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Pandemia
Sobreviventes do Holocausto são vacinados em Dia da Memória; 900 morreram por Covid-19 em Israel
Na Áustria, a expectativa era a de que mais de 400 sobreviventes, a maioria na casa dos 80 ou 90 anos, recebessem a primeira dose em um centro de convenções em Viena
Estadão
27/01/2021 | 18:15

Centenas de sobreviventes do Holocausto foram vacinados na Áustria e na Eslováquia nesta quarta-feira, 27, Dia Internacional da Memória do Holocausto, em reconhecimento ao sofrimento e à resiliência da comunidade judaica durante a 2ª Guerra. O Escritório Central de Estatísticas de Israel revelou que 900 sobreviventes do genocídio nazista morreram em 2020 em consequência da Covid-19.

Na Áustria, a expectativa era a de que mais de 400 sobreviventes, a maioria na casa dos 80 ou 90 anos, recebessem a primeira dose em um centro de convenções em Viena. Alguns foram trazidos de ônibus ou de ambulância, enquanto outros chegaram ao local de metrô ou acompanhados pelos filhos.

“Devemos isso a eles”, disse a organizadora da campanha de vacinação de Viena, Erika Jakubovits. “Eles sofreram tantos traumas e se sentiram ainda mais inseguros durante esta pandemia.”

Jakubovits organizou a campanha de vacinação com o apoio do Ministério da Saúde austríaco e trabalhadores da cidade de Viena. Doze médicos, todos membros da comunidade judaica vienense, se ofereceram para administrar injeções em judeus mais idosos.

Alguns dos 8 mil membros da comunidade judaica de Viena foram vacinados em dezembro, quando os residentes de um asilo judeu receberam suas primeiras doses, disse Jakubovits.

Em um projeto semelhante ao de Viena, a comunidade judaica de Bratislava, na Eslováquia, também vacinou sobreviventes do Holocausto na quarta-feira. Cerca de 128 sobreviventes receberam a primeira dose do imunizante no centro comunitário judaico da Bratislava. Outros 330 sobreviventes de todo o país receberão suas doses nos próximos dias.

“Estamos muito, muito gratos que as vacinações estão ocorrendo neste dia simbólico”, disse Tomas Stern, o chefe da comunidade judaica em Bratislava. “Cada um deles tem uma história humana que é ampliada pela experiência da guerra, quando eles e suas famílias foram expostos à perseguição, mas também ao isolamento que nós, quando falamos de isolamento hoje, não podemos imaginar.”

A sobrevivente Viera Fischerova, de 77 anos, disse que tinha um 18 meses quando sua família foi descoberta na clandestinidade – o que ela só ouviu de seus parentes porque era muito jovem para se lembrar.

“Todos os que sobreviveram tiveram de ter sorte e eu tive sorte pelo menos três vezes”, contou. O coronavírus não era nada em comparação, mas era melhor não arriscar”, disse. “Essa (vacinação) é a última chance de vencer a covid, é preciso tentar.”

No início desta semana, o presidente do Congresso Judaico Europeu pediu a todos os países da União Europeia que garantam aos sobreviventes do Holocausto acesso às vacinas contra o coronavírus o mais rápido possível.

900 mortes

Israel, pátria de 197 mil sobreviventes do Holocausto, tem uma das campanhas de vacinação mais rápidas do mundo. Mais de 80% das pessoas com mais de 70 anos receberam pelo menos uma dose da vacina e quase 60% receberam a segunda dose. Por isso, as autoridades afirmaram que não havia necessidade de destacar os sobreviventes do Holocausto.

Antes do início da vacinação, no entanto, a covid-19 matou cerca de 900 sobreviventes do Holocausto no país. Ao menos 5.300 sobreviventes contraíram a doença, informou o escritório nacional de estatísticas de Israel.

Dia da Memória

Ao todo, cerca de 6 milhões de judeus europeus e milhões de outras pessoas foram mortos pelos nazistas. Em 2005, as Nações Unidas designaram 27 de janeiro como o Dia Internacional da Memória do Holocausto.

A maioria das comemorações do Dia da Memória foram realizadas online este ano em razão do avanço do vírus, incluindo a cerimônia anual realizada no antigo campo de extermínio de Auschwitz, onde as forças alemãs nazistas mataram 1,1 milhão de pessoas. O memorial está fechado para visitantes por causa da pandemia.

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