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Opinião
Uma nova pandemia; leia opinião de Ney Lopes
Ney Lopes
28/11/2023 | 07:41

O risco de alguém durante o seu tempo de vida passar por uma pandemia como a da covid-19 vai duplicar nas próximas décadas, segundo estudo da Academia Nacional de Ciências dos EUA.

O consenso é que algo parecido com a Covid 19 está chegando. Pode ser uma gripe, ou febre tifoide, tuberculose, pneumonia bacteriana (já há alerta na China) ou peste. Pode transbordar para os humanos através de um morcego, uma galinha ou um carrapato. Contribuem para outra grande pandemia, as mudanças climáticas, novas condições ecológicas globais, hipermobilidade e populações humanas e animais cada vez mais densas e sobretudo o desflorestamento e mercado de animais exóticos.

A implantação rápida de vacinas e fortes infraestruturas de entrega ajudam na erradicação. O instituto “Airfinity”, de Londres, indica que, o perigo real será 71% menor, com essas medidas em vigor.

Desde seu surto em 2020, o coronavírus já ceifou mais de um milhão de vidas nos EUA, com mais de 102 milhões de casos confirmados. O Brasil contabiliza oficialmente 698 mil mortes e 37 milhões de infecções pelo novo coronavírus. O país teve mais de 700 mil mortes em consequência da doença, sendo cerca de 400 mil óbitos evitáveis, se as autoridades tivessem seguido à risca as recomendações científicas. O melhor equilíbrio foi o da Noruega, com o número de óbitos mais baixo na Europa. No extremo oposto fica a Bulgária, uma mortalidade seis vezes acima da Noruega.

Segundo o dr Gonzalo Vecina Neto, conceituado médico sanitarista brasileiro, em junho de 2020, o Brasil tinha capacidade de realizar de 3 a 4 mil testes por dia, enquanto a Alemanha realizava 250 mil testes diários. Só tivemos avanço nessa tecnologia, porque um banco doou dinheiro para a Fiocruz.

Há previsões sobre a possibilidade do Brasil ser o berço de futura pandemia. O país abriga o terceiro maior número de espécies de morcegos do mundo. Um dos locais é o Pará, na caverna Planaltina, que se estende por mais de 1,5 quilômetros de profundidade e é o lar de milhares de morcegos. Inúmeros habitats – e espécies de morcegos nativos – permanecem não estudados ou descobertos.

O mais grave é a destruição do “habitat” da floresta, que leva a concentração de morcegos nas áreas de grande densidade populacional. A transmissão para seres humanos acontece através do contato direto com os mamíferos, bem como com os fluidos corporais deles (saliva, urina) ou por contato com as fezes. Esse fenômeno mortífero ocorre em Bangladesh. Embora o risco de uma nova pandemia mortal seja alto, as chances de conseguir reduzir essa previsão também são altas. O que se percebe é que todo o cuidado será pouco, de parte das autoridades, para evitar que o mundo enfrente o flagelo de uma nova pandemia, até em curto prazo.

*Ney Lopes é jornalista

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