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Pobreza
Tragédia humana: quase metade dos potiguares vive na pobreza
RN foi 14º lugar entre as 27 unidades da federação e fica no meio do caminho entre pobreza e progresso, segundo dados
Douglas Lemos
01/07/2022 | 09:36

Quando o assunto é economia, o Rio Grande do Norte está, literalmente, no meio do caminho entre a miséria e a prosperidade. Quem diz isso é o Novo Mapa da Pobreza, publicado pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV/CPS) nesta semana. Das 27 unidades da federação, o RN encerrou o ano de 2021 como o 14º no ranking da proporção de população pobre. São 13 estados em situação pior que o RN e outros 13 com conjunturas econômicas melhores.

O estudo feito a partir de microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC) do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE) considera a renda per capita de R$ 497 por mês a preços do quarto trimestre de 2021 que corresponde a linha internacional de U$S 5,50 dia ajustada por Paridade de Poder de Compra (PPC) que é a linha mais alta usada na prática no Brasil. Segundo a pesquisa, pelo menos 42,86% dos potiguares poderiam ser considerados pobres em 2021.

O número, aliás, está acima da média nacional, de 29,62%. No entanto, vale ressaltar que houve crescimento em relação ao ano anterior; o levantamento aponta que em 2020 este índice era de 35,42%. Para Bruno Oliveira, cientista político, o empobrecimento populacional no RN é notável. “Basta andar nas ruas que a gente percebe isso”, defendeu.

No entanto, o estado é o último colocado do Nordeste no quesito. Todos os outros da região apresentaram índices de proporção de pobres maiores que o RN. Chama atenção o Maranhão, onde mais da metade da população (57,9%) tem renda mensal inferior ao valor estipulado pelo estudo. Santa Catarina (10,16%) apresentou a menor taxa do País.
No entanto, o cientista político defende que o aumento dos índices no estado não é um fenômeno isolado. “Aqui a gente sofre as consequências do que está acontecendo no Brasil e no mundo”, afirmou. Ele também defendeu que a pandemia do coronavírus teve influência.

“A circulação de dinheiro diminuiu, pessoas perderam emprego, governo federal teve, talvez, uma demora em relação a algumas atitudes que deveria ter sido mais enérgico, mais rápido como as vacinas. Faltou mais diálogo e união da classe política. Perderam muito tempo com questões políticas, questões menores e acabou tendo consequências. [No RN] Teve um momento em que era guerra de decretos. Governo decretava uma coisa, município decretava outra. E a gente no meio de um problema de saúde mundial”, completou.

MAIS FUNDO

O estudo também analisou a mudança da pobreza de 2019 a 2021, período que compreende o início da pandemia do coronavírus, cujo estado de alerta foi declarado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em março de 2020. Entre os estados impactados, o Rio Grande do Norte ficou na nona colocação. Neste período, o crescimento de potiguares com renda per capita de até R$ 497 por mês foi de 3,77%, sendo o quarto mais afetado da região Nordeste. Pernambuco (8,14%), Bahia (4,9%) e Maranhão (3,89%) tiveram impacto maior por conta da covid-19.

Em termos regionais, o estudo considerou ao menos cinco regiões do Rio Grande do Norte: Agreste, Central, Entorno Metropolitano de Natal, a capital potiguar e também a região Oeste. As cinco mesorregiões analisadas pela pesquisa englobam os 167 municípios do estado. De toda a população do Agreste potiguar, no biênio 2020-21, 52,62% eram enquadradas como pobres. Em seguida, aparecem a região Oeste (46,84%), Central (43,57%), do Entorno de Natal (35,35%) e da capital do estado (23,31%).

Considerando o período de 2019 a 2021 – que inclui a fase em que a pandemia iniciou – apenas Natal teve diminuição no índice de pessoas pobres (-2,13%). O Oeste do estado foi quem enfrentou as maiores consequências, com crescimento de 8,77% da taxa de pobreza. A desigualdade também foi sentida na região metropolitana (7,07%), no Agreste (4,16%) e no centro do RN (1,07%).

ÂMBITO NACIONAL

O contingente de pessoas com renda domiciliar per capita até R$ 497 mensais atingiu 62,9 milhões de brasileiros em 2021, cerca de 29,6% da população total do país. Este número em 2021 corresponde 9,6 milhões a mais que 2019, quase um Portugal de novos pobres surgidos ao longo da pandemia.
“A pobreza nunca esteve tão alta no Brasil quanto em 2021, desde o começo da série histórica em 2012, perfazendo uma década perdida. O ano de 2021 é ponto de máxima pobreza dessas séries anuais para uma variedade de coletas amostrais, conceitos de renda, indicadores e linhas de pobreza testados”, disse Marcelo Neri, diretor da FGV Social.l

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