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Editorial
Urubus cobram a fatura
Redação
29/04/2020 | 03:10

Mal o presidente da República trocou a nova pela velha política como forma de se manter no poder, caso o presidente da Câmara resolva aceitar um dos quase 30 pedidos de impeachment sobre sua mesa, algo intrigante começou a acontecer.

Depois de correr o risco de afastar um ministro da Saúde popular em plena pandemia e contribuir para que outro mais popular ainda deixasse o governo – o da Justiça -, Bolsonaro experimentou um inesperado armistício.
A escolha de André Mendonça, ex-advogado-geral da União, para o lugar de Sérgio Moro, não deixou espaço para aqueles que ainda criticavam a defenestração de Henrique Mandetta da Saúde, semanas antes.

De sorte que, quando Moro pediu para sair, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, veio a público, após dias de silêncio, para informar que não fazia parte de seus planos abrir um processo de impeachment contra o presidente. E as razões dele são até razoáveis.

Ingressar agora com o impedimento de Bolsonaro em plena pandemia, quando autoridades e pessoas se falam por videoconferência, seria absolutamente inoportuno.

A indicação de André Mendonça para o lugar de Sérgio Moro foi elogiada nesta terça-feira por ministros do Supremo Tribunal Federal, coisa que facilitou a vida de Bolsonaro no STF e deixou o ex-AGU ainda mais perto da cadeira do decano Celso de Melo, que se aposenta compulsoriamente este ano.

Enquanto isso, a ida de Alexandre Ramagem, amigo da família Bolsonaro e pivô da saída de Moro, para a direção geral da Polícia Federal, começava a ser contornada em videoconferência juntos aos superintendentes da corporação.

É claro que Ramagem enfrentará mais problemas, já que sua indicação é povoada de suspeitas que dependerão do jogo de cintura dele para serem contornadas.

Contudo, Bolsonaro agora tem outros problemas mais sérios a resolver. E o primeiro deles é com os partidos do centrão que já começam a cobrar a fatura.

Consta que seus líderes estão insatisfeitos com a demora do governo em nomear os indicados para uma série de cargos oferecidos pelo governo federal nas últimas semanas. Os nomes aguardam uma análise de seus currículos, é o que se alega.

Se soubesse que suas ousadas jogadas das últimas semanas dariam tão certo, certamente Bolsonaro nem teria iniciado as conversas com o bando de urubus.

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