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Mundo
Taleban captura cidade-chave no nordeste do Afeganistão e já controla 4 capitais
Importante centro urbano, Kunduz também é rota de passagem para regiões ricas em minério
REUTERS e AFP
08/08/2021 | 12:03

O grupo fundamentalista Taleban deu neste domingo, 8, um dos passos mais importantes até agora na ofensiva militar para tomar o controle do Afeganistão ao subjugar a cidade de Kunduz, grande centro urbano a nordeste do país. Os rebeldes também tomaram a cidade de Sar-e Pol, no norte.

As novas conquistas territoriais mostram que o grupo tem ganhado espaço de forma acelerada, já que em apenas três dias reivindicaram o controle de quatro capitais de províncias, a primeira delas na sexta-feira, 6.

A captura de Kunduz foi considerada estratégica por ser o principal ponto de passagem para as regiões ricas em minério no norte do país, além de ser um importante centro urbano, com 375 mil habitantes.

Forças de segurança do Afeganistão patrulham Kunduz, cidade que foi tomada pelo Taleban neste domingo – 19.mai.2020/AFP
“Confrontos pesados começaram ontem [sábado] à tarde. Toda a sede do governo está sob controle do Taleban, somente a base do exército e o aeroporto estão com as Forças Nacionais de Segurança e Defesa, que estão resistindo”, afirmou Amruddin Wali, membro do governo local. O porta-voz do Taleban Zabijullah Mujahid afirmou que o grupo está prestes a tomar também o aeroporto.

A cidade estava cercada pelo grupo armado havia semanas, e os combates começaram na noite de sexta-feira, com morteiros e armamento pesado, que foram respondidos pelo governo com ataques aéreos. Autoridades de saúde em Kunduz disseram que 14 corpos, incluindo de mulheres e crianças, além de 30 feridos, foram levados ao hospital neste domingo.

Em Sar-e Pol, capital da província de mesmo nome, o grupo tomou conta da sede do governo local, da residência oficial do governador e do comando da polícia. Uma base do exército foi cercada.

A ofensiva do Taleban começou há três meses, quando insurgentes decidiram retomar à força o controle do país que governaram entre 1996 e 2001. O avanço começou após o anúncio dos Estados Unidos de que vão retirar tropas do Afeganistão, depois de 20 anos de ocupação. Desde maio, o grupo assumiu o controle de vastas zonas rurais e postos de fronteira cruciais em ataques relâmpagos iniciados após o anúncio da retirada das tropas internacionais, que deve ser concluída em 31 de agosto. A saída dos americanos foi criticada pelo governo de Ghani, que culpou os EUA pelo avanço militar inimigo.

Depois de encontrar pouca resistência nas zonas rurais, o Taleban direcionou a ofensiva para os grandes centros urbanos, cercando várias capitais de província.

Na sexta-feira, 6, o grupo já tinha tomado a primeira capital de província, Zaranj, capital de Nimroz, no sudoeste do estado e próximo à fronteira com o Irã. Não houve grande resistência das forças afegãs, que estão espalhadas pelo país na tentativa de defender outras cidades. A cidade em si tem pouca importância estratégica, mas acendeu o alarme de governadores em todas as regiões.

Em menos de 24 horas o grupo afirmou que capturou Sheberghan, capital de Jawzjan, após confrontos intensos. A informação foi confirmada também por políticos da província, mas as forças de segurança do país ainda negam que os rebeldes tenham tomado controle, afirmando que continuam na cidade.

Chama atenção o avanço do grupo em direção ao norte, distante de seu reduto tradicional, ao sul, e próximo de parceiros comerciais tradicionais do país, como o Turcomenistão, o Tajiquistão e o Usbequistão.

Neste domingo, policiais e autoridades disseram também que Taloqan, capital da província de Takhar, ainda no norte do país, também está sob pressão do grupo armado.

O Taleban também tem feito ataques na capital, Cabul, o que preocupa ainda mais o governo do presidente Ashraf Ghani, que foi eleito democraticamente e tem apoio de países do Ocidente.

No sábado, o grupo matou um piloto da Força Aérea, Hamidullah Azimi, com uma bomba implantada em seu carro, na capital do país. Segundo autoridades, cinco pessoas ficaram feridas. Azimi havia sido treinado pelos militares americanos e serviu na Força Aérea por quatro anos.’

O Taleban assumiu o ataque. Segundo a agência de notícias Reuters, o atentado faz parte de uma campanha do grupo para matar militares afegãos treinados pelos Estados Unidos —sete pilotos já foram mortos. A Força Aérea do Afeganistão tem tido papel essencial para conter o grupo com bombardeios aéreos, já que o Taleban não tem aeronaves.

Na sexta, os militares já haviam assassinado, na capital, o chefe do Centro de Mídia e Informação do governo central, Dawa Khan Menapal. Na quinta, o chefe do distrito de Sayed Abad foi assassinado também em Cabul. Dois dias antes, o Taleban atacou a residência do ministro da Defesa, o general Bismillah Mohammadi, que deixou oito mortos —o ministro sobreviveu.

Os episódios fazem parte de uma série de assassinatos cometidos pelo grupo fundamentalista islâmico para enfraquecer Ashraf Ghani. Dezenas de ativistas, jornalistas, funcionários públicos e juízes que lutaram para manter o atual regime foram mortos pelo Taleban nas últimas semanas.​

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