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Setembro Verde
Você sabe o significado do “capacitismo” e como ele afeta a vida das pessoas com deficiência?
Prática do capacitismo acontece por atitudes que julgam a capacidade, o valor e as potencialidades das pessoas com deficiência a partir do preconceito. Ivan Baron, digital influencer potiguar, fala como evitar esse discurso
Redação
16/09/2020 | 09:56

“Você é um guerreiro, menino. Faz tudo que um jovem normal faz”. A frase com tom de elogio esconde na verdade preconceito. E esse tipo de preconceito é chamado de capacitismo. Neste Setembro Verde, mês da campanha dedicada ao debate sobre a Inclusão das Pessoas com Deficiência, o assunto merece atenção.

O capacitismo é um tipo de discriminação decorrente da ideia equivocada de que pessoas com deficiência são inferiores a pessoas sem deficiência. Realidade que Ivan Baron, digital influencer potiguar, conhece bem. O jovem de 22 anos tem paralisia cerebral desde pequeno, quando uma meningite viral a trouxe como sequela.

Frases capacitistas passaram a ser parte de sua vida. “O capacitismo é algo tão enraizado na nossa sociedade que as pessoas cometem muitas vezes sem intenção. E o famoso discurso da superação é uma das formas que ele costuma se apresentar em nosso cotidiano. Esse tipo de discurso mostra a deficiência como algo limitante e que precisa ser superada”, conta.

Segundo Rafael Ribeiro, psicólogo e presidente do Conselho Regional de Psicologia do Rio Grande do Norte (CRP-RN) e pessoa com deficiência visual, a prática do capacitismo acontece por atitudes que julgam a capacidade, o valor e as potencialidades das pessoas com deficiência a partir do preconceito que elas seriam incapazes para executar determinadas atividades. “Essas condutas subjugam e impossibilita que pessoas com deficiência ocupem determinados espaços de direito. Violando, inclusive, o princípio da cidadania”, explica o especialista.

Ainda conforme Ribeiro, o discurso de superação apesar de se apresentar como benevolente, na realidade carrega uma dose de preconceito. “A sociedade tende a subjugar as pessoas com deficiência. Quando alguém com deficiência consegue “quebrar esses limites” automaticamente é associado a essa ideia de superação. Pensamento que está pressuposto de uma ideia de incapacidade”, afirma. “As conquistas e competências das pessoas com algum tipo de deficiência devem ser vistas como naturais”, completa.

Ivan Baron vai além e afirma que a  deficiência precisa deixar de ser vista como algo limitante ou que precise ser superada. “Ao executar tarefas comuns às pessoas com deficiência logo são vistas como “heroínas” ou “guerreiras”, mas essa mesma sociedade que nos enxerga como vencedoras e vencedores é a mesma que não liga para a falta de acessibilidade em locais públicos ou nem fazem questão de ter um amigo com deficiência por perto”, revela o jovem que tem se destacado nas redes sociais falando sobre inclusão.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) as pessoas com deficiência representam 6,7% da população do Brasil, ou seja, cerca de 14 milhões de brasileiros e apenas 4,7% das vias públicas possuem rampas de acessibilidade, por exemplo.

“Faltam guias em calçadas, estabelecimentos e até em prédios públicos. Um verdadeiro descaso. Merecemos  respeito e condições básicas para ir e vir”, afirma Baron.

Protagonismo

O jovem potiguar está conquistado as redes sociais com vídeos didáticos e divertidos sobre inclusão e conta com mais de 100 mil seguidores no TikTok. Para se ter ideia da representatividade de Ivan Baron nas redes sociais, o vídeo em que fala sobre as “3 Faces do capacitismo” foi compartilhado esta semana pela página “Quebrando o Tabu”, que no Facebook é seguida por mais de 10 milhões de pessoas.

No vídeo, Ivan explica em segundos como o conceito está enraizado na sociedade através do “discurso da superação”, da “vitimização” e da “visão médica ou de cura” e enfatiza que as pessoas com deficiência “não são coitadinhas” e querem ser protagonistas de suas histórias. Veja o vídeo!

Mês da Luta pela Inclusão

A ideia do Setembro Verde surgiu em 2015, quando a Federação das Apaes do Estado de São Paulo (FEAPAES/SP) em parceria com Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Valinhos (SP) instituíram a campanha. Ela tem como objetivo tornar o mês de setembro referência na luta pelos direitos e inclusão social da pessoa com deficiência. O mês foi escolhido em função da celebração do Dia da Luta Nacional das Pessoas com Deficiências em 21 de setembro. 

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