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Marcelo Hollanda
Styvenson ascendeu rápido na política, mas não foi o único
Confira a coluna de Marcelo Hollanda desta terça-feira 14
Marcelo Hollanda
14/12/2021 | 09:07

Novo hoje, velho amanhã
Este ano, Styvenson Valentim escancarou sua decepção com Bolsonaro.

Em parte, por ter um longo mandato pela frente no Senado e vislumbrar uma existência política depois do desastre protagonizado pelo capitão.

Em parte, por não estar na Câmara, onde o orçamento secreto campeia, corrompendo políticos no varejo e no atacado.

Em parte, por decepção mesmo.

Styvenson ascendeu rápido na política, mas não foi o único.

Joice Hasselmann (PSL) obteve mais de 1 milhão de votos, levando no vácuo Celso Russomanno (PRB) e Kim Kataguiri (DEM), líder do MBL (Movimento Brasil Livre), duas personalidades completamente diferentes.

Mas, em comum, apoiadores de Bolsonaro.

Até quem era visceralmente contra o capitão também se deu bem, como Jean Wyllys (PSOL) com 24,3 mil votos, puxado por seu colega de partido Marcelo Freixo com 342 mil votos no Rio de Janeiro.
Amor e ódio a Bolsonaro atuaram como vetores num ano de eleição que promete não se repetir, se Deus quiser.

Mas os bolsonaristas ganham mais. São tantos que citá-los preencheria a coluna toda e algumas outras.

Fundamentalmente, Valentim se elegeu na esteira no discurso contra a “velha política”, a mesma encampada por Bolsonaro na campanha e aceita sem muito questionamento, a despeito dos 28 anos de baixo clero e de seus três filhos beneficiários.

Styvenson à época no Rede Sustentabilidade, da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, foi eleito com 745.827 votos ou 25,63% do total para o Senado. Uma tremenda votação para quem até outro dia distribuía multas e apreensões a motoristas bêbados.

Hoje no Podemos, do ex-governador do Paraná Álvaro Dias, Styvenson trocou o bolsonarismo pelo Morismo do ex-juiz Sérgio Moro, e logo estará se lançando ao governo do Estado por não ter absolutamente nada a perder com isso.

É uma onda e ele tem braços literalmente musculosos para nadar nela.

Alternando ternos, camisetas justas e uma visão idealizada da política, Valentim faz parte de uma camada de jovens políticos de direita que ainda precisa compreender o que está acontecendo em seu país.

Que o discurso da anticorrupção não será suficiente para tirar o Brasil do buraco em que Bolsonaro o meteu em apenas três anos de pura destruição.

Baixo crescimento da produtividade, renda despencando, subempregos se multiplicando, desindustrialização, inflação galopante, fome em crescimento exponencial e as instituições fragilizadas pelo aparelhamento e ataques seguidos desferidos por presidente gastador e disfuncional, é apenas o começo dos nossos problemas.

Styvenson tem razão de estar decepcionado com Bolsonaro, mas pelos motivos errados e não os que o conduzem agora para os braços de outra farsa.

No entanto…
O céu está repleto de boas almas. O caminho do aprendizado é uma vida. Imaginar que a política é feita de bons propósitos é supor que a negociação política começou ontem e no Brasil.
Sérgio Moro se instalou no governo Bolsonaro achando que o capitão seria o que exatamente parece ser: um bobalhão. Ledo engano. É um autocrata com todos os tiques de um ditador. Já Moro tem tudo a ver com a eleição dele e a mistificação conhecida como “nova política”.

Mistificação
Não existe “novo” no mundo. Porque o novo fica velho sempre. O cabelo nos ombros sempre cede lugar à calva e os revolucionários viram na melhor das hipóteses conservadores quando não reacionários ensandecidos. Como dizia Paulo Leminski, o genial escritor paranaense morto no fim dos anos 1980, é quando o tesão vira tese. E os homens ficam parecidos com os seus pais.

Eterno retorno
É a lei do eterno retorno de Nietzsche, o filósofo, que inspirou o livro de Milan Kundera “A insustentável leveza do ser”. Difícil citar autores sem parecer um cretino, mas a ideia rasa aqui é passar a obviedade de que o novo não existe por ser uma repetição do velho, inúmeras vezes repaginada ao longo da história. Corrupção não se combate apenas com desejo, mas com uma Constituição e instituições fiéis a esta Constituição. No caso do Brasil, não resta dúvida que, apesar dos muitos problemas, há uma Carta digna a ser preservada. O problema são os indignos que trabalham para destruir tudo e impor o passado conveniente.

Metamorfose
Sérgio Moro disse mais de uma vez que não seria um político. E hoje o que ele é? Outros políticos já mentiram, mas já eram políticos quando mentiram. Sérgio Moro era um juiz que teve interferência direta (como juiz) na eleição do candidato ao qual viria a servir uma vez no poder. E não serviu apenas a este candidato: depois de cair em desgraça, serviu a uma empresa que servia outras empresas destruídas por ele na Operação Lava Jato. Ou seja, Moro é a farsa que conduziu à outra farsa que quer conduzir a outra farsa. Ele é a Lei do eterno retorno em pessoa. Kundera, que ainda vive aos 92 anos, se tivesse paciência, bem poderia esquecer Nietzsche e se inspirar em Sérgio Moro, essa metamorfose ambulante (olha o Raul Seixas ai).

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