Em meio às paisagens exuberantes de Baía Formosa, no litoral Sul potiguar, emerge a figura notável de Eva Potiguara, uma mulher indígena do Povo Potiguara Sagi Jacu. Sua jornada, marcada por conquistas acadêmicas e culturais, é um testemunho da força e resiliência de uma mulher dedicada a preservar e promover a riqueza de suas raízes.
A mulher de olhar sorridente é graduada em Artes Visuais, com mestrado e doutorado em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Ela é professora e pesquisadora influente no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFESP-SEEC). Atuando nos cursos de Pedagogia e Letras, ela molda mentes e corações, inspirando gerações de educadores e escritores.

Além da rica carreira acadêmica, Eva é a alma por trás da EP Produções, uma produtora cultural que reflete sua paixão pela arte e pela narrativa. Ela é uma escritora prolífica, ilustradora, artista visual e audiovisual, roteirista de curtas e videoclipes, contadora de histórias e articuladora nacional do Mulherio das Letras Indígenas. Como membro ativo de várias academias de Letras no Brasil e em Portugal, incluindo a União Brasileira de Escritores do Rio Grande do Norte (UBE/RN) e a Sociedade dos Poetas Vivos e Afins (SPVA), seus livros infantis e de poesia ganharam reconhecimento internacional, destacando-se na cena literária de ambos os países.
Eva iniciou sua carreira literária com o livro de poesia “Do Casulo à Borboleta” em 2017, uma obra que celebra a autodescoberta. Este livro, que segue para sua terceira edição pela IMN Editora de São Paulo, simboliza a jornada pessoal de Eva e sua capacidade de se reinventar. Seu primeiro livro infantil, “Gatos Diversos” (2019), é uma obra lúdica e educativa, destinada a inspirar a conscientização ambiental nas crianças, reforçando seu compromisso com a formação das futuras gerações. Em 2022, Eva lançou “Abyayala Membyra Nenhe’gara: cânticos de uma filha da Terra”, um livro que foi semifinalista do Prêmio Jabuti 2023 na categoria Poesia. Esta obra é um tributo à Terra e às vozes ancestrais, um eco da alma indígena que ressoa através das páginas.
Ainda durante a pandemia da Covid-19, Eva Potiguara, inspirada por conversas com a escritora Maria Valéria Rezende, fundou o Mulherio das Letras Indígenas em 2021. Este movimento nasceu como resposta aos ataques racistas e à falta de visibilidade enfrentada por Eva e outras escritoras indígenas.
O projeto visa criar uma plataforma de resistência e expressão para mulheres indígenas, destacando a ancestralidade e descolonização na literatura. Em 2022, o Mulherio das Letras Indígenas lançou seu primeiro edital, permitindo a participação gratuita de mulheres indígenas de todas as idades e contextos.Este projeto inovador e inclusivo promoveu a literatura indígena sem custos para as participantes, desafiando as barreiras financeiras que frequentemente limitam a publicação de obras indígenas.
O ano de 2023 trouxe desafios pessoais para Eva, ao ser diagnosticada com câncer, porém, mesmo diante da adversidade, ela continuou a trabalhar incansavelmente em seus projetos literários. Com a coordenação de Vanessa Guaranique, o Mulherio das Letras Indígenas foi inscrito no Prêmio Jabuti na categoria Fomento à Leitura, alcançando um lugar entre os cinco finalistas.
Eva também teve seu livro de poesia “Abyayala Membyra Nenhe’gara” entre os dez finalistas na categoria Poesia do mesmo prêmio. Para Eva, esses reconhecimentos são mais do que meras honrarias. Eles representam uma forma de reparação histórica para a literatura indígena, que ainda luta para encontrar seu espaço no Brasil. Com menos de 1% das publicações no país sendo de autoria indígena, Eva destaca a importância de romper as barreiras do racismo institucional e estrutural, criando oportunidades e visibilidade para escritores indígenas.
Eva Potiguara continua a inspirar e liderar o movimento literário indígena, promovendo uma literatura que celebra a resistência, a ancestralidade e a diversidade cultural dos povos indígenas. Seu trabalho como escritora, educadora e ativista cultural é um testemunho de sua dedicação e paixão pela literatura e cultura indígena, deixando um legado duradouro para as futuras gerações. Eva é, sem dúvida, um ícone da literatura brasileira, um personagem valioso de se conhecer, uma voz que ressoa com a força de suas raízes e a beleza de sua ancestralidade.