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Covid-19
“Segunda onda de contágio segue aberta”, indica especialista do RN
Em meio aos decretos que flexibilizaram as medidas restritivas, a fila de espera por leitos de UTI Covid continua alta. Primeira onda de contágio foi contida por isolamento social, conforme indicado pelo professor José Dias do Nascimento
Redação
25/05/2021 | 10:42

A pandemia da Covid-19 no Rio Grande do Norte continua batendo recordes trágicos. Já são quase 6 mil mortes registradas no total, sendo 2.996 apenas nos primeiros cinco meses de 2021, segundo os dados dos boletins epidemiológicos da Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap). Em meio aos decretos que flexibilizaram as medidas restritivas, a fila de espera por leitos de UTI Covid também continua alta.

Dentro deste contexto, o professor do Departamento de Física da UFRN e membro do Comitê Científico do Nordeste, José Dias do Nascimento, indicou que a segunda onda de contágio segue aberta no Estado. “A primeira foi contida por isolamento social através de decretos”, pontuou.

Conforme a imagem abaixo, disponibilizada pelo especialista, a série histórica de solicitações por leitos de UTI no RN teve o primeiro ponto alto entre abril e julho de 2020. A segunda onda, que segue aberta, começou em fevereiro deste ano.

“segunda onda de contágio segue aberta”, indica especialista do rn

“A questão é agora é que a pandemia está avançando letal e dissimulada. É como fogo debaixo das folhas, onde por cima não se vê fogo. Esta figura nos fala sobre esse nível muito alto de solicitação de leito, que permanece alto desde fevereiro de 2021 (acima dos níveis de 2020). A consequência disso é o aumento da fila de pessoas aguardando UTI, que somente cresceu em maio”, informou o professor.

Atualmente, o Governo do Estado e prefeituras do Vale do Açu e região Central potiguar discutem a publicação de um decreto com medidas mais restritivas para a localidade, por causa do aumento de casos de Covid-19. O movimento segue o exemplo da região do Alto Oeste, que solicitou a ampliação das restrições por causa do aumento de casos e óbitos na região.

O aumento no número de casos e a ocupação dos leitos críticos, entre 90% a 100% nos últimos dias, tem feito os gestores procurarem medidas mais duras. “Em 4 de março de 2020, eu falei que o ‘toque de recolher não funcionaria’ e agora essa regionalização de decretos também não será o remédio necessário. Irá abrandar em algum nível. Porém, não trará uma margem segura”, afirmou José Dias. “Natal é muito representativa para estes números, para a estatística de contágio”.

Voltar a restringir

Na última sexta-feira 21, o secretário de Saúde do Rio Grande do Norte, Cipriano Maia, disse que a situação da pandemia é crítica no Estado como um todo. Em entrevista ao Bom Dia RN, da Inter TV Cabugi, o representante da Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap) indicou que é necessário manter as medidas de prevenção e isolamento social contra a Covid-19 e sugeriu a volta de medidas mais restritivas.

“O platô que vivenciamos no Estado como um todo é muito desconfortável. Temos cerca de 1,2 mil casos por dia. Maio tem o maior número de casos, março e abril, a maior mortalidade. Esse platô se mantém. Temos que ter consciência de que, se não houve condição de fazer a restrição que o comitê científico recomendava manter, temos que ter as medidas compensatórias, que são: a fiscalização efetiva dos decretos, evitar qualquer tipo de aglomeração, manter o distanciamento físico entre as pessoas, o uso correto da máscara. Jamais estamos pensando em flexibilizar novas medidas, porque a abertura das escolas e retomada de outras atividades, com certeza, tem contribuído para esse aumento de casos. Então a gente precisa voltar a restringir. É tanto que o comitê, na sua recomendação, volta a reiterar a restrição das atividades, da circulação, e medidas compensatórias que vão para empresas e todas as organizações. Identificar casos, testar as pessoas, fazer rastreio de casos. A Vigilância Municipal, junto com a atenção primária, estar atuando nesse controle. Principalmente, uma mobilização da comunidade. A comunidade precisa entender que o problema é da comunidade. O governo está fazendo a sua parte, mas sem a mobilização da comunidade nós vamos ter o risco de continuar nesse platô ainda por algumas semanas, visto que a vacinação tem avançado de forma lenta. Nós só temos em torno de 10% da população já vacinada com a 2ª dose”, relatou Cipriano.

Ainda durante a entrevista, o titular da pasta reforçou que o quadro do coronavírus é extremamente crítico no RN. “Os prefeitos tinham pedido a flexibilização [das atividades] e o decreto do governo apontou isso, só que os resultados estão se apresentando. E nós vamos precisar – e muitos municípios estão fazendo isso corretamente, aumentando a restrição – e nós vamos, enquanto Governo do Estado, apoiar essas medidas restritivas. E estamos discutindo como construir essa possibilidade de regionalização dos decretos”, apontou. “Não temos como manter grande relaxamento até que avance a imunização da população”.

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