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Meio Ambiente
Um ano depois, mistério do óleo nas praias pode estar chegando ao fim
No Rio Grande do Norte, além do prejuízo dos pescadores, 14 municípios e 43 localidades foram atingidos, 14 animais oleados foram resgatados para tratamento e 34 toneladas de óleo foram recolhidas
Redação
22/08/2020 | 05:24

Um ano depois das primeiras manchas de petróleo que castigaram o litoral do Nordeste, uma nova hipótese aventada esta semana por pesquisadores do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélite da Universidade Federal de Alagoas podem pôr um ponto final ao mistério que atingiu pelo menos 39 praias do Rio Grande do Norte.

Ela confirma estudos realizados ainda no ano passado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) dando conta que a origem do derramamento no litoral brasileiro estaria a milhares de quilômetros, ainda em abril, na África, até chegar à costa brasileira, em setembro.

Imagens de satélite desse período analisadas pelos pesquisadores detectaram uma mancha de óleo de 433 km ² no Golfo da Guiné, na África, a 200 km da costa da República de Camarões trazida para costa brasileira por correntes oceânicas.

Trata-se de uma região de intensa circulação de navio petroleiros e local de grande confluência de correntes marítimas, especialmente nos meses de   julho e setembro, entre a Guiné e a costa potiguar.

Segundo a professora Liana de Figueiredo, do Departamento de Ecologia da UFRN, que atuou na ocasião no Comando Unificado de Incidentes para o Enfrentamento das Manchas de Óleo no Litoral do Rio Grande do Norte e que acompanha o estudo de modelagem dos colegas em Alagoas, ainda é preciso verificar a digital do óleo da grande mancha localizada na costa africana com a do material recolhido nas praias do Nordeste.

“É verdade que existem correntes favoráveis que podem ter conduzido esse óleo até a nossa costa, agora é preciso aguardar pela análise clínica do material para fechar de uma vez por todas esse quebra-cabeça”, afirmou.
Para ela, depois de um ano, todas as lacunas precisam ser preenchidas, já que os prejuízos ambientais e econômicos para pescadores e populações de maneira geral não podem ser esquecidos.

“Se não fosse a ativa participação dos estados no combate a esse problema, as consequências seriam ainda muito mais severas”, analisa.
O primeiro sinal do petróleo derramado no Brasil foi registrado em três praias do litoral da Paraíba no dia 30 de agosto do ano passado. Em apenas 40 dias, o vazamento se espalhou por nada menos do que 63 cidades dos nove estados nordestinos.

No Rio Grande do Norte, 14 municípios e 43 localidades foram atingidos, 14 animais oleados foram resgatados para tratamento e 34 toneladas de óleo foram recolhidas e reaproveitadas.

Desde então, uma série de hipóteses sobre as origens das manchas foram formuladas, até que o óleo teria vindo da Venezuela. A investigação conduzida pela Marinha, com desdobramento no âmbito criminal pela Polícia Federal, porém, ainda está longe de elucidar o mistério.

Na ocasião, 140 navios fizeram trajeto por aquela região para investigar se a origem do problema estava num possível vazamento acidental ou de um navio naufragado de onde o óleo pudesse estar escapando dos porões.

Ainda em julho do ano passado, um mês antes do primeiro registro oficial de petróleo nas praias nordestinas, imagens do Sentinel-1, satélite lançado em abril de 2014 para realizar monitoramento ambiental, já mostravam manchas que poderiam representar vazamentos de óleo na costa africana. Foram essas imagens analisadas pelos especialistas em Alagoas.

Observando melhor, eles notaram um padrão anormal na costa ocidental da África no segundo semestre do ano passado e sua repetição em diferentes intensidades, reforçando a suspeita inicial de que teria sido lá o foco primário do vazamento de óleo.

Dados do Ibama, coletado até março do ano passado, descobriram manchas de óleo em mais de 1.013 locais em todos os estados do Nordeste e também na costa do Espírito Santo e Rio de Janeiro. As manchas, porém, diminuíram desde então pela queda no trânsito de navios na região ocasionado pelo coronavírus.

Na ocasião, mesmo sem respostas, uma nota da Marinha do Brasil reconheceu o crime ambiental que afetou a costa brasileira desde 30 de agosto de 2019, qualificando-o “inédito e sem precedentes na nossa história”.

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