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Editorial
Tempos de desconfiança
Redação
27/02/2020 | 00:05

Quando, finalmente, o governo Jair Bolsonaro enviar a reforma administrativa ao Congresso, o que promete fazer agora depois do Carnaval, subirão os ressentimentos e desconfianças entre os diferentes setores do serviço público.

Esse clima ruim, que já existe e não é de hoje, refere-se a discrepâncias históricas, que, nos últimos anos, distanciaram ainda mais as castas privilegiadas do funcionalismo federal e estadual do resto do funcionalismo, que ganha pouco e trabalha em condições às vezes lastimáveis.

Situação esta que piorou no governo Bolsonaro, cuja empatia com setores das Forças Armadas deve se refletir na manutenção de alguns privilégios por ocasião da reforma administrativa no Congresso Nacional.

Juntando esses aos demais (privilégios) existentes, onde a isonomia passou longe, o que temos é uma relação conturbada e que, na semana passada, atingiu seu auge exótico com o episódio entre o agressivo senador Cid Gomes e grevistas criminosos no Ceará.

A decisão de Romeu Zema (Novo), governador de Minas Gerais, de propor aumento dos salários de todas as categorias das polícias civil e militar, bombeiros e agentes penitenciários para além do que seria razoável a um erário quebrado, agravou a situação ao provocar um efeito cascata que põe em risco o ajuste fiscal planejado pelo governo federal.

Somando-se às manifestações de caráter militarizante do governo central e a participação oportunista de alguns políticos, que entraram com um boletim de ocorrência contra Cid Gomes, traduzindo assim o seu apoio à ação criminosa (e encapuzada) dos grevistas cearenses, está criada a tempestade perfeita.

O problema é que o temporal prestes a desabar é de chuva ácida, com poder de corroer as instituições e a própria governabilidade nos estados, uma vez que aprisiona os governadores à chantagem armada de corporações instaladas no seio da segurança pública.

Além disso, abre uma porta gigantesca para o fortalecimento das milícias no seio das tropas, algo que já é uma questão delicada hoje, na medida que contamina os bons frutos com aqueles podres que sempre existem em qualquer profissão.

Nunca é suficiente repetir:

Greves de policiais são proibidas pela Constituição, numa decisão ratificada pelo Supremo Tribunal Federal. Os salários nesse setor podem não ser bons em muitos casos, mas são imensamente superiores à média salarial da população brasileira.

Os tempos são de crise, mas também são de desconfiança.

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