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Investigação

Toffoli confirma que foi sócio de resort, mas diz que não era amigo nem recebeu dinheiro de Vorcaro

Ministro afirma que recebeu dividendos de empresa familiar, mas diz que desconhecia gestor de fundo ligado a Daniel Vorcaro e que nunca recebeu valores do banqueiro
Redação
12/02/2026 | 10:41

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli confirmou que integra o quadro societário da empresa Maridt, que foi uma das proprietárias do resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR). A informação havia sido antecipada pela coluna da jornalista Mônica Bergamo.

Em nota, o magistrado declarou que a empresa familiar participou do grupo Tayayá até 21 de fevereiro de 2025. Antes disso, em 27 de setembro de 2021, a Maridt vendeu parte de sua participação ao fundo Arleen — apontado como integrante da estrutura empresarial ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, investigado por supostas irregularidades envolvendo o Banco Master. Posteriormente, segundo o ministro, o restante das cotas foi alienado à empresa PHD Holding.

Dias Toffoli
O ministro Dias Toffoli durante sessão no STF; magistrado confirmou participação societária em empresa ligada a resort no Paraná e negou vínculo com banqueiro investigado Foto: Luiz Silveira/STF

Toffoli reconheceu que recebia dividendos da Maridt, mas afirmou que nunca soube quem era o gestor do fundo Arleen. Ele também negou qualquer relação pessoal com Vorcaro. Segundo a nota, “jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima” com o banqueiro. O ministro acrescentou que nunca recebeu valores nem de Vorcaro nem de seu cunhado, Fabiano Zettel.

A Polícia Federal encaminhou ao STF relatório com mensagens trocadas entre Vorcaro e Zettel nas quais há menções a pagamentos à Maridt. As transferências, segundo a investigação, estariam relacionadas à aquisição do resort. Zettel, casado com Natália Vorcaro, irmã do banqueiro, chegou a ser detido pela PF e é apontado como responsável pela gestão financeira do grupo.

O documento foi entregue ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, que compartilhou o material com outros integrantes da Corte e solicitou esclarecimentos a Toffoli. A PF pediu a suspeição do ministro para continuar na relatoria das investigações sobre o Banco Master. O caso ainda está em análise.

Na manifestação, Toffoli explicou que a Maridt é uma sociedade anônima de capital fechado, conforme a Lei 6.404/76, com registros na Junta Comercial e declarações anuais à Receita Federal. Por esse modelo societário, os nomes dos acionistas não constam em registros públicos amplamente acessíveis.

O ministro ressaltou que, de acordo com a Lei Orgânica da Magistratura (Lei Complementar 35/1979), magistrados podem integrar o quadro societário de empresas e receber dividendos, desde que não exerçam funções de gestão. Segundo ele, a administração da Maridt era feita por dois de seus irmãos.

Toffoli também afirmou que todas as operações foram declaradas à Receita Federal e realizadas dentro do valor de mercado. Destacou ainda que a ação relacionada à compra do Banco Master pelo BRB foi distribuída a ele em 28 de novembro de 2025, quando a Maridt já não integrava mais o grupo responsável pelo resort.

Leia a íntegra da nota enviada pelo ministro Dias Toffoli:

A Maridt é uma empresa familiar, constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado, prevista na Lei 6.404/76, devidamente registrada na Junta Comercial e com prestação de declarações anuais à Receita Federal do Brasil.

Suas declarações à Receita Federal, bem como as de seus acionistas, sempre foram devidamente aprovadas.

O Ministro Dias Toffoli faz parte do quadro societário, sendo a referida empresa administrada por parentes do Ministro.

De acordo com a Lei Orgânica da Magistratura, no artigo 36 da Lei Complementar 35/1979, o magistrado pode integrar o quadro societário de empresas e dela receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado praticar atos de gestão na qualidade de administrador.

A referida empresa foi integrante do grupo Tayaya Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025. A participação anteriormente existente foi integralmente encerrada por meio de duas operações sucessivas, sendo a primeira a venda de cotas ao Fundo Arllen, em 27 de setembro de 2021, e a segunda a alienação do saldo remanescente à empresa PHD Holding, em 21 de fevereiro de 2025.

Deve-se ressaltar que tudo foi devidamente declarado à Receita Federal do Brasil e que todas as vendas foram realizadas dentro de valor de mercado.

Todos os atos e informações da Maridt e de seus sócios estão devidamente declarados à Receita Federal do Brasil sem nenhuma restrição. A ação referente à compra do Banco Master pelo BRB foi distribuída ao Ministro Dias Toffoli no dia 28 de novembro de 2025.

Ou seja, quando há muito a Maridt não fazia mais parte do grupo Tayaya Ribeirão Claro. Ademais, o Ministro desconhece o gestor do Fundo Arllen, bem como jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro. Por fim, o Ministro esclarece que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel.