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Violência de gênero
Violência contra a mulher: jogador do Bragantino é condenado
Wesley Piontek, do Bragantino, foi sentenciado em 2019 por causar lesões corporais graves e ameaçar a até então companheira; quando interrogado o atleta diz ter "perdido a cabeça" por ciúmes
Redação
15/10/2020 | 20:05

Sem chamar muita atenção, no último domingo 11, o atacante Wesley Pionteck, do Bragantino, estreava na Série A do Campeonato Brasileiro de 2020. Contudo, em 8 de outubro, o jogador estava numa delegacia em Bragança Paulista após ser abordado por policiais que identificaram um mandado de prisão emitido contra o atacante.

Isso porque, em outubro de 2019, Wesley foi condenado a um ano e quatro meses em regime aberto por lesão corporal em violência doméstica, depois de agredir a sua então companheira. A defesa do jogador, à época, recorreu da decisão, mas a condenação foi mantida em segunda instância. A sentença já transitou em julgado. Ou seja, é definitiva.

‘Foragido’

O advogado de defesa do jogador, José Eduardo Marchió da Silva, diz que o comunicado de foragido que fez com que o atacante fosse encaminhado à delegacia foi um “equívoco”, porque, segundo ele, Wesley não tinha sido intimado a se apresentar. Ainda na quinta-feira (8/10), Wesley prestou esclarecimentos e foi liberado.

O clube, no entanto, apresentou uma outra justificativa para o caso: “Como cumpre regime aberto, ele deve informar seu paradeiro periodicamente. Quando estava atuando, por conta das viagens, essa comunicação era feita pelo clube. Como o atleta estava sem jogar desde janeiro por conta de uma lesão, a comunicação não foi realizada e automaticamente é gerado um aviso à polícia sobre a situação”, explicou o Bragantino, por meio de nota.

Agressão

A agressão pela qual o atacante foi condenado aconteceu em janeiro de 2019. O jogador provocou lesões corporais graves na então companheira e a ameaçou, como consta no processo.

A vítima afirmou que era agredida desde o começo do relacionamento e que, na noite em questão, Wesley a golpeou com uma faca.

Os policiais militares que atenderam ao chamado na noite do crime relataram que a mulher estava “ensanguentada”. Quando interrogado, o atleta disse que “perdeu a cabeça” por causa do ciúmes.

Situação

Em 2019, o atacante pertencia ao Botafogo-SP e estava emprestado ao Santos. Oito dias após o crime, um novo contrato de empréstimo, dessa vez com o Bragantino, foi publicado no Boletim Informativo Diário (BID) da CBF.

A atual gestão do Bragantino assumiu em abril de 2019, e alega que, à época, não tinha ciência sobre o processo envolvendo Wesley. Ainda no ano passado, o jogador comunicou a diretoria sobre a condenação situação.

Bragantino

Ainda em nota, o clube se defendeu por ter no elenco do time um atleta condenado por violência doméstica. “A pena imposta pela Justiça vem sendo cumprida exatamente como determinada e não há reincidência por parte do jogador. O clube acompanha o caso e acredita que uma rescisão de contrato vigente ou algo semelhante acabaria com qualquer chance de reintegração do indivíduo perante a sociedade.”

Embora a diretoria do clube se mostre preocupada com a ressocialização de condenados, não há, segundo o portal Globo Esporte, além de Wesley, nenhum outro funcionário que esteja recebendo a mesma oportunidade.

A assessoria de imprensa do Bragantino diz ter uma agenda relacionada a causas sociais, com ações nas redes sociais promovendo o combate ao racismo, o orgulho LGBTQIA+ e a conscientização sobre o câncer de mama, entre outros assuntos. Desde que a atual gestão assumiu, em 2019, contudo, a violência contra a mulher não foi pauta dentro do clube.

Robinho

A contratação de Robinho pelo Santos teve impacto negativo nas redes sociais, mas atletas e dirigentes do clube saíram em defesa do jogador. Condenado por estupro em 1ª instância na Itália em 2017, o atacante entrou com recurso na Justiça e responde em liberdade. Seu retorno ao futebol brasileiro volta a colocar o caso no centro de discussão. 

ara Marco Bettine, professor associado da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP e Pós-Doutor em Sociologia do Esporte pela Universidade do Porto, a rejeição é um sinal de que existe um movimento organizado para lutar contra a cultura machista e patriarcal.

“A sociedade está evoluindo e, neste momento, está se construindo um bloquinho para mudança estrutural nesse sentido. O caminho é a sociedade civil organizada, mais do que os políticos. A existência dessas ações a curto prazo, com a imprensa e as pessoas colocando luz nessa ação já pode ser visto como uma grande conquista.”

Por outro lado, Bettine aponta que o caminho ainda é longo, tanto que o Santos ignorou a pressão e decidiu trazer o jogador. “Serão necessários vários casos de Robinhos e Marielles (Franco, vereadora do Rio de Janeiro assassinada em 2018) e de outras tantas mulheres estupradas para haver uma mudança profunda na sociedade.”

*As informações são do Correio Braziliense

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