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Economia

Queda no preço da carne recoloca açougue na rotina do natalense

Às moscas desde a pandemia, o comércio de carnes no varejo recoloca a proteína do boi na mesa de um número maior dos natalenses, que sempre compram mais nos 10 primeiros dias do mês
Marcelo Hollanda
26/10/2023 | 05:00

As quatro carretas refrigeradas com 30 toneladas cada de carne bovina e suína do Frigoiás, carregadas de traseiros e dianteiros, que descarregam toda a semana nas 12 lojas do frigorífico espalhadas por Natal e região metropolitana, dão bem a medida do apetite. Mais agora, que o preço da carne no Brasil pode fechar o ano com a maior queda registrada no produto desde o início do Plano Real, em 1994.

Desta vez, a queda se deve a uma redução de mais de 10% no IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), fato que não tem a menor importância quando os cortes vão para o espeto, viram estrogonofe ou simplesmente carne guisada com macaxeira.

Picanha diminuiu de preço. Foto: Reprodução
Preço da carne no Brasil pode fechar o ano com a maior queda registrada no produto desde o início do Plano Real, em 1994 - Foto: Reprodução

“Cabendo no bolso é o que importa”, diz o entregador de aplicativo Pedro, que vive cheio de fome depois de entregar comida quentinha para os outros com sua moto.

Do dianteiro do boi saem o cupim, o acém, a paleta e o lombo e o resto é moído ou guisado ao gosto de freguês; do traseiro vem o colchão mole, duro, patinho, picanha e o nobre filé mignon com cordão e sem cordão. (Com cordão é mais barato e sem o cordão, mais caro).

E, antes que alguém pergunte, não, não é possível saber quanto de carne os potiguares de todas as classes sociais juntas põem na mesa; exceto que o rico que gosta da proteína compra mais e o classe média e o pobre compram menos, pagando democraticamente todos o mesmo preço.

Uma das responsáveis por tirar os pedidos na ZN Carnes, há quatro meses instalada no que era o antigo Lojão das Carnes, em Lagoa Nova, diz que pelo menos lá a principal procura do cliente é por promoção.

E, é claro, o carro chefe são os de sempre quando se pensa em churrasco: picanha e contrafilé. Depois, vem as necessidades do dia a dia: lombo, lombo do acém, lombo surrado e, na sequência, moída geralmente com carne de segunda.

A ZN, que é uma rede nova, começou no Ceasa, mas já tem três lojas – uma na avenida Pompéia e a mais recente em Lagoa Nova – manipula as carnes para o cliente sem custo adicional.

Ele entra, escolhe o corte embalado e precificado e depois de pagar vai para uma estação, que fica depois dos caixas, onde diz como quer o corte: em bife, moída, cubinhos, tiras

Por isso mesmo, o cliente pode obter uma pequena vantagem que hoje é oferecida por grandes redes varejistas, como o supermercado Nordestão, que tem lojas que fazem esse serviço por demanda de manipulação da carne na hora.

A rede Frigoiás, onde os valores podem ser ligeiramente mais altos, atende à moda antiga, com os açougueiros vestidos de branco, do outro lado de um balcão refrigerado, fazendo na hora o que o cliente pede. E são vários deles, já que o movimento pra valer começa a partir das quintas-feiras e explode no domingo.

Para César Augusto, que trabalha para o Frigoiás há 10 anos como uma espécie de supervisor de loja – no caso da unidade que fica na avenida Jaguarari -, as pessoas consomem mais até o décimo dia de cada mês. Depois, vai baixando gradativamente.

Mas desde que a promessa do presidente Lula de trabalhar para que cada brasileiro pudesse consumir a sua picanha de vez em quando, e uma ajudinha do IPCA, essa rotina sazonal de consumo tem mostrado alguns espasmos.

“É claro que o consumo aumentou bastante em relação ao ano passado e retrasado”, diz César Augusto.

Tão nobre como o nome dele, que é do imperador romano que governou de 63 antes de Cristo e 14 d.C, é o consumo de carne de quem pode realmente desembolsar dinheiro por cortes nobres.

Nesta quarta-feira, 25, no meio da tarde, quando o movimento na ZN Carnes em Lagoa Nova ainda permitia que se tomasse tempo dos funcionários com perguntas para esta reportagem, um homem de seus 70 anos, muito educado, empilhou no carrinho perto de R$ 500,00 em cortes nobres, entre elas cordões de filé mignon.

Afável, ele explicou que era a compra para duas ou três semanas ou, dependendo de convidados inesperados, para uma semana mesmo. Perguntado se tinha algum prato especial em mente, respondeu com naturalidade: “Não, é pra bife mesmo”.

Uma atendente da loja disse que aquilo não era nada.

“Um dia desses um senhor entrou aqui e levou R$ 6 mil em carnes e linguiça para uma confraternização em casa”.

Essas compras prodigiosas devem aumentar com a aproximação do Natal e o Ano Novo. Também, pudera: a maminha, que custava por volta de R$ 45,00 há um ano, hoje custa R$ 36,00; o quilo do patinho, que custava R$ 40,00, sai hoje por R$ 27,56; colchão mole, de R$ 55,00 está agora em R$ 30,86.

E, finalmente, o filé mignon, que chegou a custar R$ 120,00 há um ano, hoje pode ser adquirido por R$ 57,00 (com cordão) e R$ 69,60 (sem cordão).

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