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Marcelo Hollanda
Trabalhar no erro do adversário sempre foi estratégia para aqueles que não são considerados favoritos
Confira a coluna de Marcelo Hollanda desta sexta-feira (5)
Marcelo Hollanda
05/11/2021 | 08:33

Trabalhar no erro é da política
Trabalhar no erro do adversário sempre foi uma estratégia válida para aqueles que não são considerados favoritos no jogo.

No esporte é assim e na política também. Virar placares, no fim das contas, é o que leva grandes torcidas aos estádios.

Embora a sucessão de Bolsonaro em 22 já tenha começado, experientes players tentam antecipar jogadas como se estivessem disputando uma partida de xadrez.

Outros, menos aptos, já definiram sua estratégia por pura questão de sobrevivência. Ou seja, estão com os poderosos em absoluta subserviência.

Mas é nas quatro linhas – para usar essa expressão detestável – que acontece o jogo bruto, as caneladas, as entradas desleais.

É nesse jogo que os favoritos desmoronam e os azarões prosperam contra qualquer prognóstico.

Por isso, eleições, sejam elas majoritárias ou não, atraem tantos interessados.

É uma questão de poder ou a consolidação dele para efeito de mais poder.

É nessa cachaça viciante que repousam as democracias representativas.

No Brasil, onde a figura do presidente é quase uma divindade, tamanhos são os seus poderes, a ideia de estabelecer um mando político de longo prazo é o nome do jogo desde o fim do Império.

Graças a Deus, limitou-se modernamente a dois mandatos presidenciais, seguido de um super mandato de oito anos para a Câmara Alta (Senado) e vários outros de quatro anos para os demais, o que é uma infinidade interminável de políticos que vivem do ofício.

Se é bom ou ruim, trata-se de uma discussão recorrente, já que o Brasil é uma república presidencialista desde 1889, quando um golpe militar (sempre ele) extinguiu o Império e, por conseguinte, a monarquia parlamentarista.

O presidencialismo propriamente dito só apareceu na Constituição da República dois anos depois, já influenciada pela Constituição norte-americana promulgada um século antes.

O parlamentarismo chegou a dar o ar da graça por aqui em setembro de 1961 na forma de uma emenda à Constituição de 1946, mas só para resolver o problema político da posse do vice-presidente, João Goulart, com a renúncia de Jânio Quadros e visto como comunista pelos militares.

O resto da história a gente conhece: como é tradição, os milicos meteram o bedelho e a pretexto de organizar a casa ficaram 21 anos no poder entre 1964 e 1985.

Com a volta dos civis ao poder, toda a vez que se falava em parlamentarismo a esquerda (então no poder) esperneava e associava sua simples menção a uma tentativa de golpe.

Agora com Bolsonaro na presidência faz três anos, parece claro que, antes de qualquer coisa, o parlamentarismo é uma necessidade.

Viva o chefe!
Uma das razões pelas quais o presidente Jair Bolsonaro é tão querido, venerado e bajulado entre seus amigos e apoiadores decorre de sua infinita generosidade. Ele acaba de pedir à Apex-Brasil que abra uma vaga para acolher seu médico pessoal no escritório da agência de promoção comercial brasileira em Miami. O sortudo, que conta com a estima presidencial, é Ricardo Camarinha, que trabalha na Presidência e atende diretamente o presidente na qualidade de assessor especial. O rapaz quer se mudar para os Estados Unidos por motivos de família. O problema é que sem trabalho, obter um visto de residência é complicado. E é aí que o pistolão entra.

Tô podendo!
A história está na Folha de S.Paulo. Para driblar os óbices, Bolsonaro acionou o chefe da unidade da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos em Miami, o general da reserva Mauro Cesar Lourena Cid, um de seus mais próximos colegas da turma de 1977 da Academia das Agulhas Negras. E nem precisaria, já que é o presidente mesmo.

Desculpa
A Folha, é claro, questionou a Apex sobre a indicação e teve como resposta a pérola de que “mesmo antes da pandemia, já vinha trabalhando para fortalecer a base industrial de saúde, seja com ações de promoção comercial, seja de atração de investimentos estrangeiros diretos”. O argumento usado foi o seguinte: “A agência pretende reforçar a atuação de sua rede de escritórios internacionais nesse campo. Esse reforço deverá incluir a contratação de profissional especializado, mas ainda não há definição de nomes”. Claro que já escolheu.

Expofruit
Um cálculo preliminar indica que, com mais de 90% dos estandes vendidos, a Feira Internacional de Fruticultura Tropical Irrigada – Expofruit 2021 – promete reeditar os anos de pré-pandemia. A feira acontece de 24 a 26 de novembro e espera receber mais de 15 mil pessoas nos três dias de evento, movimentando pelo menos R$ 60 milhões em negócios. São 360 estandes distribuídos numa área de 15 mil m².

Prejuízos
O iFood promete ressarcir os restaurantes que tiveram pedidos cancelados esta semana depois que um bolsonarista com acesso privilegiado substituiu os nomes de alguns estabelecimentos por frases pró-Bolsonaro na tela do aplicativo. A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) está calculando uma compensação financeira e segurança de dados do IFood, que precisa urgentemente repensar esse modelo.

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