O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom das ameaças contra o Irã nesta terça-feira (7), ao afirmar que “provavelmente” uma “civilização inteira morrerá esta noite”, em meio ao prazo final imposto por Washington para a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do petróleo global.
A declaração foi publicada na rede Truth Social e ocorre em um momento de escalada militar no Oriente Médio. O estreito concentra cerca de 20% das exportações mundiais de petróleo, e seu bloqueio tem potencial de pressionar ainda mais os preços internacionais de energia e ampliar a volatilidade nos mercados.

O ultimato, que já havia sido adiado quatro vezes desde 21 de março, estabelece que, sem um acordo até as 21h (horário de Brasília), os Estados Unidos poderão atacar de forma ampla a infraestrutura iraniana, incluindo pontes e usinas de energia. Trump afirmou ainda não se preocupar com possíveis acusações de crimes de guerra, argumentando que impedir o avanço nuclear do Irã seria prioritário.
No campo diplomático, uma proposta de cessar-fogo mediada pelo Paquistão foi rejeitada tanto por Washington quanto por Teerã, reduzindo as perspectivas de desescalada no curto prazo. Em resposta às ameaças, autoridades iranianas classificaram as declarações americanas como “delirantes” e reforçaram o discurso de mobilização nacional.
Enquanto isso, os combates seguem em intensificação. Bombardeios recentes na província de Alborz, próxima a Teerã, deixaram ao menos 18 mortos e 24 feridos, além de danos em áreas residenciais e instalações aeroportuárias. Também foram registrados ataques à Ilha de Kharg, centro estratégico responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo do Irã, incluindo ações contra instalações militares, como bunkers e sistemas de radar.
A ilha, localizada a cerca de 30 quilômetros da costa iraniana, é considerada ponto-chave no controle do Estreito de Ormuz. Segundo autoridades americanas, os ataques recentes não atingiram diretamente a infraestrutura petrolífera, embora a região tenha sido alvo de ofensivas aéreas desde o início do conflito.
Relatórios indicam ainda que o Irã reforçou suas defesas na região, com mobilização de tropas e preparação para uma possível tentativa de ocupação da ilha por forças americanas. Especialistas militares avaliam, no entanto, que uma operação terrestre envolveria riscos elevados, incluindo potenciais baixas significativas.
Paralelamente, ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel atingiram infraestrutura ferroviária em Kashan, enquanto Teerã recorreu à Unesco para denunciar ameaças a patrimônios considerados de relevância global, como a ferrovia trans-iraniana.
No plano interno, o governo iraniano intensificou o discurso de mobilização. O presidente Masoud Pezeshkian afirmou que milhões de cidadãos estariam dispostos a se voluntariar para o conflito, sinalizando preparação para um cenário de guerra prolongada.
A combinação de retórica agressiva, ataques em curso e ausência de avanços diplomáticos amplia o risco de uma escalada mais ampla no Oriente Médio, com potenciais repercussões diretas sobre o mercado global de energia, cadeias logísticas e a estabilidade geopolítica internacional.

