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Entrevista
Túmulos verticais irão desafogar sistema funerário por 10 anos, afirma secretário
Titular da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur), Irapoã Nóbrega fala sobre os projetos de implantar, a partir de 2021, o sistema de túmulos verticais
Redação
16/07/2020 | 22:02

Apesar das mais de 600 mortes causadas pela Covid-19 em Natal nos últimos três meses, os cemitérios públicos da capital conseguiram suportar a demanda extra. No entanto, para 2021, como forma de garantir a ampliação do serviço e prover dignidade aos enlutados, a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos planeja adotar o sistema de túmulos verticais no Cemitério do Bom Pastor, na Zona Oeste de Natal. “Serão suficientes para resolver um problema que existe há 10 anos na cidade”, disse Irapõa Nóbrega, titular da Semsur.

Em entrevista ao Agora RN, ele também falou sobre as ações para fiscalizar feiras e mercados públicos da capital durante a pandemia. Também deu detalhes sobre o projeto de modernização do sistema de iluminação da capital. A primeira fase contempla a mudança do sistema que ilumina a orla urbana da cidade. Veja a entrevista:

AGORA RN – Quais as ações adotadas pela Semsur para ações sanitárias de controle da Covid-19?

IRAPÕA NÓBREGA – A Semsur realizou desde o afastamento de seus funcionários pertencentes ao grupo de risco até as ações de mobilizações e combate ao coronavírus em feiras livres. Para as feiras livres, a Semsur determinou o espaçamento de pelo menos dois metros entre as bancas; disponibilização de lavatórios móveis nas feiras para a higienização dos usuários presentes nos locais; redução do horário de funcionamento. Para os mercados públicos, a Semsur determinou limitação do uso dos mercados, sendo eles restritos apenas para a venda via delivery (restaurantes).
O camelódromo teve disponibilização de lavatórios móveis para usuários e comerciantes. Foi feita ainda nos cemitérios a redução do horário de funcionamento; limitação do acesso ao público; redução do tempo de cerimônia de sepultamento; reforço dos equipamentos de EPI utilizados pela equipe de Cemitérios. Por fim, a fiscalização contou com a ronda extensiva e diária da equipe de fiscalização durante as atividades de feiras, bem como no acompanhamento do comércio informal.

AGORA – A Semsur vai conseguir iniciar o processo de modernização da iluminação de Natal este ano?

IN – O processo de iluminação da iluminação pública já foi iniciado pela prefeitura. O serviço começou no dia 29 de junho, na Via Costeira. Em paralelo, o setor de Ponta Negra que contempla a área que consiste da Praça dos Gringos, descendo até a Erivan França já está trocando suas luminárias para LED. Neste primeiro momento, a Semsur fará a modernização da iluminação da orla da cidade. O serviço será realizado de Ponta Negra até a Ponte Newton Navarro. Depois de concluída essa etapa, iremos para outras regiões da cidade.
Como dito anteriormente, o serviço começou no dia 29 de junho. Nestes primeiros 15 dias, nós já implantamos mais de 35 postes na Costeira. Assim que for terminada a implantação dos postes, colocaremos o novo cabeamento e as novas luminárias em LED.

AGORA – A crise da Covid-19 expôs um problema grave da cidade: a ausência de espaços para sepultamentos em cemitérios públicos. O que a Semsur vai fazer para melhorar esta situação?

IN – É preciso deixar claro que a cidade do Natal passa por duas situações distintas em relação aos cemitérios. Sim, nós temos um problema quanto aos espaços disponíveis para sepultamentos, mas isso não significa que se uma pessoa falecer hoje, ela não será enterrada. A prefeitura tem como disponibilizar esse serviço. Porém, como eu disse, há um problema sobre a quantidade de espaços. Atualmente as vagas existentes nos cemitérios são de túmulos familiares ou então são vagas provisórias. Se uma pessoa falecer e precisar ser sepultada em cemitério público de Natal, o enterro será realizado em um jazigo de sua família ou em vaga provisória. Não temos novas vagas. Como não temos novos espaços, nos últimos meses demos início a um estudo técnico para viabilizar a construção de túmulos verticais em um espaço no Cemitério do Bom Pastor II. Serão 1.000 novas vagas, que serão suficientes para resolver um problema que existe há 10 anos na cidade e irá garantir o desafogamento do sistema funerário público de Natal por mais 10 anos. A ideia da Semsur é conseguir fazer a construção desses novos túmulos em 2021. No momento estamos na fase de estudos para a abertura do processo licitatório para a execução desse serviço.
Já em relação aos casos de mortes por Covid-19, o município, já sabendo da alta demanda de óbitos que a doença poderia causar e do pequeno número de vagas nos cemitérios públicos, fez um contrato emergencial para sepultar as pessoas que falecerem da doença. O contrato foi realizado com o Grupo Vila através da Secretaria Municipal de Saúde. Se uma pessoa morrer por Covid-19 e ela não tiver um jazigo em dos nossos oito cemitérios, a sua família pode solicitar o enterro ou a cremação de forma gratuita.

AGORA – A cidade vai demandar de ações sanitárias mais eficientes para controlar possíveis surtos em áreas de grandes aglomerações. O que será feito para isso?

IN – A Prefeitura tem realizado desde o início da pandemia, ações conjuntas de fiscalização entre a Semsur, Semurb, Procon e Guarda Municipal. Esse trabalho foi intensificado nos últimos dias para garantir que não haja aglomerações neste momento de flexibilização.

AGORA – Quando será a feita a reabertura do Mercado das Rocas?

IN – O Mercado das Rocas já está pronto. Entretanto, por causa da pandemia, ele ainda não pôde ser reaberto. Além disso, ainda estamos articulando o chamamento dos permissionários para a ocupação dos boxes. Acredito que nas próximas semanas teremos uma definição quanto a isso.

AGORA – Os banheiros públicos da orla de Natal seguem com problemas. A flexibilização do isolamento tem levado mais pessoas às praias, mas a estrutura pública é alvo de constantes reclamações. O que será feito?

IN – Infelizmente os banheiros das orlas vêm enfrentando um problema que vai além da gestão da Prefeitura do Natal. É uma mistura da falta da educação de parte da sociedade com a falta de apoio dos agentes de segurança do Governo do Estado. Desde que foram instalados, os banheiros são alvo de vandalismo. A prefeitura chegava a gastar entre R$ 300 mil e R$ 400 mil por ano somente com manutenção desses equipamentos por causa de depredação. Para evitar mais gastos dos cofres do município, os banheiros foram terceirizados. A questão é que, em menos de um ano, já com a empresa cuidando desses banheiros, o contrato foi suspenso porque a vencedora da licitação não estava conseguindo administrar os banheiros por causa das ações de criminosos. Apesar da implantação de segurança privada em Ponta Negra, por exemplo, os banheiros sofreram dezenas de furtos e quebradeira. Os administradores sofreram ameaças e há registro até de sequestro. Todos esses casos foram registrados à polícia, mas não houve solução. Se a própria população não ajuda em manter a banheiros e ainda enfrentamos a criminalidade, fica realmente difícil manter esse equipamento aberto todos os dias para os frequentadores das praias da cidade. Apesar desses problemas, eu venho conversando com a equipe da assessoria técnica da Semsur para definirmos uma estratégia para manter os banheiros em funcionamento.

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