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Coluna
Ser parente de um marechal morto é mais vantajoso, no Brasil, do que ser general da ativa
Confira a coluna de Marcelo Hollanda desta terça-feira 20
Marcelo Hollanda
20/07/2021 | 09:51

Lalau é o cara, pode acreditar

Diz a revista Piauí, especializada em assuntos desagradáveis da República, que uma das pensões mais caras pagas pelo Ministério da Defesa vai hoje para os parentes de marechais falecidos, mesmo que não tenham participado de nenhuma guerra.

No ano passado, esses sortudos receberam em média R$ 16 mil por mês, umas dez vezes o salário pago a um soldado de segunda classe.

Quer dizer, ser parente de um marechal morto é mais vantajoso no Brasil do que ser general da ativa, cujo salário-base é de R$ 13,4 mil.

Os dados têm como origem primária o Portal da Transparência e foram divulgados no final do mês passado depois que a agência “Fique Sabendo” cobrou exaustivamente do Tribunal de Contas da União a publicidade das informações.

Não são exclusividades dos militares essas bondades com dinheiro público, mas certamente elas chamam mais atenção agora depois que o presidente Bolsonaro entupiu o governo com milicos da ativa e da reserva, criando em torno deles paredes de proteção.

A União gastou no ano passado R$ 9,7 bilhões líquidos com pensões de filhos, enteados e netos de militares falecidos, o que deixa essa conta mais indigesta para um país onde milhões de pessoas não sabem se vão comer e o que nas 24 horas de um dia.

Somem-se a isso benesses variadas para setores amigos do governo – e eles são de uma variedade impressionante – para concluir que os exageros ganharam um novo significado no Brasil.

Têm madeireiros, garimpeiros, GACs (atiradores), grileiros de terra e, claro, o pessoal do “ogronegócio”, que é muito diferente do agronegócio.

Stanislaw Ponte Preta, pseudônimo do jornalista Sérgio Porto, morto em 1968 e especializado nas piadas prontas do regime militar, o que lhe valeu a série de três livros intitulados de “Febeapá – Festival de Besteiras de Assola o País”, é hoje um cadáver renovado.

“Restaure-se a moralidade ou locupletemo-nos todos!” – declarou ele acerca do que se passava no país naquela época esverdeada.

Não é que 53 anos depois estamos vivendo tudo novamente, Lalau!

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