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Editorial
Quando paz é melhor
Redação
06/04/2020 | 05:00

Neste fim de semana, o presidente Bolsonaro resolveu dar um tempo. Até às 18 horas deste domingo, quando este texto foi entregue ao editor, nenhuma declaração dele ganhou as manchetes. Isso não significa que não venha coisa por aí, já que o dia vira à meia noite.

Quem continua assanhada, contudo, é a rede social bolsonarista, mestre em atacar o próprio governo federal quando o assunto é “proteger” o presidente da República. As aspas aqui têm o significado obvio de uma pergunta: proteger de quem?

A psiquiatria busca boas razões para o que acontece. O fenômeno começou assim que Bolsonaro ganhou a eleição e já começou a pensar na seguinte. Quem faz isso de sã consciência? Depois, quando começou a retirar dos cargos e a humilhar com rebaixamento todos que marcharam a seu lado na campanha, de civis a militares.

Logo, o Brasil soube que não tinha um presidente; tinha um chefe de clã que só poupa os próprios fi lhos do desterro. E, ao blindá-los, oferece a eles elmos e espadas, como guardas pretorianos de um Imperador. Na Roma Antiga, a mera existência do Senado não era suficiente para brecar a força bruta dos mandatários, nutrindo conspirações palacianas e até da própria Igreja.

Embora as instituições tenham evoluído muitíssimo desde então, Bolsonaro estabeleceu para si uma regra adotada há séculos por dirigentes avessos a democracia: o extermínio da política quando ela não serve mais a seus propósitos. Usam-na quando lhes convém e a descartam quando chegam ao poder.

O passo seguinte que tomam não é incomum na história: impõem aos subordinados a alternativa da vassalagem para poderem sobreviver. Não é lealdade, é obediência pura e simples. São péssimos para pagar dívidas, mas ótimos para cobrá-las e exercitam a traição com obstinação e método.

E, sobretudo, necessitam de quem os idolatre acima de qualquer coisa e qualquer lógica, de qualquer tênue demonstração de bom senso ou lógica elementar. Isso também foi visto no auge do petismo, com uma virulência menor, mas efetiva. Só que um fato inteiramente novo, fora do programa, interferiu no enredo.

Há hoje uma desestruturação global em curso, chamada coronavírus, a mostrar que ninguém é forte ou poderoso o sufi ciente para a fúria de uma pandemia, que em três meses fez cair de joelhos grandes potências mundiais.

Nesse momento, exercitar a paz é sempre melhor.

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