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Marcelo Hollanda
Utilização de máscaras em locais fechados, como cafés e restaurantes, voltará a ser obrigatória em Portugal
Confira a coluna de Marcelo Hollanda desta sexta-feira (26)
Marcelo Hollanda
26/11/2021 | 09:01

Nos outros é refresco
Enquanto a Nova Zelândia pensa em abrir suas fronteiras só em abril e parte da Europa endurece as restrições com medo de uma quarta onda da covid, no Brasil, Bolsonaro quer as fronteiras escancaradas sem um décimo das formalidades exigidas em outros países.

Tudo em nome do bem da economia e das liberdades individuais. As mesmas liberdades de ir e vir e de matar quando necessário, desde que quem puxe o gatilho seja um homem de bem, temente a Deus e contra o comunismo.

Cada vez que Bolsonaro recalcitra, brasileiros morrem. Depois ele coloca em dúvida a origem dos óbitos e trava sua batalha insana contra o isolamento social e as máscaras de proteção (que dura até hoje).
Mas como não é coveiro, por favor, não venham lhe imputar responsabilidades.

Trata-se de um homem preocupado com as liberdades individuais como poder da livre contaminação, portar armas e perseguir quem não pensa como ele. Por isso se cercou de fardas da ativa e da reserva para dizer quem manda. Do contrário seria um presidente banana.

Bolsonaro sabe perfeitamente que milhões de pessoas não dispõem das mesmas facilidades dele de médicos e exames sofisticados a qualquer hora do dia ou da noite.

Pessoas simples não dispõe de um avião particular que pode virar uma UIT e um helicóptero para despejá-las rapidamente num hospital de ponta a milhares de quilômetros de distância.

Mesmo assim, o recalcitrante insiste em arriscar a vida dos outros com a mesma desenvoltura como gasta o dinheiro que também não é dele.

Para esse arauto das liberdades individuais, as pessoas morrem mesmo e desde que esta fatalidade não o atinja e sua preciosa prole e o resto da parentela, tudo bem.

Balsas de garimpeiros ilegais podem continuar monopolizando o rio Madeira; grileiros invadir reservas indígenas para desmatar e plantar pasto; policiais executar pessoas em favelas, deixando os corpos no local para dar o exemplo, tudo isso é da vida.

Nada, porém, é mais importante do que meter o bedelho nas provas do Enem ou ‘tretar’ nas redes sociais com a cantora Anita.

Desde que a filha caçula tenha uma vaga na escola militar sem prestar exame, na base da carteirada, e os meninos fiquem longe da cadeia, a vida continua bela.

Miséria, inflação e desemprego nada disso é problema. E sabe por quê?

Porque pimenta nos olhos dos outros é refresco.

Sortudo
Revela a Folha que a saída repentina do Brasil de Olavo de Carvalho, o ideólogo da família Bolsonaro, depois de ser intimado pela Polícia Federal, esteve mais para uma fuga organizada, envolvendo a compra de passagens em dinheiro vivo, viagem de carro até o Paraguai e cruzamento da fronteira sem as formalidades da imigração. Uma vez em segurança nos EUA, é claro, Olavo gravou um vídeo negando tudo. Disse que a oportunidade de cair fora apareceu e ele aproveitou. Simples assim.

Falta de educação
A história de Olavo é inacreditável, mas vamos lá. “Eu estava no hospital e me ofereceram um voo repentino para dali a 15 minutos. Eu não ia perder essa oportunidade”, diz o ideólogo no vídeo gravado na segurança do lar americano. A coisa foi tão rápida que ele não conseguiu se despedir nem dos médicos e enfermeiros do hospital. Como aquele amante que precisa pular da janela quando o marido chega a casa inesperadamente. Se ficasse quietinho na cama do hospital, pago com dinheiro dos seguidores, ele teria que ter ido depor no inquérito que apura a existência de uma milícia digital voltada a solapar a democracia e as instituições. Preferiu meter o pé e deixar o país rapidinho.

Nojento
Depois de aquiescer com o seguidor que comparou a beleza da primeira dama brasileira à feiúra da primeira dama francesa nas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro classificou ontem como “provocação” a recente recepção ao ex-presidente Lula pelo presidente Emmanuel Macron. Enquanto Bolsonaro bordejava pelos Emirados Árabes, Lula foi recebido com honras de chefe de estado em Paris. Isso dói.

Treta
O pivô desse incidente internacional pode ser creditado à incrível habilidade diplomática de Bolsonaro. Ele adorou a mensagem postada por um seguidor que comparou a imagem da esposa dele, Michelle, à de Brigitte, mulher de Macron. Escreveu o infeliz seguidor na lenda: “Entende agora por que Macron persegue Bolsonaro?”. O perfil de Bolsonaro respondeu o seguinte: “Não humilha cara. Kkkkkkk”. Pronto, nascia o conflito diplomático.

Liberou que nada!
A utilização de máscaras em locais fechados, como cafés, restaurantes, estabelecimentos comerciais pequenos, bares e discotecas, que deixou de ser obrigatória no início do mês passado em Portugal, voltará a ser. A restrição só estava valendo nos transportes públicos. Às vésperas do Carnatal, é bom pensar como o nosso país irmão foi da “liberdade total” do beijo na boca à preocupação total de um caixão lacrado. E isso nada tem a ver com a propagação do sapinho.

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