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Pesquisa
UFPE tenta desenvolver vacina contra a Covid-19 usando fungos
Professor Antonio Carlos de Freitas está à frente do estudo que recebe financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
Redação
30/09/2020 | 16:10

Pesquisadores do Laboratório de Estudos Moleculares e Terapia Experimental (Lemte) do Departamento de Genética da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) estão desenvolvendo uma vacina contra a Covid-19, com fungos usados em pães e cervejas. A instituição é a primeira do Nordeste a trabalhar na criação de um imunizante contra o novo coronavírus. Aproximadamente R$ 550 mil estão sendo investidos nos estudos iniciais para o desenvolvimento da vacina. 

O professor Antonio Carlos de Freitas está à frente do estudo que recebe financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Segundo ele, um dos objetivos do trabalho é desenvolver uma estratégia vacinal usando a Plataforma Biotecnológica estabelecida no Lemte. Essa plataforma – que teve o apoio para sua criação do Programa Pesquisa para o SUS (PPSUS) – foi usada no desenvolvimento de uma vacina terapêutica para o câncer de colo de útero. “É a única estratégia com este propósito desenvolvida e avaliada em teste pré-clínico por um grupo aqui do Nordeste”, explica Antonio Carlos de Freitas.

Os pesquisadores pretendem apresentar uma prova de conceito, que é o desenvolvimento de um protótipo e sua avaliação em teste piloto pré-clínico. “Não podemos dizer que vamos desenvolver uma vacina do ponto de vista de termos o produto na prateleira”, afirma o professor. Segundo ele, no Brasil, somente os institutos Bio-Manguinhos, da Fiocruz, e o Butantan possuem a infraestrutura para fazer essa produção final. “No entanto, podemos fazer a pesquisa exploratória, desenvolvimento e teste de conceito com validação pré-clínica da vacina candidata”, afirma.

O grupo da UFPE trabalha no desenvolvimento de vacinas de DNA ou RNA. De acordo com Freitas, as vacinas convencionais usam o patógeno inativado para induzir uma proteção contra a doença. Por demandar uma grande quantidade do vírus – neste caso o SARS-CoV-2 – sua produção é lenta e requer uma biossegurança de nível 3. O tipo de imunizante pesquisado pelo Lemte não depende do patógeno vivo. O grupo está usando a informação genética contida no genoma do vírus.

A informação para produção de todas as proteínas virais está codificada no DNA, dentre elas aquelas capazes de induzir uma resposta imune protetiva contra a infecção viral. As vacinas de DNA são construídas para levar essa informação para dentro da célula humana quando é realizada a imunização. “Dentro da célula, esta informação chega ao núcleo sendo decodificada em RNA mensageiro e, a partir dele, no citoplasma desta célula, a proteína viral é produzida e processada, possibilitando sua apresentação às células do sistema imune, levando à produção de anticorpos contra o vírus”, detalha o pesquisador. A vacina de RNA segue um caminho semelhante.

Antonio Carlos destaca que as vacinas de DNA e RNA são mais rápidas de serem produzidas, requerem uma planta de produção mais barata em relação às convencionais, são mais rapidamente adaptadas para produzirem vacinas contra variantes do vírus, podem ser liofilizadas e, assim, serem usadas em locais sem refrigeração. “Mesmo com estas vantagens, ainda não há vacina de DNA ou RNA aprovadas para uso em doenças infecciosas humanas.” Segundo o professor, contra a Covid-19 já existem vacinas desse tipo em teste.

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