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Arte
Reinvenção sob conceito
Bibliotecária Lorayne Kelly conta como tem usado o confinamento durante a pandemia para se redescobrir e criar lindas peças através de um critério bem contemporâneo: o da reutilização
Felipe Salustino
10/08/2020 | 22:28

Para muita gente, é complicado lidar com o isolamento imposto pela pandemia do coronavírus. Afinal, deixar de lado a rotina de trabalho, lazer e reuniões com amigos não é lá uma tarefa muito simples. Com a bibliotecária Lorayne Kelly, de 29 anos, não foi diferente, ainda mais porque ela já estava bem acostumada a receber, ao menos duas vezes por semana, as 60 crianças do projeto social Interliga, que coordena junto com a irmã em Riachuelo, município a cerca de 78 Km de Natal.

Para driblar a ansiedade de ter de ficar longe dos pequenos, Lorayne escolheu fabricar peças com elementos que carregam em si um conceito bem contemporâneo: o da reutilização. Assim nasceram vasos, luminárias, quadros e bancos. “Fiquei muito ansiosa com a quarentena. Ia ao trabalho, mas quando chegava em casa não tinha nada para fazer. Aí, fui procurar algo na internet. Encontrei tutoriais interessantes e, aos poucos, comecei a confeccionar algumas peças”, revela.

Os quadros, decorados com frases de efeito ou letras de música, por exemplo, são feitos com papel paraná. As luminárias ganham vida a partir do uso de palitos de churrasco. Os bancos são o sucesso das produções, fabricados com cimento e cabos de vassoura. Tem ainda os jarros, feitos também com cimento. Para moldar os jarrinhos e vasos, a bibliotecária usa recipientes como embalagens de shampoo, cosméticos e até rolo de papel higiênico.

As peças são expostas nas redes sociais de Lorayne e, assim, aquilo que começou de forma totalmente despretensiosa começou a ganhar outras perspectivas. “Umas amigas estão se interessando e já me pediram para fazer uma página no Instagram e dedicar às peças. Por enquanto, só posto em Stories da minha conta pessoal”, afirma ela ao revelar os planos de profissionalizar o novo hobby.

“Eu realmente me encontrei. Gosto de desenhar desde criança, embora nunca tenha feito nada artesanal. Agora, confesso: penso em fazer disso uma profissão e ganhar uma renda extra”.

Outras possibilidades

Além do artesanato como terapia e provável fonte de renda, Lorayne comenta que tem outros planos para o trabalho que desenvolve atualmente. “Quero inserir a confecção das peças no Interliga, porque a arte é uma das cinco ações contempladas no grupo, mas que não era muito trabalhada”, comenta ela ao mencionar o projeto que coordena.

“Espero que eles (os integrantes do projeto) aprendam a fazer também. De repente, podem até se profissionalizar e quem sabe, ganhar uma renda extra”, vislumbra.

Além disso, Lorayne conta que a nova empreitada já inspirou pessoas próximas. “Uma amiga até conseguiu fazer quadros com cartão paraná”, diz, orgulhosa. Para quem quer seguir os mesmos passos, a bibliotecária dá a dica: “Procure algo fácil para fazer. Foi assim que eu comecei. Pesquisei por tutoriais simples e, à medida em que fui refinando meu trabalho, elevei o nível de dificuldade de fabricação das peças. Arrumei, inclusive, algumas técnicas para facilitar as coisas. Por causa disso, já me pediram para fazer vídeo com tutorial na internet (risos).

Feliz com a descoberta, Lorayne espera que as pessoas aproveitem o momento de confinamento para se reinventar. “Desacelere e dedique-se mais a você mesmo. Eu vivia na correria e nunca tirava um tempo para fazer algo tão simples. Procure fazer aquilo que te provoca bem estar.
Pode ser um exercício físico ou o artesanato, como eu estou fazendo. A música também é uma excelente dica”, aconselha. “Para mim, a grande sacada é a possibilidade de me tornar uma empreendedora. Estou muito animada”, finaliza.

Lorayne Kelly, de 29 anos. Foto: Cedida

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