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Mobilização
Tensão na Tailândia aumenta às vésperas de grande manifestação pró-democracia
Slogans e insultos contra a monarquia, intocável até recentemente, agora proliferam. A polícia não hesita em usar canhões de água e gás lacrimogêneo. Na semana passada, seis pessoas foram feridas por tiros, cuja origem não foi determinada
Estadão
24/11/2020 | 13:24

A tensão aumenta na Tailândia entre manifestantes pró-democracia, autoridades e ultra-monarquistas, na véspera de outra grande mobilização planejada em Bangcoc, após quatro meses de revolta.

“Estamos iniciando uma nova era na nossa luta (…) um compromisso não é mais possível”, alertaram os líderes da revolta.

Nos quatro meses de mobilização, eles conseguiram convocar até 30 mil pessoas em Bangcoc, algo nunca visto desde o golpe de 2014 do general Prayut Chan-O-Cha.

A situação endureceu. Slogans e insultos contra a monarquia, intocável até recentemente, agora proliferam. A polícia não hesita em usar canhões de água e gás lacrimogêneo. Na semana passada, seis pessoas foram feridas por tiros, cuja origem não foi determinada.

O movimento pró-democracia agora tem uma base sólida nas ruas e nas redes sociais.

Os “camisas vermelhas” ligados ao ex-primeiro-ministro exilado Thaksin Shinawatra poderiam se juntar ao movimento, algo que até agora hesitam em fazer.

Mas para Siripan Nogsuan Sawasdee, professor de Ciência Política da Universidade Chulalongkorn em Bangcoc, os manifestantes, se desejam atrair mais pessoas, “devem se organizar em torno de líderes únicos e priorizar suas demandas” (renúncia do primeiro-ministro, reforma da Constituição, reforma da monarquia, do sistema educacional).

Nenhuma delas foi atendida até agora, e o Parlamento se pronunciou apenas a favor da criação de uma assembleia constituinte que não faria grandes mudanças.

Mas a revolta “permitiu o surgimento de uma nova cultura política que impulsiona o reino para uma liberdade de expressão sem precedentes”, enfatiza Siripan Nogsuan Sawasdee.

Autoridades dão a impressão de estarem improvisando
As autoridades têm alternado medidas, dando a impressão de uma certa improvisação, com medidas de emergência proclamadas e retiradas, ou prisões seguidas de libertação dos líderes da revolta.

“Navegam sem instrumentos”, ilustra Paul Chambers, da Universidade de Naresuan.

Ao contrário dos movimentos anteriores, a maioria dos manifestantes são jovens urbanos das classes média e rica, dançando ao ritmo do K-pop sul-coreano. Muitos são mulheres. Enfrentá-los diretamente pode prejudicar a reputação internacional do país.

No entanto, as autoridades exercem a ameaça do artigo 112 sobre crimes de lesa-majestade, que pune qualquer insulto ao rei com até 15 anos de prisão e que não tem sido utilizado nos últimos anos.

“Os limites foram excedidos”, advertiu Prayut Chan-O-Cha.

Ofensiva real

O rei Maha Vajiralongkorn, cujos discursos públicos até então eram extremamente raros, agora multiplica suas aparições, dialogando com seus apoiadores e enviando mensagens de “amor” aos tailandeses.

Mas isso dificilmente será suficiente para apaziguar os insatisfeitos.

Rama X, que subiu ao trono em 2016, é uma personalidade imprevisível que reforçou seus poderes controlando diretamente a fortuna real, bem como duas unidades do exército.

Suas frequentes viagens à Alemanha levantam dúvidas, pois muitos o censuram por não ter se preocupado com seus cidadãos desde o início da pandemia.

Saída violenta?

Esta hipótese é considerada cada vez mais plausível pelos observadores.

A Tailândia é um país que sofreu pelo menos quatro repressões sangrentas nos últimos 50 anos (1973, 1976, 1992, 2010).

Como já aconteceu no passado, “grupos ultramonárquicos de direita são formados para perseguir os manifestantes” e agir como provocadores, de acordo com Paul Chambers.

Um golpe também é possível neste país que já viu uma dúzia desde 1932.

No curto prazo, uma das formas de diminuir a tensão seria o Tribunal Constitucional pronunciar-se no dia 2 de dezembro sobre a saída de Prayut Chan-O-Cha, acusado de ter ocupado uma residência militar quando não era mais comandante do exército.

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