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Editorial
Que país é este?
Redação
07/04/2020 | 05:00

Dois cientistas voltam no tempo para tentar proteger um projeto secreto e ficam presos na máquina do tempo, viajando e vivendo diversas aventuras no passado e no futuro. Esta é a sinopse ultra resumida de uma série de televisão que fez muito sucesso nos anos de 1960.

A história mostra dois cientistas atléticos e bons de briga, monitorados em sua viagem pelo tempo por cientistas com jalecos brancos, submissos às ordens de um general que sempre metia o bedelho no trabalho deles quando bem entendesse.

Quando jovem, é provável que o presidente Jair Bolsonaro tenha até se influenciado pelo conteúdo da série, a julgar pelas decisões que vem tomando agora diante da mais grave crise de saúde pública do mundo desde a chamada gripe espanhola, de 1918.

Igualzinho ao general da série americana, o capitão Bolsonaro não admite que reles cientistas se imponham à sua autoridade, colocando-se assim como um totem a ser adorado, reverenciado e obedecido. Em meio à pandemia de Covid-19, a exemplo do que faria o personagem fardado de Túnel do Tempo, Bolsonaro se apegou à urgência de transformar a cloroquina e a hidroxicloroquina na panaceia para todos os males, acreditando piamente nessa solução.

A urgência em encontrar respostas à crise sanitária não só tem levado governos, médicos e até cientistas a tirar conclusões precipitadas acerca de teorias ainda frágeis como injetaram no capitão, que virou presidente, o espírito de um general com plenos poderes sobre a ciência.

Foi imbuído desse personagem, abençoado pelo Divino, que Bolsonaro convocou recentemente médicos a seu gabinete, ouvindo exclusivamente o que lhe agradava e deletando qualquer referência desagradável como, por exemplo, os apoios ao isolamento comunitário.

Agora, resolveu reviver uma espécie de culto à personalidade, apegando-se mais do que nunca à caneta conquistada nas eleições que o levaram ao posto de maior importância no País. E, como dizia a personagem Lady Kate da televisão (“tô podendo!”), enquadrar qualquer um que ouse se interpor à sua autoridade.

Dentro desse contexto, demitir seu ministro da Saúde foi apenas um mero detalhe. Talvez não faça isso agora. Ou faça (sabe Deus). Mas o fato é que o processo de humilhação de Luiz Henrique Mandetta já começou, a despeito das inúmeras demonstrações de apoio do Congresso e de grande parte da população.

Certo é que o recado parece ter calado fundo em ministros como Sérgio Moro, da Justiça, que deu para acender vela para dois santos: ciência pela manhã, Bolsonaro à tarde.

Triste país este que, apesar de todo o sofrimento em que se vê mergulhado, ainda enfrenta a infâmia de seus governantes.

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