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Sucessão
Senadores do RN criticam disputas para eleição na presidência da Casa
Jean Paul Prates e Styvenson Valentim avaliam que há uma “pressa” do presidente Bolsonaro para definir o sucessor de Davi Alcolumbre (DEM)
Redação
15/12/2020 | 06:10

As discussões sobre a votação para a presidência do Senado têm atrapalhado o andamento de pautas importantes do Congresso, segundo a avaliação dos senadores potiguares Jean Paul Prates (PT) e Styvenson Valentim (Podemos). Os dois questionam a “pressa” do presidente Jair Bolsonaro (Sem partido) em definir o sucessor de Davi Alcolumbre (DEM), o atual presidente da Casa.

“Quanto à possibilidade de o Governo fazer o presidente do Senado, é preciso considerar que essa estratégia está normalmente ligada à que é feita na Câmara [Federal]. O que a gente pode ver é que o Governo, que tinha uma articulação política muito fraca, tenta agora, à custa de cargos, cooptar apoios. Se isso vai funcionar, vamos ver. Mas essa prática, normalmente, nunca deu muito certo”, condena Jean Paul Prates.

Atualmente, a pouco mais de 60 dias do pleito no Senado, mais de 10 nomes tentam se viabilizar como candidatos. O número elevado de postulantes mostra que o governo federal não terá vida fácil para garantir um aliado na liderança da Casa. No entanto, o fortalecimento de uma candidatura requer muito diálogo e habilidade política.

Estão na disputa quatro nomes do MDB (Eduardo Braga, Simone Tebet, Fernando Bezerra e Eduardo Gomes), três do PSD (Nelsinho Trad e Lucas Barreto), além de Rodrigo Pacheco (DEM), Daniella Ribeiro (PP), Major Olímpio (PSL) e Álvaro Dias (Podemos).

Além disso, o PT decidiu que tentará construir uma candidatura a partir do apoio de outras seis legendas de oposição (PDT, PCdoB, PSB, Rede, PV e PSOL). “Uma coisa é certa: buscaremos compor forças com nomes que não configurem subserviência direta ao presidente Bolsonaro.

Os cargos de presidente do Senado (e presidente do Congresso Nacional) têm uma enorme importância para o processo político e também para a recuperação da economia e enfrentamento da pandemia, como foi demonstrado no decorrer de 2020”, reforçou o senador Jean Paul.

Ainda segundo ele, as disputas relacionadas com a presidência do Senado foram antecipadas após o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir que os atuais presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Davi Alcolumbre, não podem se candidatar à reeleição para os postos em 2021. Os ministros avaliaram que a é vedada a recondução de presidentes das duas Casas legislativas para o mesmo cargo dentro de uma mesma legislatura.

“Em virtude de uma decisão do STF e de um certo atropelo e da própria desarticulação do governo, as coisas se anteciparam. Isso foi ruim porque, obviamente, prejudicou o exame de projetos importantes para o país e até mesmo a constituição da Comissão Mista de Orçamento, cuja composição foi alvo de disputa por grupos ligados ao presidente da Câmara e ao Centrão”, explicou o petista.

Para o senador Styvenson Valetim, a disputa pela cadeira de presidente do Senado precisa ser mais “democrática”. Segundo ele, a atual presidência paralisou pautas importantes, como a do projeto que institui a prisão a partir da segunda instância.

“O trabalho [eleição] é de mudar aquele quadro viciado que pertence à chefia do Senado. Os senadores nunca são tratados com igualdade. Nunca foram. Quem é amigo do “Rei” tem as benesses, pode receber alguma relatoria”, rechaça.

O partido dele, o Podemos, possivelmente terá um candidato próprio, tendo o senador Álvaro Dias como o favorito. “[Podemos] é o terceiro maior partido do Senado. Unido ao movimento “Muda Senado” — organização suprapartidária que defende maior dependência do Senado Federal —, nós temos esta força de indicar um possível candidato”, disse.

Styvenson analisa, ainda, que o governo federal terá dificuldades para emplacar um nome aliado para a liderança da Casa. “Não acho que seja tão fácil quanto o governo pensa. Eu sei que o Davi Alcolumbre tem uma maioria de senadores. As pautas de interesse popular são atrapalhadas por essa discussão. Há projetos que estão engavetados até hoje. Projetos para garantir a independência dos Poderes, e não reforçar a interdependência como ocorre hoje”, completou ele.

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