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Entregas
Senta e espera
Durante a pandemia, um número crescente de consumidores no Rio Grande do Norte vem amargando longos atrasos em suas encomendas e o Agora RN foi saber o que acontece; Correios alegam que houve alta expressiva no número de encomendas no primeiro semestre e confirmam ampliação de prazos na entrega nos serviços de Sedex e PAC
Marcelo Hollanda
30/07/2020 | 01:00

Quem mora no Rio Grande do Norte e comprou qualquer produto em São Paulo ou no Rio pela internet recentemente, pode esperar sentado. Durante a pandemia do coronavírus, um número crescente de consumidores vem amargando atrasos de mais de um mês em suas encomendas, fazendo com que muitas plataformas de venda pela internet enviem para o Nordeste produtos com preço atrativos, mas prazos de entrega superiores a três meses.

É o caso de Roberto, estudante universitário, que encomendou um Ipod pela metade do preço no começo de julho, mas já foi comunicado que só receberá a mercadoria em algum dia de outubro que ele ainda não sabe qual.

Compradores ouvidos pelo Agora RN em Natal disseram que ao rastrear suas encomendas pelo site pu aplicativo dos Correios, avistam suas compras deixando rapidamente a origem, chegando ao Centro de Distração em Recife, a partir de onde já não se sabe de mais nada. “É provável que já tenha chegado a Natal, mas está tudo acumulado por falta de gente”, diz um funcionário na entrada do Centro de Encomendas e Entregas dos Correios (CEE), em Lagoa Nova.

Para esclarecer os atrasos, o Agora RN enviou por e-mail esta semana 10 perguntas à superintendência estadual dos Correios, indagando desde o contingente de servidores ativos na pandemia, volume médio de correspondências entregues nos últimos meses, número de trabalhadores afastados pela crise sanitárias, entre outras questões.

A assessoria de imprensa dos Correios respondeu parcialmente a apenas duas das perguntas formuladas, nas quais, na primeira, estimou um crescimento de 20% nas encomendas em comparação ao primeiro semestre do ano passado e, na outra, falou vagamente sobre a negociação com sua força de trabalho, estimada por volta de 1.400 servidores, segundo estimativa do sindicato da categoria.

Ainda sobre esta última questão, afirmou que “para lidar com a demanda, foi contratada mão de obra temporária e ampliaram-se os prazos de entrega para previstos para o Sedex e Pac em três dias, que podem sofrer ajustes conforme o impacto da pandemia em determinadas regiões”.

Com um indicativo de greve nacional dos Correios marcada para o dia 4 de agosto, a mensagem dos Correios afirma apenas que as negociações em andamento, no contexto atual de pandemia, “nos obrigam a planejar a estratégia financeira da empresa, priorizando sua sustentabilidade de longo prazo e, especialmente, a manutenção dos empregos de todos”.

Ouvido pelo Agora RN nesta quarta-feira (29), o presidente do sindicato da categoria, José Edilson Silva, o Edson Shampoo, afirmou que a categoria abriu mão de um aumento salarial em favor da manutenção de 79 cláusulas do acordo coletivo da categoria construídas ao longo dos últimos 30 anos.

Questões como o pagamento do plano de saúde, que já foi integralmente dado pelos Correios aos trabalhadores, que hoje pagam a metade e cuja proposta da empresa é para que paguem integralmente, estão entre as muitas pautas debatidas.

Sobre os atrasos nas entregas dos Correios, ele atribuiu a interdição temporária de vários Centros de Triagem distribuídos por diferentes bairros de Natal toda vez que se descobria um novo caso de coronavírus entre os funcionários, obrigando a paralisação por 48 dos serviços e a desinfecção do local. “Isso aconteceu em seis Centros de Distribuições (CDDs) de Natal e Mossoró, entre eles Parnamirim, Ribeira e na Cidade da Esperança”, afirma Shampoo.

Segundo o sindicalista, que participa das negociações nacionais da categoria, outro problema que contribuiu para travar os serviços foi o total descaso da direção dos Correios com o fornecimento de equipamentos de proteção individuais (EPIs) aos trabalhadores e a adequação dos espaços aos protocolos sanitários. “Quando se via que um espaço não era adequado ao trabalho por favorecer a expansão do vírus, tínhamos de recorrer à justiça que a empresa tomasse providências”, afirma. Segundo ele, só nos últimos meses da pandemia, foram mais de 10 ações, algumas ganhar e outras procrastinadas.

O sindicalista ainda se queixou do acolhimento da pauta dos trabalhadores junto ao presidente nacional dos Correios, general Floriano Peixoto Vieira Neto, que, segundo Shampoo, não gosta de negociar, mas apenas impor, “como se ainda vivêssemos na época da ditadura militar”.

Os Correios têm quase 100 000 funcionários, 6  mil agências no país e um faturamento de R$ 18 bilhões, mas enfrentam uma crise financeira e, desde a eleição do presidente Jair Bolsonaro, a proposta de privatizar o serviço ganhou força.

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