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Análise
Vice-presidente do Crea destaca falha na drenagem urbana em Natal
Para Gilbrando Junior, vice-presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do RN, é preciso decidir agora o futuro sustentável da cidade. Ele ressalta, ainda, que a estratégia por novos mananciais ou captação de água em outros lugares torna-se importante quando se fala em desenvolvimento sustentável e qualidade de vida
Redação
17/06/2021 | 08:48

Na reta final para a votação do Plano Diretor de Natal, o vice-presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do RN, engenheiro ambiental Gilbrando Júnior, diz que não dá mais para adiar medidas sustentáveis de longo prazo para a cidade. “É essencial considerar isso para a qualidade de vida de todos os natalenses”, pondera. Nesta entrevista ao Agora RN, Gilbrando faz uma análise acurada de cada uma dessas alternativas.

Agora RN: Para começar, qual o papel da engenharia, da agronomia e das geociências num grave contexto de pandemia?

Gilbrando Júnior: Hoje, há um grande questionamento sobre como se impulsiona os aspectos econômicos do país após a crise instalada pela pandemia e isto no mundo como um todo. É importante dizer que a engenharia, a agronomia e as geociências terão um papel fundamental na atenuação da crise e na promoção do progresso, sobretudo quando se analisa a perspectiva de desenvolvimento sustentável, promovendo avanços atuais, mas considerando as gerações futuras.

Agora RN: Quais são as nossas maiores vulnerabilidades do ponto de vista urbano?

Gilbrando: O Brasil, como se sabe, ainda tem grandes déficits de infraestrutura e esse problema terá de ser visto como um caminho para a necessária retomada econômica. Precisamos investir em mais obras que, além de gerarem mais empregos, trarão incrementos econômicos, sociais e ambientais para as áreas em que serão instaladas.

Agora RN: O senhor poderia nos mapear essas vulnerabilidades?

Gilbrando: Analisando essa perspectiva de infraestrutura, uma das áreas que demanda um enfoque especial é o saneamento e nele estão incluídos os seus quatro pilares, abastecimento de água, esgotamento sanitário, coleta e destinação de resíduos sólidos e a drenagem de águas pluviais. Esses pilares, fazendo um recorte de Natal mais especificamente, já demonstram o quão relevante essas obras e serviços são para a cidade e para a qualidade de vida dos que nela moram, ainda mais quando estamos num processo de revisão de plano diretor em que se discutem aspectos como adensamento e perspectivas de aumento populacional e que, certamente, trarão como reflexo a demanda ainda maior por esses pontos.

Agora RN: Mas há situações que preocupam mais?

Gilbrando: De forma mais clara podemos ver como um dos pontos que demandam atenção a destinação de resíduos sólidos como um dos primeiros desafios a ser superado com o empenho da engenharia, da agronomia e das geociências em Natal. Atualmente, temos um aterro na região metropolitana que está em fim de operação, demandando que a cidade, após o seu encerramento, encontre soluções alternativas para a destinação e ou reaproveitamento dos resíduos produzidos na cidade que serão maiores dados as projeções populacionais e o possível aumento de adensamento da cidade.

Agora RN: E como estamos do ponto de vista do abastecimento de água?

Gilbrando: Como se sabe, boa parte do nosso abastecimento d’água provém do manancial subterrâneo que pela ausência dos serviços de esgotamento sanitário, ao longo do tempo, teve sua qualidade impactada. Assim, a estratégia por novos mananciais ou captação de água em outros lugares torna-se relevante quando se fala em desenvolvimento sustentável e qualidade de vida do natalense, não tendo como dissociar esses aspectos da engenharia, da agronomia e das geociências, tendo em vista que essas atividades são essencialmente técnicas.

Agora RN: Isso, sem mencionar a drenagem, um gargalo que parece eterno…

Gilbrando: A drenagem urbana é outro aspecto em que fica evidente o quão impactante é a falta de infraestrutura para o natalense, sobretudo em dias de chuvas mais intensas em que enfrentamos problemas como alagamentos e dificuldades de mobilidade na cidade.

Agora RN: E o nosso esgotamento sanitário?

Gilbrando: O esgotamento sanitário é tido, por incrível que pareça, como um dos pontos em que Natal está numa posição confortável. Estamos em fase de consolidação das estações de tratamento que atenderão a cidade em níveis tecnológicos altos para a cidade atual e futura, tendo em vista que os projetos que estão sendo instalados já consideram uma projeção populacional. Soma-se a isso o fato de que essas estações promoverão a proteção de ambientes que por muito tempo foram impactados com o lançamento de esgoto in natura, sendo o maior exemplo disso o Rio Potengi. Essas obras necessariamente demandam recursos vultosos que, em geral, são atrelados ao poder público. Contudo, novas legislações como o novo Marco Legal de Saneamento permitem que o capital privado seja um dos agentes financiadores dessas obras que tendem a, de fato, promover o desenvolvimento sustentável.

Agora RN: Qual é o resumo que o senhor faz de toda a nossa situação?

Gilbrando: Natal é dotada de instrumentos de planejamento que precisam ser considerados para a implantação dessas infraestruturas e considerados nas legislações que estão sendo discutidas e elaboradas, com destaque para o plano diretor, que deverá levar em conta outros instrumentos de planejamento como o plano diretor de drenagem, de saneamento e o de gestão de resíduos sólidos, além de outros para, de fato, promovermos uma cidade que preza pelo desenvolvimento sustentável e pelos habitantes que nela vivem, contando com o apoio técnico dos nossos profissionais da engenharia, da agronomia e das geociências.

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