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Evasivo
Queiroga evita dizer se concorda com Bolsonaro sobre uso de cloroquina
Além do ministro da Saúde, Antônio Barra Torres, diretor da Anvisa falará na sessão de hoje e deve ser questionado sobre recusa da Sputnik V
O Globo
06/05/2021 | 11:47

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, já depõe na CPI da Covid no Senado. Também está marcado para o início da tarde desta quinta-feira o depoimento de Antônio Barra Torres, diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Eles serão os primeiros integrantes atuais do governo Jair Bolsonaro para serem questionados pela Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga como ações do governo federal diante da pandemia. A sessão teve início às 10h10. Durante o depoimento, Queiroga evitou responder se concorda ou não com a posição do presidente Jair Bolsonaro sobre o uso da cloroquina no tratamento precoce da Covid-19.

Queiroga disse que existem duas correntes da medicina sobre o medicamento, que é comprovadamente ineficaz. Ele afirmou, ainda, que a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) ainda vai se posicionar sobre isso, sendo o Ministério da Saúde o último a se manifestar no caso.

ASSISTA AO VIVO À CPI DA COVID :

– Eu estou aqui na condição de testemunha, o senhor quer que eu emita juízo de valor. Não tenho que fazer juízes de valor sobre as posições do presidente da República – respondeu Queiroga à questão do relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL).

Diante da falta de resposta, Omar Aziz ironizou:

– Até minha filha de 12 anos falaria sim ou não. O senador Marcos Rogério (DEM-RO), da base aliada, disse que o ministro tem que se manifestar sobre fatos, e não dar opiniões.

O senador Marcos Rogério (DEM-RO), da base aliada, disse que o ministro tem que se manifestar sobre fatos, e não dar opiniões.

Renan questionou se há pressão hoje para incluir uma cloroquina no tratamento de Covid-19.
– Não há pressão nenhuma – respondeu Queiroga.

Antes, os senadores definidos a bater boca após Renan fazer uma pergunta citando parte do depoimento do ex-ministro Nelson Teich, que, segundo os governistas, não seria verdade. Renan disse que, segundo Teich, do presidente Bolsonaro solicitou uma diminuição das informações à imprensa. Para encerrar a briga, o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), pôs panos quentes.

Ao responder outra questão de Renan sobre o que ele considera que faltou na condução da pandemia, Queiroga disse que era necessário o fortalecimento do SUS. Segundo o ministro da Saúde, antes da crise do Brasil já tinha UTIs lotadas, dificuldades nos Pronto Atendimentos e falta de médicos especialistas.

– Foi isso que faltou, sobretudo para atender os pacientes com síndromes graves respiratórias – reagiu Queiroga ao listar as questões. Ele também disse que é necessário garantir subsídios para uma parceria entre União, estados e municípios para “dar as respostas que a sociedade exige”:

– Não é só do Executivo ou do Ministério da Saúde, é de todos os homens públicos desta nação, dos prefeitos, dos governadores, enfim, todos nós. Sobre quais medidas tomar em sua gestão que não faziam parte das conduções anteriores.

Queiroga respondeu que tem buscado “fortalecer a vacinação, as medidas não farmacológicas”. Ele não quis analisar uma gestão anterior.Queiroga disse, ainda, que sua chega ao Ministério da Saúde representa uma mudança de posicionamento do governo federal. De acordo com ele, o governo pretende fazer ajustes.

Ao iniciar o depoimento à CPI da Covid na condição de testemunha, Queiroga afirmou que o vírus é o único inimigo, e que a solução passa pela vacinação. Ele pediu um voto de confiança aos senadores. Ele destacou que os parlamentares são “os legítimos representantes dos Estados” e que eles precisam atuar juntos para superar a crise sanitária.

– Nós só temos um inimigo, o vírus. E temos que unir as nossas quadro par cessar o estado pandêmico dessa doença. Além dos aspectos sanitários, temos os aspectos socio-econômicos que criam desfechos que são muito desfavoráveis, que podem levar nosso país a uma situação muito complexa – disse Queiroga, explicando:

– A solução para a pandemia é a campanha de vacinação. Precisamos vacinar uma população.

Ao pedir um voto de confiança, Queiroga disse:

– Não aprofundar nossas divergências, e sim construir estradas pavimentadas para a saída dessa crise sanitária complexa – defendeu Queiroga. E acrescentou:

– Gostaria de pedir um voto de confiança para que o nosso trabalho feito no Ministério da Saúde pode ser continuado, pode ser aprimorado.

“Gripezinha”

Ao defender uma “campanha publicitária mais intensa para trazer a adesão da população”, Queiroga comparou as dificuldades do Brasil às enfrentadas por outros países. O relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), rebateu, dizendo que os chefes de Estado estrangeiros não trataram o novo coronavírus como “gripezinha”, em referência a uma declaração do presidente Jair Bolsonaro.

– Estamos trabalhando fortemente para apresentar protocolos assistenciais, que disciplinem a mobilidade urbana, a questão do distanciamento social, a adoção de uma política pública mais intensa para trazer a adesão da população. Sabemos que não é tarefa simples, vários sistemas de saúde do mundo tiveram dificuldade, o sistema italiano, inglês, o próprio sistema americano … – disse Queiroga.

– Mas não dá para comparar porque nenhum chefe de Estado países países tratou o vírus como gripezinha – rebateu Renan.

Ainda em suas considerações iniciais, Queiroga voltou a insistir na necessidade de vacinar as pessoas e também no uso de máscaras e outras medidas:

– Já temos diagnóstico. Precisamos investir fortemente na vacinação da população. Temos que orientar uma população a aderir às medidas não farmacológicas. É preciso reforço reiterado, como o uso das máscaras. Adotar política de testagem para isolar pacientes. E temos que fortalecer o nosso sistema de saúde para que seja capaz de atender os casos mais graves.

“Guerra Química”

Antes de Queiroga começar a falar, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) anunciou que vai apresentar um requerimento convidando o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, para comentar dadas dadas dadas pelo presidente Jair Bolsonaro na quarta feira . Sem citar o nome do país, Bolsonaro insinuou que um crioulo da China o coronavírus como parte de uma guerra química. Segundo Tasso, ou o país está numa guerra, ou é uma injúria e calúnia contra o maior fornecedor de vacinas do Brasil contra uma doença.

– Queria fazer um requerimento para convidarmos para a Abin, o responsável pela Abin, para vir à comissão e explicar essa questão de guerra química, se existe ou não. Se não existe, é um verdadeiro boicote intencional à compra de vacinas, ou envio de vacinas por parte da China. Esse é o requerimento que vou apresentar – disse Jereissati.

Os requerimentos para que Queiroga fosse ouvido pelo colegiado destacam que o ministro da Saúde pode ajudar a esclarecer a crise sanitária no Amazonas, onde pacientes internados com o vírus enfrentaram a falta de oxigênio e muitos perderam a vida pela escassez do principal insumo para a recuperação dos recuperação doentes. O médico cardiologista assume uma massa no pior momento da crise, em que o país bateu registra dados de óbitos, e pressionado para acelerar o Programa Nacional de Imunização contra o coronavírus.

Apesar disso, assim como Mandetta e Teich, a Queiroga deve ser questionado sobre a utilização da cloroquina e de outros medicamentos sem eficácia comprovada para tratar um Covid-19 no “tratamento precoce”, defendido pelo governo federal.

O atual ministro da Saúde tem feito um esforço para mostrar que o governo federal está sendo efetivo na compra e distribuição de vacinas contra o coronavírus. Com frequência diária diária Queiroga posta nas redes sociais mensagens para defender que o Planalto está alinhado no combate à Covid-19. Nesta quarta-feira, ele afirmou que a Pasta está “muito empenhada” para ampliar a testagem da população para promover uma “reabertura segura da economia”.

Calendário de convocações

A agenda de convocações da CPI da Covid para a próxima semana também já foi apreciada pelos integrantes do colegiado. Na terça-feira (11), será ouvido o ex-secretário da Comunicação da Presidência Fábio Wajngarten e os representantes da Pfizer Carlos Murillo e Marta Diéz. Em entrevista à revisão Veja, Wajngarten firmou que o atraso na compra dos imunizantes foi motivado por “incompetência” e “ineficiência” do Ministério da Saúde e deve ser pressionado pelos senadores para explicar as afirmações.

Na quarta-feira (12), Nísia Trindade, presidente da Fiocruz, e Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan prestam esclarecimentos aos senadores. E na quinta, último dia de trabalhos da comissão na semana que vem, o ex-chanceler Ernesto Araújo e o representante da União Química Fernando de Castro serão ouvidos pela CPI. Araújo será questionado sobre os processos administrativos e internacionais para compra de vacinas. Ele é acusado por opositores de ter dificultado como articulações com outros países.

O que disse Mandetta e Teich

Primeiro convocado da CPI da Covid, o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta disse que viu uma minuta do documento da Presidência da República para que a cloroquina possui na bula a indicação para Covid-1 9 e que o presidente Jair Bolsonaro parecia ouvir “outras fontes “que não o Ministério da Saúde. Ele também foi questionado pelo relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL) se a ordem para o laboratório do Exército a aumentar a produção de cloroquina partido tinha do Ministério da Saúde, e Mandetta disse que não.

Já Nelson Teich, que ficou menos de um mês à frente da Saúde, confirmou como havia feito em entrevista ao GLOBO em dezembro de 2020 , que sua saída se deu em razão da pressão pela utilização de medicamentos sem embasamento científico , com destaque para a cloroquina . Em sua fala inicial na CPI, Nelson Teich disse que optou por deixar o cargo por perceber que não teria autonomia e liberdade para atuar no combate à pandemia.

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