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Editorial
Quem quer?
Redação
06/03/2020 | 17:32

Política tem dessas coisas. Se não deu certo, pelo menos alguém tentou. E o dinheiro que escoa pelo ralo é sempre do contribuinte, do povo.

O movimento do grupo Inframérica de devolver ao governo federal o Aeroporto Internacional Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante, primeiro terminal privado do País, leiloado em 2011, ao que parece, não tem volta. Já foi comunicada formalmente à Anac.

A empresa, que administra também o filé mignon do Aeroporto de Brasília, não quer sair de mãos abanando, já que entrará com pedido de indenização, estribada na Lei 13.448, de 2017, que trata da devolução amigável de concessões e de sua posterior relicitação.

A Inframérica calcula já ter investido cerca de R$ 700 milhões em infraestrutura, sem atualização monetária, o que manda essa conta lá para as alturas.

Quem acompanha essa situação desde lá atrás, quando uma batalha épica pelas desapropriações de terra foi desencadeada, sabe do que se trata.

Vamos relembrar: a construção da pista pelas Forças Armadas; a megalomania de um projeto modular que previa, no futuro, muito mais do que o que movimenta hoje o Aeroporto de Cumbica, em São Paulo; o ex-deputado Henrique Eduardo Alves sendo saudado como um herói por um executivo da Inframérica por ocasião da inauguração, em maio de 2014.

Precisa mais?

Como o estádio Arena das Dunas, construído sobre os escombros de um Machadão recém-reformado, o aeroporto internacional que, para os de fora, leva o nome de Natal, foi o motor de um crescimento sem precedentes no município de São Gonçalo do Amarante e objeto de uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE), que, como tudo o mais, só fez sair de mentes delirantes nos últimos anos melancólicos do governo da ex-presidente Dilma Rousseff.

Agora, a desculpa da Inframérica para passar o ponto, sem o ônus dos prejuízos, como geralmente acontece quando a iniciativa privada se mete numa empreitada, tem o cheiro de chantagem, mas também o forte odor de uma tragédia anunciada.

Alega a empresa que os estudos de viabilidade do aeroporto à época do leilão previam um movimento de 4,3 milhões de passageiros em 2019 e não a demanda atual de 2,3 milhões. Mais, por questões regulatórias: as tarifas de embarque ficaram defasadas e hoje são 35% inferiores às dos aeroportos da segunda e da terceira rodadas de concessões, que foram licitados em 2012 e em 2013.

Finalmente, alega a Inframérica, a torre de controle em Natal é a única operada por uma concessionária, mas tem tarifas de navegação aérea que equivalem a um quarto do valor praticado pelas torres da Infraero ou do Decea, vinculado à Aeronáutica.

Sempre se soube, muito antes da construção do aeroporto, que terminais dessa magnitude só progridem em ambientes de desenvolvimento econômico. Do contrário, transmutam-se em elefantes brancos. Difíceis de negociar, tendo em vista a atual realidade dos usuários dessas estruturas, que são as companhias aéreas.

Viver no mundo da fantasia acaba nisso mesmo.

Num despertar repentino, como aqueles que se seguem aos pesadelos.

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