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Serejo: “O governo Rosalba precisa urgentemente fazer uma reflexão”

21/12/2011 | 09:42

O blog Visor Político reproduz os principais trechos da entrevista do jornalista, cronista e analista político Vicente Serejo ao “Jornal da Cidade”, da FM 94, nesta quinta-feira, aos jornalistas Alex Viana e Daniela Freire, realizando uma análise dos últimos fatos da política e da administração pública de Natal e do Rio Grande do Norte.  Sobre a gestão de Micarla de Sousa (PV), Serejo analisa que a gestora deixou de “prefeitar” nos últimos anos e não cumpriu o dever de casa. Já quanto ao governo Rosalba Ciarlini (DEM), ele diz que a governadora deve fazer uma reflexão, já que a partir de agora a cada mês de erros se cristalizará a imagem negativa perante a sociedade. Confira a entrevista.  

Jornal da Cidade – Redução do ICMS para querosene de aviação feita pelo governo do Estado gestão Rosalba Ciarlini (DEM) e o suposto benefícios à empresa do filho do senador José Agripino Maia (DEM), deputado federal Felipe Maia (DEM) – Temos que saber por que ela reduziu.  Eu acho que a governadora conta com a importância de José Agripino, por maior e mais profunda que seja a anemia do DEM. O partido está sem quadros. Agripino é presidente do partido muito mais pela sua capacidade de formulação do que pela existência de um partido. Até porque os democratas eram liberais e passaram a ser democratas e se declaram liberais. Eles não sabem nem o que é o conceito de democratas e liberal. Eles são essencialmente liberais, pois acreditam que o Estado deve liberar a economia desde que na hora de beneficiá-lo não deixe de fazê-lo. E esse é o caso especifico do ICMS.

Declaração de Enildo Alves, líder da prefeita Micarla de Sousa na Câmara Municipal de Natal, dizendo que se dependesse de seu conselho pediria a Micarla para não se candidatar a reeleição – Eu acho que não seja uma questão de pedir. Ela está numa situação muito difícil, num estado de indiferença em relação à gestão dela, de quem já julgou e não tem mais o que julgar. Não digo que a situação não seja irrecuperável. O que eu lamentei em Micarla foi ela ficar intolerante com a crítica. Ela exercia competentemente essa crítica jornalística de botar o dedo na ferida, mas quando ela foi ao poder passou a estranhar o que ela fazia na tela da televisão. Se você olhar estaticamente os 90% de rejeição, os que estão os 10% são os loucos de toda espécie, os portadores de Alzheimer, os recém-nascidos, os que já não votam, não foram ouvidos, isso significa estatisticamente que ela tem os 100%. Não chegaria a dizer de condenação, mas dos que condenam a gestão dela e os que estão indiferentes por absoluto estado de decepção.

Argumento da prefeita que esse é um complô dos poderosos – O complô é mais uma coisa visionária, pouco palpável. Ela não teve um bom planejamento financeiro nos primeiros dois anos. Deu aumentos maiores do que a capacidade de endividamento da prefeitura e pegou uma demanda reprimida de seis anos, durante os quais Carlos Eduardo não pagou gratificação, quinquênio, anuênio e jogou tudo isso na folha. E ao lado disso não conseguiu prefeitar, se é que existe esse verbo, que é coleta de lixo, limpar a rua, o básico. Se sobrar talento e dinheiro se faz outra coisa. O dever de casa ela não fez. A cidade está feia. Está com lixo, os professores insatisfeitos, a merenda, que foi uma bela sacada de levar no sábado e domingo para casa, não funcionou. Faltou um sentido estratégico. Ela criou um sentimento popular, um elevado sentimento de decepção. Quando terminar o segundo ano de governo ela estará devendo e derrotada politicamente desfeita de todas as conquistas que havia conseguido. No terceiro foi um desastre com uma dívida de R$ 80 milhões, tem empresas com oito, nove, dez meses de atraso. Nós teremos um período muito difícil, não quero agourar, caso ela não tome atitudes fortes de controlar a despesa e aumentar as receitas.

Obras da Copa do Mundo podem salvar a gestão Micarla – A cada ano da gestão Micarla se elegeu uma luz no fim do túnel, mas percorremos três túneis e não tem funcionado. Ela tem uma liberação de R$ 100 milhões e as obras de mobilidade. Mas no estado financeiro que está a prefeitura é fácil acreditar que ela terá recursos próprios para fazer a contrapartida indenizando 600 imóveis na Zona Norte para construção dos acessos. Ela está construindo uma argumentação de que é um boicote, de abandono, entrou com uma ação contra a redução do repasse do ICMS. Não sei se foi para isso que ela foi eleita. Quando eu fui para a televisão dizer que ela foi uma boa aluna, eu imaginava que ela seria uma boa prefeita, como fez Wilma, José Agripino e Garibaldi e então construiria uma vida política. Se especula que ela vai tentar eleger Paulo Wagner como deputado estadual para irmã assumir como suplente e ela ter um político da família com mandato, para defender a estrutura empresarial. Ela não tem uma estratégia. Se o líder dela diz que se depender dela ela não seria candidata. Você acha isso boa declaração?

Felipe Maia declara Rogério Marinho é o candidato mais preparado para administrar a cidade de Natal – Felipe é um bom nome e facilmente seria vendável na cidade. Eu não sei se ele se guarda para de última hora o pai dizer você é candidato e é assim que se constrói uma liderança como o pai construiu a dele ou se ele tem medo de assumir uma cidade inadministrável. Sei que ele está falando da competência de Rogério Marinho e que ele é o único que demarcaria a vitória de Rosalba. A essa altura acho difícil que Garibaldi retire a candidatura de Hermano e passei a acreditar nessa candidatura.

Eleição em Mossoró e Natal– O governo está tentando inventar uma candidatura em Mossoró com Ruth Ciarlini que tem mil deficiências. E improvisando aqui também, imagine se Wilma resolve se unir a Carlos Eduardo e o governo perde Natal e Mossoró. Seria uma mudança completa. Hoje se Larissa se lançar e tiver o mínimo de estrutura ela é eleita.

Candidatos da Oposição – Fernando Mineiro viu o quanto é importante ter uma candidatura majoritária com a galvanização de um nome. Ele viu como se produziu Fátima. Ela perdeu a campanha e dois anos depois teve 80 mil votos em Natal. Ele está polarizando o nome dele para o PT renovar o mandato. Ele sabe que não tem condição nenhuma de se eleger prefeito. Carlos está liderando a pesquisa e acho que ele e Wilma iriam hoje para o segundo turno, mas isso acontecendo ela vai provocar sobre ela uma convergência Alves e Maias todos contra ela.

Operação Sinal Fechado – O Ministério Público tem um papel fundamental na sociedade que já vem sofrendo com a impunidade. Eu só tenho medo de certos excessos de prisões. O confisco de computador, dos telefones na busca da materialização de provas. O Dr. Carlyle (juiz da Operação Impacto) não prendeu ninguém e levantou provas e condenou e vai condenar muita gente é muito mais eficiente do que a espetacularização de prisões que já começam a cair. É muito desagradável que se prenda João Faustino e um juiz do Tribunal Superior o libere. O temor é se houver um inocente.

Governo Rosalba – Fechou doze meses com 60% de reprovação e ela pecou no processo de diálogo com as diversas categorias, professores e policiais, e construiu uma imagem de intolerância. Mas poderia ser pior, se ela tivesse perdido o aeroporto e não tivesse finalizado o empréstimo do BIRD e o empréstimo da Arena das Dunas. Mas sabemos que ela vai começar o governo devendo R$ 2 bilhões e 20 milhões quase três vezes mais do que reclamou do governo anterior.

Votação do orçamento – A votação do orçamento foi uma vitória auditada por Ricardo Motta. Ela jogou bem com a relação com a Assembleia. Agora acho que o governo precisa urgente fazer uma reflexão, a cada mês de erro haverá uma cristalização da imagem. Quando o marketing de Iberê passou a comparar ela a Micarla, ela perdeu mais de 50 mil votos. Tem que fazer uma avaliação boa e se é esse o modelo do governo dela.  Esse governo tem ela, o estado maior, o primeiro, segundo e terceiro escalões. O primeiro são anões todos temerosos, mortos de medos, cheios de silêncio.

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