiu rapidamente nos índices do setor, lembrando que o INCC, como o IPCA, compõe uma cesta de produtos e não reflete necessariamente o aumento de itens essenciais para a construção.

Agora RN – Mas a construção civil sentiu mesmo assim?
MA –
Com certeza. Tivemos o aumento do ano passado que se refletiu agora em 2021 de 100% no aço e aumentos superiores a 30, 40% no cimento, na cerâmica e outros itens. Esperamos que 2021 as coisas normalizem, visto que essa demanda formiguinha das pequenas obras deve naturalmente diminuir.

Agora RN – E o preço dos insumos também deve cair em um futuro próximo?
MA –
Infelizmente, não há nenhuma possibilidade disso acontecer, em minha opinião, desses preços voltarem aos patamares anteriores. Até porque vários deles estavam defasados pelo baixo consumo. Isso tem a ver com a crise em que o mercado já estava metido nos quatro anos anteriores à pandemia.

Agora RN – E agora, como está a situação?
MA –
Numa análise geral de mercado, as construtoras já voltaram gradativamente aos lançamentos, fazendo a construção civil figurar entre aquelas que mais impulsionaram o PIB no ano passado.

Agora RN – Será também o comportamento das construtoras? Como ficarão os investimentos?
MA –
Certamente. Com a vacinação no caso do Brasil e a baixa taxa de juros, o investimento na produção, uma vez que não existem oportunidades em outras opções de mercado. A remuneração de muitos investimentos bancários caiu de 14% ao para algo ao redor de 2% ao ano. Esse dinheiro, em algum momento, voltará para a produção.

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