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Medicamento
RN recebeu 143 mil comprimidos de cloroquina em 2020 e distribuiu quase tudo
Sesap recebeu 143 mil comprimidos de cloroquina e distribuiu, até o momento, 139.370 comprimidos. Ao longo do ano passado, o Ministério da Saúde enviou quatro lotes do medicamento, sendo a última remessa em 20 de julho
Elias Bernardo
03/03/2021 | 00:14

A Secretaria de Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap) recebeu 143 mil comprimidos de cloroquina em 2020 e distribuiu, até o momento, 139.370 comprimidos de 150 miligramas. Ao longo do ano passado, o Ministério da Saúde enviou quatro lotes do medicamento, sendo a última remessa em 20 de julho.

De acordo com o diretor administrativo da Unidade Central de Agentes Terapêuticos (Unicat), Thiago Vieira, o Estado possui em estoque 3.630 unidades de cloroquina. Apesar de ser distribuído para os municípios potiguares, hospitais municipais e unidades regionais, o uso do medicamento não é recomendado para tratamento precoce da Covid-19.

“O Estado não recomenda a utilização para casos de Covid-19, mas é obrigado a disponibilizar o medicamento que o Ministério da Saúde envia aos Estados. Houve uma pressão por parte dos médicos e representantes do Governo Federal para o uso do medicamento no tratamento precoce da doença, mas todos os estudos apontam que não há eficácia dele para o coronavírus e que ele pode levar pacientes a apresentar complicações mais graves, como arritmias cardíacas”, declarou Thiago Vieira.

Segundo a médica infectologista Marise Reis, integrante do comitê científico que assessora o Governo do Estado, a cloroquina é uma droga antiga utilizada no tratamento antimalárico, também é um medicamento anti-inflamatório, utilizado para tratar doenças reumáticas.

Apesar das recomendações do Governo Federal desde o início da pandemia, Marise ressalta que “o remédio não é eficaz em nenhuma das fases da doença causada pelo coronavírus”. Para se proteger da Covid-19 enquanto a vacina não chega para todos, a médica infectologista indica usar a máscara e cumprir o distanciamento social.

Dentre os municípios que receberam cloroquina, Natal está em primeiro lugar com 28.120 comprimidos. Na sequência, vem Parnamirim (8.610), São Gonçalo do Amarante (2.910), Macaíba (2.300 mil), Ceará-Mirim (2.090), Mossoró (1.000) e Extremoz (820).

Em 2019, foram distribuídos apenas 460 comprimidos de cloroquina para tratamento da malária em todo o Rio Grande do Norte. O Estado não recebeu lotes do medicamento e a quantidade utilizada já existia no estoque de 2018, quando foram enviadas mil unidades do remédio pelo Ministério da Saúde.

Ao Agora RN, a Sesap esclareceu que não é possível saber quanto do medicamento foi utilizado por cada Município e que os estoques começam a vencer a partir de 31 de agosto deste ano. A pasta ainda informou que não investiu na compra do remédio.

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), medicamentos à base de cloroquina, distribuídos no âmbito de programas públicos governamentais, são utilizados no tratamento da malária e do lúpus.

Recomendações

Em março de 2020, ainda no início da pandemia da Covid-19, o Governo Federal, através do Ministério da Saúde, indicou o uso do medicamento para casos graves da Covid-19. Em maio, o Ministério recomendou e publicou um documento com orientações para tratamento medicamentoso precoce de pacientes com diagnóstico de Covid-19 com cloroquina e hidroxicloroquina.

De acordo com um levantamento realizado pela CNN Brasil, por meio do acesso de dados obtidos pelo veículo, foram produzidos 3,23 milhões de comprimidos de cloroquina pela unidade farmacêutica do Exército brasileiro em 2020. Em janeiro deste ano, o Conselho Nacional de Saúde (CNS) encaminhou um ofício ao Ministério da Saúde e pediu a revogação de qualquer instrumento (nota técnica, nota informativa, orientações, protocolos ou ofícios) que incentivasse o uso do medicamento para Covid-19.
A conselheira nacional de Saúde, Débora Melecchi, coordenadora da Comissão Internacional de Ciência, Tecnologia e Assistência Farmacêutica (Cictaf) do CNS, afirmou que até o momento não existe qualquer evidência científica de medicamentos para tratamento da Covid-19.

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