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Entrevista
“Quem chegou até aqui já venceu”, afirma Zeca Melo
O superintendente do Sebrae do Rio Grande do Norte, Zeca Melo, fala da luta do micro e pequeno empresário contra as devastadoras consequências econômica da pandemia
Redação
03/07/2020 | 04:04

Depois de muitos anos à frente da superintendência do Sebrae do RN, Zeca Melo é a própria personificação da instituição que ele dirige com mãos firmes, mas que o público externo vê sempre com leveza e até com descontração.

A explicação para isso está na própria personalidade de Zeca, uma pessoa nada afeita a formalidades e que reforça uma imagem cara ao Sebrae: a de uma casa aberta para todos.

Nessa entrevista, Melo fala da luta do micro e pequeno empresário contra as devastadoras consequências econômica da pandemia, volta a criticar a ausência de uma política de crédito oficial para os empresários que mais precisam e elogia a ajuda emergencial, que impediu que as coisas de não ficassem ainda piores.

Agora RN: Desde que a pandemia já era um fato consumado entre nós o senhor já criticava os recursos insuficientes do plano de ajuda emergencial do governo federal para as micro e pequenas empresa. Essa situação apresentou alguma melhora ou o dinheiro continua inacessível?

Zeca Melo: Continua, infelizmente. Menos de 20% das pequenas empresas que pleiteiam crédito obtém sucesso. Dificuldades cadastrais, excesso de garantias, exigências de garantias reais que superam em muito o valor solicitado, burocracia sufocante e uma morosidade revoltante são as causas mais significativas.

Agora RN: A que o senhor atribui esses problemas?

Zeca Melo: Atribuo a uma concentração bancária perversa que alija os pequenos. O BNDES , por exemplo, é uma instituição de costas para a pequena empresa brasileira. O Sistema Sebrae fez algumas incursões, potencializando um Fundo de Aval próprio, inclusive aqui no Rio Grande do Norte, que tem resultados muito aquém do esperado. O quadro geral é esse, com algumas pouquíssimas exceções que confirmam a regra. Mas o que mais repercute positivamente é o auxílio emergencial que deu uma injeção de ânimo para os pequenos e fez girar o dinheiro nos mercados menores.

Agora RN: Como o trabalho do Sebrae do RN está se adaptando à pandemia, especialmente no que diz respeito ao atendimento remoto?

Zeca Melo: Eu diria que já se adaptou. Nós fizemos um chamamento geral, quase uma convocação às pequenas empresas potiguares. Disparamos quase um milhão de e-mails marketing, fomos para a mídia convencional através de vídeos e invadimos as mídias sociais com força. Refizemos nosso portal e construímos diversas landing pages – inovação, crédito, mercado, bioprevenção e agronegócios, por exemplo. Consultorias remotas individuais foram estimuladas. O resultado é que no primeiro semestre deste ano atendemos mais empresas do que em 2019. Em meados de julho chegaremos ao número de 100 mil atendimentos compreendendo 30 mil empresas diferentes. Agora, o desafio será consolidarmos o digital, agregando mais valor ao atendimento feito pela equipe no contato individual, remota ou presencialmente.

Agora RN: Sabe-se que o comércio eletrônico ainda está distante do horizonte de micro e pequenos empresários potiguares. O senhor acredita que essa realidade pode mudar com a pandemia?

Zeca Melo: O comércio eletrônico vem crescendo em dois dígitos nos últimos anos. O ano passado, cerca de 20%, enquanto o convencional por volta de 2%. Esses números, com relação ao e-commerce aumentaram significativamente nos últimos cem dias e as pequenas empresas chegaram às plataformas de vendas. Com relação ao social commerce, apenas num programa de design do Sebrae, atendemos mais de mil empresas com soluções gráficas digitais que dão suporte a um novo posicionamento nas mídias sociais, estimulando o relacionamento empresa/cliente e impulsionando a divulgação de produtos e serviço. E estamos apenas começando.

Agora RN: Estamos retornando às atividades no auge de contaminações e mortes pela Covid 19 no RN. O Sebrae tem feito um trabalho de biossegurança junto às empresas para um retorno dentro dos protocolos sanitários. O senhor acredita que esse retorno pode dar certo ou terá que se adaptar a idas e vindas?

Zeca Melo: Acho que a sociedade tem que enfrentar a doença com disciplina, inteligência e criatividade. As instituições de representação da iniciativa privada elaboraram e entregaram ao Governo Estadual um plano de enfrentamento elogiado pelas autoridades sanitárias e comitês de cientistas e professores. O Sebrae estruturou um projeto de bioprevenção para proteger empregados e clientes das pequenas empresas dando visibilidade as ações de proteção. O diálogo tem sido a tônica nas relações entre as autoridades públicas e a iniciativa privada. Reuniões periódicas, grupos de estudos e comitês permanente tem buscado as melhores práticas. Estamos, todos, tentando acertar.

Agora RN: Como o senhor avalia o pós-pandemia no universo das micro e pequenas empresas potiguares?

Zeca Melo: A crise econômica mostrou ao Brasil e aos brasileiros a importância macroeconômica da pequena empresa e a sua função social. São os maiores geradores de emprego. No Rio Grande do Norte a importância delas é maior, é só analisar os dados do CAGED-Ministério do Trabalho. Vão chegar no pós pandemia, de maneira geral, debilitadas do ponto de vista econômico financeiro, claro. Esperemos que com força e apoio para crescer e seguir em frente.

Agora RN: Em poucas palavras, qual a mensagem que o senhor teria para os micro e pequenos empresários do RN neste momento tão delicado?

Zeca Melo: Eu diria que quem chegou até aqui não pode fraquejar e dar o cabimento de sucumbir. Quem chegou até aqui já venceu. É olhar pra frente.

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