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Editorial
Recomeçar do jeito certo
Redação
15/04/2020 | 00:00

Desnecessário lembrar, nesse momento, da relevância do diálogo e da negociação. Em todos os setores da vida, o gesto de abrir portas, buscar entendimentos, ganhou uma importância fundamental na superação da crise global produzida pela pandemia do coronavírus.

Nesses momentos, é importante agir com racionalidade e entender o que queremos para as nossas vidas e negócios diante de fatores imponderáveis como o que varreu o planeta nos últimos dois meses.

Nesse período exíguo, economias antes fortes recuaram e novos pactos sociais e econômicos precisaram ser celebrados às pressas na busca de soluções para a crise que aguarda boa parte da Humanidade, hoje rumo à recessão e até a depressão econômicas.

No Brasil, não se pode dizer que a situação evoluía a contento até o ano passado, quando o atual governo do presidente Bolsonaro completou seu primeiro ano, convulsionado por uma ala ideológica que criou mais rupturas do que consensos.

Apesar de algumas reformas terem vingado no Congresso, o fruto em boa parte de um trabalho realizado ainda no mandato tampão do ex-presidente Michel Temer, o fato é que o primeiro ano sob o comando de Bolsonaro entregou um PIB ligeiramente inferior a de seu antecessor, embora o caminho escolhido sugerisse um 2020 melhor.

Agora, sabemos que um tsunami de proporções épicas encolherá ainda mais a economia do País, tão certo como sua a fúria transformou, em questão de semanas, a política de pleno emprego do governo do presidente Donald Trump, nos EUA, num amontado retorcido de milhões de desempregados que correram para pedir ajuda dos cofres públicos.

E, independentemente do que se pense em matéria de fundamento corretos de uma política econômica, governos existem justamente para pensar em seus cidadãos em primeiro lugar – coisa que no Brasil nunca foi uma premissa respeitada.

Em se tratando de uma democracia consolidada, com suas instituições em pleno funcionamento, o Brasil ainda patina em intermináveis privilégios, que vão desde uma política de favorecimentos a grupos econômicos, terminando na consolidação de elites dentro do próprio serviço público, que enriqueceram e acumularam patrimônio, enquanto a Nação agonizava com o desemprego e a subvalorizarão do trabalho.

Com a pandemia do vírus, tudo isso deverá mudar a partir de um raciocínio elementar: faltará recursos para todos, todos sofreram financeiramente, os pobres muitíssimo mais, e a falsa premissa de que a economia é vida por gerar empregos não valerá dois tostões quando a maioria dos trabalhadores submergirem na fome e na desesperança.

Nesse momento em que o mundo atravessa uma crise global, é uma boa hora para recomeçarmos.

Mas do jeito certo.

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